quinta-feira, julho 02, 2020

NOTÍCIAS DO MUNDO GAY

Gabão descriminaliza homossexualidade.


Gabão descriminaliza homossexualidade 

O país do continente africano, Gabão, votou pela descriminalização da homossexualidade em uma decisão histórica. Em 2019, o pequeno país tinha se tornado o 70º país do mundo a proibir o sexo homoafetivo sob um código penal que prometia publicar ‘infratores’ com até seis meses de prisão e uma multa de cinco milhões de francos da África Central (mais de 6.300 libras).

Na Assembleia Nacional do país, na terça-feira (30 de junho), 48 membros do parlamento – incluindo o primeiro-ministro Julien Nkoghe Bekale – votaram pela revisão da lei arcaica, enquanto 25 se abstiveram e 24 votaram contra.

Jessye Ella Ekogha, porta-voz da presidência do Gabão, disse à Reuters que a decisão foi “adotada com uma grande maioria de 59 votos” no Senado. Em uma sessão a portas fechadas, 17 senadores votaram contra a decisão e quatro se abstiveram.

Historicamente, o Gabão se une a Seychelles, Angola, Moçambique e Botsuana como um dos poucos países da África a reverter a proibição de relações entre pessoas do mesmo sexo. Agora será ratificado pelo presidente Ali Bongo Ondimba.

Bekale anteriormente elogiou a decisão no Twitter, escrevendo: “Eu tenho convicções religiosas. Sou tolerante e respeito a vida humana. Assim como sou contra a pena de morte, também sou contra a estigmatização dos homossexuais. Parabéns aos parlamentares por terem mudado de mentalidade e terem sido capazes de se adaptar ao tempo.”

Sylvia Bongo Ondimba, esposa do Bongo, recebeu a nova iniciativa na semana passada nas mídias sociais. “O Parlamento está restaurando um direito humano fundamental para seus cidadãos: o de amar, livremente, sem ser condenado”, escreveu ela. “A república defende o respeito pela privacidade de todos e permanece unida e indivisível além dos sentimentos. Sim à dignidade, não ao ódio.

A decisão de reverter parte da lei, apenas um ano após sua votação, dividiu opiniões nas mídias sociais e provocou um debate em massa na nação da África Central, onde a homossexualidade ainda é amplamente vista como um tabu.

Antes da votação, o senador Jean-Christophe Owonu Nguema criticou a mudança de lei proposta, afirmando: “Minhas convicções religiosas, minha educação e a visão que tenho para o meu país não me permitem aceitar tal abominação”. A arquidiocese católica de Libreville também pediu aos senadores que votassem contra.

“Em nome da sabedoria de nossos antepassados, contida em nossas diversas culturas, que celebra a vida, o amor, a família, dizemos não à descriminalização da homossexualidade”, disseram eles em um comunicado de 24 de junho.

O grupo de direitos humanos de Londres, o Human Dignity Trust, elogiou o Gabão por seu monumental passo à frente:  “O Gabão agora opta por limpar seus livros de leis de disposições arcaicas que permitem discriminação, violência e assédio contra pessoas LGBT”, disse a chefe jurídica Victoria Vasey.

Com pauta anti-LGBT, presidente da Polônia avança para 2º turno.


Andrzej Duda presidente da Polônia

Na busca pela reeleição, Andrzej Duda, atual presidente da Polônia, conseguiu apoio o suficiente para avançar ao 2º turno das eleições, com 43,7% dos votos. Ele tem causado polêmica com pautas anti-LGBT.

O principal adversário político de Duda foi o prefeito de Varsovia, Rafal Trzaskowski, que garantiu 30,4% dos votos. O segundo turno da eleição está marcado para 12 de julho.

“Escolhemos entre futuro e passado. Entre a honestidade e os que querem expropriar o Estado. Entre a verdade e os que querem se basear na manipulação. Disso tratam estas eleições. E o mais importante: vocês decidem se teremos um presidente forte que olhará para as autoridades, ou um presidente que infelizmente nem sequer respeita sua assinatura”, disse Trzaskowski após o resultado.

Rafal Trzaskowski é um político liberal do partido de centro-direita, que tem chamado atenção da população local por ter inserido pautas LGBTs na educação de seu município.

Caso seja eleito no próximo dia 12, Duda pode gerar uma certa instabilidade política na União Europeia. O grupo já anunciou que não apoia as pautas LGBTfóbicas do presidente e afirma que a atitude é “escandalosa”.

Polícia espirra spray de pimenta em LGBTs durante protesto em NY.



Um protesto pacífico no último fim de semana pelo mês do Orgulho em Nova York terminou em um confronto violento com a polícia, que prendeu e borrifou spray de pimenta sobre pessoas que marchavam por direitos igualitárias.

Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram policiais empurrando espectadores para o chão, atingindo-os com cassetetes e lançando spray de pimenta nas multidões. As coisas começaram a piorar quando um manifestante foi preso por policiais que tinham seus números de crachás cobertos.

Eliel Cruz, que postou suas imagens do dia no Twitter, disse ao BuzzFeed News que estava “tranquilo” inicialmente: “Então eu vi 20 policiais em motos e alguns carros da polícia aceleram imediatamente, então eu andei um pouco mais rápido”, ele acrescentou, “Estávamos exigindo que a polícia liberasse o manifestante, e eles começaram a espancar as pessoas”.

Os organizadores do protesto criticaram o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, em uma declaração que dizia: “No exato momento em que o prefeito de Blasio twittou sobre honrar o Stonewall e o movimento de direitos LGBTQIA+, o NYPD reagiu com violência física incluindo a pulverização de pimenta em seus próprios colegas”.

“Usar spray de pimenta contra a comunidade negra e queer, derrotar os manifestantes LGBTQIA+ com cassetetes e bicicletas e intimidar nosso direito de nos reunir pacificamente reflete o desrespeito que o prefeito, juntamente com a polícia de Nova York, tem pela vida e pela segurança de todos os negros e LGBTs de NY”.

Boate gay peruana reabre como supermercado liderado por drags.



Famosa boate gay em Lima, capital do Peru, reabriu as portas na última terça-feira (30), depois contabilizar mais de 100 dias sem atividades, mas dessa vez, transformada em um pequeno supermercado administrado por drag queens, as informações são do G1.

“Estamos abrindo as portas com grande entusiasmo. Para nós, foi um grande desafio, foi uma jornada difícil, mas conseguimos”, disse Claudia Achuy, gerente da boate “Valetodo Downtown”, localizada no distrito turístico de Miraflores, no sul da capital peruana.

A novo mercado chamado “Downtown Market” colocou simplesmente maravilhosas drag queens para administrar o negócio local e no lugar de pista de dança, o espaço abriga prateleiras com comidas, bebidas e verduras, e um DJ que toca as músicas que os clientes pedem enquanto fazem compras.

Funcionárias trabalham em boate gay transformada em supermercado em Lima, no Peru – Foto: Ernesto Benavides/AFP

Outros funcionários como garçons e gerentes da antiga casa foram aproveitados nas funções de caixas do supermercado, que mantêm suas tradicionais cores preto e vermelho e com as recepcionistas, que usam máscaras ao recepcionar os clientes.

O Ministério da Saúde concedeu ao empreendimento autorização de funcionamento após as modificações o classificando como serviço essencial. O dono contou que a iniciativa foi tomada para impedir que seus 120 funcionários ficassem desempregados, em um país com a economia paralisada por causa do longo período de confinamento e no qual quase dois milhões perderam o emprego.

Segundo o dono, Achuy, o supermercado possui sistema de desinfecção automatizado para que pessoas e alimentos estejam livres do coronavírus. Com 33 milhões de habitantes, o Peru é o segundo país na América Latina com o maior número de casos da Covid-19 depois do Brasil, e o terceiro em mortes, atrás do Brasil e México.

No Peru já existe lei de criminalização da homofobia. De acordo com uma pesquisa recente da empresa Ipsos, a pedido do Ministério da Justiça, 1,7 milhões de pessoas no país se identificam como LGBTQIA+.

Deputado gay Douglas Garcia pega suspensão de 1 ano pela ALESP.


Deputado Douglas Garcia

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo suspendeu por 12 meses o deputado do PSL Douglas Garcia e seu colega de partido Gil Diniz. A decisão foi publicada no Diário Oficial nesta terça-feira (30), após pedido feito pelo partido à presidência da Casa no final do mês passado, as informações são do G1.

Segundo o PSL, a punição foi motivada pelo envolvimento dos dois parlamentares na disseminação de fake news e de ataques a instituições pilares da democracia. Garcia, que recentemente voltou contra o fundo de combate ao Covid-19 e milita contra os direitos LGBT, mesmo sendo gay, está sendo investigado em inquérito do STF sobre o tema.

O afastamento dos deputados não implica em perda de mandato, portanto Garcia e Diniz seguem com participação nas sessões plenárias da Assembleia Legislativa de SP e com direito de voto, a suspensão impede integrar qualquer comissão da Casa, tanto as comissões permanentes como as CPIs (comissão parlamentar de inquérito).

Douglas Garcia era membro de duas CPIs que ainda terão início na Alesp, inclusive na de Fake News, da qual era suplente. Ele era ainda membro da CPI sobre violência sexual nas universidades. Em suas redes sociais, ele disse recorrer da decisão.

Mario Frias apoia censura a LGBTs: “seguirei a linha estética do patrão”.


Mario Frias - secretário de cultura

Mário Frias, ex ator escolhido para assumir a secretaria de cultura após a desastrosa passagem de Regina Duarte pela mesma pasta, declarou que seguirá a “linha estética do patrão” (Bolsonaro) em sua gestão: “Não adianta: o patrão quer uma linha estética. E essa linha estética vai ser privilegiada”.

Lembramos que no mesmo pronunciamento, o atual secretário também atacou a classe artística, que vive situação de penúria, chamando R$ 600 reais de esmola. A censura ao conteúdo LGBT tem sido pauta constante do Governo Bolsonaro, que, em agosto de 2019, suspendeu o edital que havia selecionado séries de temática LGBTs para TV aberta.

Anteriormente, o governo censurou projetos de forma arbitrária deixando claro que a Agência Nacional do Cinema não liberará mais verbas para produções com temas LGBT: “Conseguimos abortar essa missão”, comentou Bolsonaro na ocasião.

Em 17 meses, Mário Frias é o quinto secretário da Cultura, após figuras esdrúxulas e reacionárias como Regina Duarte e Roberto Alvim. Suas declarações LGBTfóbicas se dão justamente em junho, conhecido como o mês do orgulho LGBT.

Recentemente, Mario Frias se viu em polêmica na capa da Folha em que aparece nu com a legenda “O novo homem do presidente“, frase a capa homofóbica sem finalidade elucidativa nenhuma.

“Serva de Deus” é presa por homofobia após agredir funcionário de agência.



Uma mulher de 42 anos que se dizia “serva de Deus” foi presa no último domingo (28/06), justamente no dia do Orgulho LGBTQ+, após agredir o funcionário de uma agência de viagens por ser homossexual. O caso aconteceu na cidade de Lucas do Rio Verde, a 360 km de Cuiabá, Mato Grosso (MT).

Em vídeo que circula pelas redes sociais, é possível ouvir a mulher proferindo várias ofensas contra o homem e afirmando que ele deveria morrer por ser homossexual. A vítima ainda tenta escapar da criminosa entrando na loja em que trabalha. No entanto, a agressora foi atrás dele e usou um ferro, que delimitava a fila de atendimento, para espancá-lo. Descontrolada, a mulher ainda danifica equipamentos da agência.

Já na presença dos policiais, a vítima explicou que a mulher foi até seu posto de trabalho comprar uma passagem, porém, sem respeitar o distanciamento recomendado na prevenção da propagação do novo coronavírus. O jovem, na tentativa de orientá-la, passou a ser ofendido pela mulher.

Resistindo à prisão, a suspeita chegou a dizer que era parente de uma autoridade do estado, na tentativa de intimidar a ação dos policiais. A agressora foi conduzida à Central de Flagrantes e responderá pelos crimes de homofobia, ameaça, dano, injúria mediante preconceito, lesão corporal e tráfico de influência.

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