terça-feira, junho 30, 2020

POLÍTICA

“Brasileiro não permitirá um retrocesso institucional”, diz Rodrigo Maia.



O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), comentou por meio de sua conta no Twitter neste domingo (28.jun.2020) o dado de que 75% dos brasileiros apoiam a democracia, de acordo com pesquisa DataFolha.

Maia afirmou que por 1 lado, fica feliz, porque “o brasileiro não permitirá um retrocesso institucional”. Por outro, disse, fica entristecido “por ter que, em pleno século XXI, me preocupar com uma discussão que já deveria estar enterrada.”.

“Nasci no Chile em 1970, filho de um brasileiro perseguido pela ditadura e uma chilena; saímos de lá no ano seguinte com a chegada de Pinochet ao poder. Meus pais conheceram a dor da separação forçada e o abuso da força da ditadura. Por mais que uma minoria ainda tente ressuscitar o terror, o horror da ditadura não retornará tão cedo por aqui”, declarou o presidente da Câmara.


“Dia triste para os saudosistas do autoritarismo”, afirmou Maia.

Mais cedo, em Brasília, 1 grupo de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro fazia protesto em Brasília. Eles pediam intervenção militar com Bolsonaro no poder. O presidente da República não participou do ato nem se manifestou sobre o assunto. Passou o domingo todo no Palácio da Alvorada.

O presidente da República já chegou até a discursar em manifestação com pauta a favor de 1 novo AI-5 (Ato Institucional número 5, editado em 1968 e que recrudesceu a ditadura). Ele nega, porém, ser favorável a uma ruptura democrática. Nas últimas semanas, deixou a temperatura baixar.

Bolsonaro faz tour pelo País para fugir de Brasília e se aproximar ainda mais do Centrão.



Neste sábado, Bolsonaro foi de helicóptero para Minas Gerais em viagem fora da agenda; Aliados aproveitam visitas do presidente para mostrar influência à comunidade local.

Em estratégia semelhante à adotada em governos petistas, o presidente Jair Bolsonaro decidiu fazer um tour pelo País com a intenção de montar uma agenda positiva. Ao sair de Brasília, o presidente mira no afago a parlamentares do Centrão, nutre a base local e ainda sai do foco das crises sanitária, política e econômica.

O presidente iniciou a série de viagens com uma passagem por Penaforte, no Ceará, para protagonizar a cerimônia que marca a chegada das águas do Eixo Norte do projeto de integração do Rio São Francisco. Lá, posou ao lado dos mais recentes fiéis aliados e teve seu trabalho enaltecido. Do Centrão, estiveram presentes representantes de ao menos dois partidos, o PSD, com Domingos Neto, e o PL, com o Dr. Jaziel.

Além de acenar à base no Congresso, o presidente também reforçou seu apoio local e acenou a bolsonaristas cearenses. Deputados estaduais aproveitaram a visita para agradecer ao presidente e estampar sua imagem nas redes sociais.

O deputado estadual André Fernandes de Moura (PSL), por exemplo, enviou aos seus eleitores por WhatsApp um chamado para a inauguração das obras. “Venha recepcionar nosso presidente”, dizia trecho do convite. A mensagem afirmava ainda que “só um presidente cabra da peste vem trazer as águas do Velho Chico ao Ceará”.



O deputado estadual Coronel Sandro (PSL-MG) foi mais claro na crítica ao governo PT, com o qual o bolsonarismo polariza. A paternidade da obra de transposição do São Francisco, iniciada no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se tornou um dos alvos da narrativa dos aliados de Bolsonaro. Ao UOL, no entanto, o ex-ministro Pádua Andrade, que tocou a obra no governo de Michel Temer, afirmou que entregou à gestão atual a obra “94% pronta”.



Os bolsonaristas aproveitaram para bombar o feed com muitas imagens ao lado do “mito”. O deputado estadual Delegado Cavalcante (PSL) disse ser grato ao presidente por não deixar “tão importantes obras pararem”. Bolsonaro, então, respondeu que está cumprindo promessa de campanha. “Desde o início do governo disse que não deixaríamos obras paradas. E é uma novela enorme, né, que está chegando ao fim”, afirmou o mandatário.


Essa aproximação de apoiadores é diferente do que vinha ocorrendo nos últimos dias, quando o presidente deixou de atender a militância bolsonarista em frente ao Palácio do Alvorada. Ele chegou a ignorar a claque por dois dias seguidos, quando o amigo Fabrício Queiroz foi preso e o escândalo da “rachadinha” que envolve seu filho, senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), voltou aos holofotes. 

Em Brasília, o presidente vinha sendo alvo de queixas e cobranças também por causa da crise do novo coronavírus e dos inquéritos das fake news e da organização e do financiamento de atos antidemocráticos. No Ceará, Bolsonaro conseguiu manter silêncio sobre as crises, como aconselham os integrantes de seu núcleo mais próximo.

Em busca de criar mais notícias positivas, o presidente seguirá o périplo. Entre as próximas paradas está o Tocantins, segundo a Folha de S.Paulo. A reportagem diz que o Ministério da Infraestrutura se prepara para apresentar mais sugestões de destino ao chefe. Há uma lista com ao menos 30 obras para serem inauguradas. Em suas redes sociais, o presidente já partiu para a propaganda de seus supostos feitos:


A estratégia de aproximação do Centrão, no entanto, desagrada à ala mais ideológica de sua base. O ideólogo Olavo de Carvalho condenou publicamente o novo comportamento do presidente.

‘Escapada’ para Minas Gerais 

Neste sábado, Bolsonaro fez uma viagem que não estava programada na agenda oficial: ele pegou o helicóptero presidencial e voou até Araguari, a 391 km de Brasília.

Obrigado por decisão judicial a usar máscara em espaços públicos no Distrito Federal (sob pena de pagar multa de R$ 2 mil), Bolsonaro circulou sem o aparato pelas ruas do município mineiro – e pegou crianças no colo, em meio à pandemia do novo coronavírus. 

A razão apontada pela assessoria para a viagem foi uma visita ao 2º Batalhão Ferroviário Mauá, onde cantou o Hino Nacional. Bolsonaro ainda ficou por cerca de 30 minutos no acostamento da BR 050, acenando para apoiadores por entre os carros e caminhões, enquanto crianças, escoltadas por policiais rodoviários, atravessavam a rodovia para abraçá-lo. Ele havia descido de helicóptero às margens da BR.

Sem máscara, Bolsonaro segura no colo criança que atravessou a rodovia.

Segundo o jornal O Globo, acompanharam o presidente na viagem o ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, o pastor Wilbert Golden Batista, o deputado federal Cabo Junio Amaral (PSL-MG) e o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem.

Velha política

Sair de Brasília quando a crise política aperta é uma recurso ao qual os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, do PT, recorreram em momentos distintos. No auge do escândalo do mensalão, Lula deixou a pressão de Brasília e fez um tour pelo País a fim de evitar responder sobre o escândalo e de afagar o eleitorado.

Em agosto de 2005, um dos destinos do petista também foi o Tocantins. Lá, posou para fotos ao lado de políticos e eleitores do estado, aproveitou para atacar o governo anterior, mas não deu uma palavra sobre a crise política que enfrentava. Antes de ir ao Norte, o ex-presidente esteve em Pernambuco.

Na época, o escândalo da compra de votos na Câmara dos Deputados chegou a abalar a popularidade do presidente, mas aliados consideram que tirá-lo do centro da crise ajudou a aliviar o tamanho da queda na avaliação. Tanto que Lula foi reeleito em 2006.

Mesma estratégia foi aconselhada pelo próprio Lula à sucessora Dilma Rousseff. Em 2015, com a popularidade em queda livre, a então presidente atendeu à recomendação e iniciou uma série de viagens também pelo Nordeste, como fez Bolsonaro nesta semana.

“Nas viagens Dilma deverá listar obras do governo federal nas localidades que visitará e tentar transmitir a imagem de que o governo não está paralisado”, diz trecho de uma nota publicada à época. No caso da ex-presidente, a viagem não resultou em melhora em sua avaliação. Ela acabou sofrendo impeachment pouco mais de um ano depois.

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