terça-feira, julho 07, 2020

DIREITOS

Renato Feder recusa convite para assumir o comando do Ministério da Educação.


Feder foi quase ministro por duas vezes nas últimas semanas

Decisão ocorre após presidente fazer o convite, mas dizer a aliados que estaria procurando outro nome.

Secretário de Educação do Paraná, Renato Feder anunciou neste domingo (5) que recusou o convite do presidente Jair Bolsonaro para assumir o comando o Ministério da Educação. A decisão ocorre depois de Bolsonaro ter feito o convite, mas ter avisado a aliados que estaria procurando outro nome. 


Recebi na noite da última quinta-feira uma ligação do presidente Jair Bolsonaro me convidando para ser ministro da Educação. Fiquei muito honrado com o convite, que coroa o bom trabalho feito por 90 mil profissionais da Educação do Paraná.
— Renato Feder (@ProfRenatoFeder) July 5, 2020


Agradeço ao presidente Jair Bolsonaro, por quem tenho grande apreço, mas declino do convite recebido. Sigo com o projeto no Paraná, desejo sorte ao presidente e uma boa gestão no Ministério da Educação.
— Renato Feder (@ProfRenatoFeder) July 5, 2020

O Planalto confirmou à imprensa que o convite havia sido feito e que Feder teria dito “sim”. No entanto, após a imprensa noticiar Feder como novo ministro, o presidente passou a sofrer pressão de vários lados. Até mesmo a bancada evangélica mandou avisar que não aceitava o indicado ao ministério.

A ala ideológica foi uma das mais pressionou contra o indicado. O grupo que manteve o controle do ministério até a queda de Abraham Weintraub torce por alguém que seja ideologicamente alinhado aos seus princípios e que tenha o aval de Olavo de Carvalho.

Os bolsonaristas encontraram inconsistências no currículo de Feder. A Secretaria de Educação do Paraná o apresenta como mestre, o empresário, no entanto, segundo o currículo lattes, está com o mestrado em andamento desde 2002.

A ala militar também não havia gostado da escolha e batia na tecla das falhas no currículo. Foram erros no currículo que levaram à demissão de Carlos Alberto Decotelli. Ele ficou no cargo apenas 5 dias e nem chegou a tomar posse.

Havia também a queixa de que Feder era próximo ao PSDB. Ele chegou a trabalhar alguns meses para a Secretaria de Educação de São Paulo no governo de Geraldo Alckmin e fez doações para campanha de João Doria em 2016. Herdeiro do grupo Elgin, Feder é sócio da Multilaser.

Alvo desse intenso processo de fritura ao longo do fim de semana, Feder preferiu desistir do cargo e permanecer no Paraná. Essa é a segunda vez que ele quase pisa na Esplanada de Bolsonaro. Antes da oficialização de Decotelli, o empresário também chegou a ser o preferido para assumir o cargo, mas teve seu nome preterido.

Desafio

O próximo ministro da Educação terá uma lista de desafios pela frente. Além de traças diretrizes para o retorno das aulas em meio à pandemia, ele terá que retomar a credibilidade da pasta. Especialistas ouvidos pelo HuffPost afirmam que a desconfiança que gira em torno do ministério será o maior empecilho para o próximo chefe da pasta. 

A gestão de Abraham Weintraub, o ministro mais longevo no MEC do governo Bolsonaro, deixou sequelas. Só no Ensino Superior, o ex-ministro tentou interferir na autonomia das universidades, disse que bloquearia recursos de instituições que promovessem “balbúrdia”, cortou bolsas, além de ter ridicularizado a área de humanas. Em relação ao Enem, que é o maior vestibular do País, chegou a dizer que a prova do ano passado, que esteve sob seu comando, tinha sido “o melhor Enem de todos os tempos”. No entanto, houve erros, a pasta demorou a reconhecer e pelo menos 6 mil estudantes foram prejudicados.

Junto com os erros de português, a gestão de Weintraub ficou conhecida pela ironia. E foi por esse jeito escrachado que ele teve que deixar o governo. A pressão contra ele aumentou depois que se tornou pública a reunião ministerial de 22 de abril em que ele chama os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) de “vagabundos” e diz que, se pudesse, mandaria todos para prisão. No mesmo mês que fez essa afirmação, o Weintraub já estava envolvido em outro capítulo que agressão que também fugia das fronteiras do MEC. Em tom racista, ele insinuou que a China sairá “fortalecida” com a pandemia de coronavírus.

O novo ministro terá que lidar com as sequelas que essas ocorrências deixaram no ministério. “Há uma crise de confiança por parte dos atores no governo e o primeiro passo é restabelecer algum diálogo que seja civilizado e que não tenha como base somente agressões gratuitas”, define o especialista em educação do Instituto Expert Brasil Afonso Galvão. 

Bolsonaro está ciente dos problemas. O presidente tem evitado embarcar nos conselhos da ala ideológica, mas não consegue ignorá-los completamente. Ele chegou a cogitar o reitor do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), Anderson Ribeiro Correia, para o posto, mas desistiu depois de Correia dizer que só assumiria o posto se pudesse demitir os olavistas. O presidente procura um nome que agrade ao Congresso e as alas militar e ideológica. Enquanto não encontra esse nome, o governo segue sem chefe no MEC. 

Padre chama Bolsonaro de bandido: Quem votou nele deve se confessar.



O padre Edson Adélio Tagliaferro, da Igreja Matriz Nossa Senhora das Dores, na cidade de Artur Nogueira, interior de São Paulo, passou um sermão em sua homilia e disse aos fiéis que votaram em Jair Bolsonaro que eles deveriam se confessar.



“Vocês querem que eu fale aquilo que todo mundo fala, que não deixam ele trabalhar? Não! Bolsonaro não presta. Bolsonaro não vale nada. E quem votou nele devia se confessar, pedir perdão a Deus pelo pecado que cometeu, porque elegeu um bandido para presidente”, pregou o pároco.

Adélio se posicionou e ainda frisou que o padre deve, sim, falar sobre o assunto na homilia. "Muitas pessoas dizem: padre, cuidado com o que você fala na homilia porque tem gente que não gosta. Ué, o que a gente tem que falar na homilia, senão aquilo que Deus nos pede para falar. Se a gente tá vendo que o governo não presta, o padre não pode falar que o governo não presta porque o povo não quer ouvir isso?”, perguntou.

Além de Bolsonaro, o padre ainda lembrou que o Ministério da Saúde segue sem um titular. "Nós ainda não temos ministro da Saúde.”

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