sexta-feira, julho 03, 2020

POLÍTICA

Com mesmo nome de programa de Hugo Chávez, nova campanha de Bolsonaro usa fotos fake.



"Alô Presidente" coloca Jair Bolsonaro para responder a perguntas de dois supostos nordestinos. Fotografias, porém, podem ser encontradas em sites de imagens pagas.

O presidente Jair Bolsonaro publicou em seu Twitter, nesta quarta-feira (1º), um vídeo no qual conversa com duas pessoas sobre as obras da transposição do rio São Francisco. Acontece que a foto das duas pessoas que supostamente participam do bate-papo com ele constam em banco de imagens pagas. O vídeo foi retirado do ar após a polêmica instalada.

O HuffPost questionou a Secretaria de Comunicação da Presidência a respeito. Perguntou se as imagens foram conseguidas em banco de dados e como ocorreu o contato com as pessoas. Não houve retorno direto às perguntas do HuffPost.

A Secretaria de Comunicação, contudo, divulgou uma nota em que afirma que o vídeo “trata-se de uma peça piloto inacabada que não deverá ser veiculada, não possuindo caráter oficial”. “De todo modo, a fim de sanar qualquer tipo de distorção dos fatos, o vídeo foi retirado do ar.”

- "Alô Presidente..."
- O Ministério do Desenvolvimento Regional (@mdregional_br ) @rogeriosmarinho o Nordeste. pic.twitter.com/THpe0xEsJG
— Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) July 1, 2020


A contradição foi levantada pelo perfil Cerca Livre do Twitter, que destacou que a primeira personagem do filme publicitário do governo, chamada no vídeo de Maria Eulina, que seria do Ceará, pode ser encontrada no site istockphoto.com. A coluna do jornalista Guilherme Amado, no site da revista Época, também encontrou a foto no Dreams Time.  


E o governo federal que ta fazendo uma propaganda chamada "ALÔ PRESIDENTE" supostamente com moradores ligando pro @jairbolsonaro mas na verdade não passa de fake news com imagens da Internet... pic.twitter.com/OWM00ZQFFX
— CERCA LIVRE (@BotGadoDetector) July 1, 2020


O vídeo segue com outra imagem, desta vez de um homem que se chamaria Francisco Valmar e seria do Rio Grande do Norte. A coluna de Guilherme Amado encontrou a foto de Valmar no banco de imagens ShutterStock.

Intitulada “Alô Presidente”, a campanha publicitária tem mesmo nome de uma propaganda de Hugo Chávez, que transmitia suas políticas de governo na Venezuela em 1999 por meio de programa homônimo. 

No domingo (28), o governo lançou um vídeo voltado às ações no Nordeste, falando sobre o Bolsa Família e exaltando Bolsonaro. Na letra, o nordestino pede “desculpas” por não ter votado no mandatário e o reconhece como um “baita presidente”. Fala ainda em “esquecer o passado”. 



O Nordeste foi a única região do País em que Bolsonaro foi derrotado pelo petista Fernando Haddad nas eleições de 2018. O então candidato pelo PT teve 69,7% dos votos válidos - 20,3 milhões. O mandatário teve 30,3% dos votos - 8,8 milhões. Bolsonaro foi eleito com 57,7 milhões de votos em todo o País. Além do 9 estados nordestinos, o mandatário só perdeu para o adversário no Tocantins e no Pará. 

Na sexta (26), Bolsonaro viajou ao Nordeste para inaugurar um trecho da obra de transposição do São Francisco, como já haviam feito seus antecessores Michel Temer, Dilma Rousseff e Lula. 

Postado na conta do YouTube de Carlos Bolsonaro, que apesar de negar, gerencia indiretamente a comunicação presidencial, e postado pelo presidente em seu perfil no Twitter, o vídeo foi ironizado nas redes sociais pela semelhança de formato com as campanhas publicitárias do PT. O ritmo e as cenas lembram as campanhas petistas coordenadas por João Santana à época dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff.

É propaganda do Lula????? Não. 


Assistam esse populismo e vejam o BOLSOPETISMO nascer na maior cara de pau. pic.twitter.com/cTUS0eEvH9
— Renan Santos 🇧🇷 (@RenanSantosMBL) June 29, 2020


Carlos Alberto Decotelli pede demissão do MEC após currículo anabolizado ser contestado.



Terceiro ministro da Educação do governo Bolsonaro foi acusado de plágio em dissertação de mestrado.

Apenas 5 dias após ser nomeado, ele deixa Ministério da Educação e se torna ministro de permanência mais curta do governo Bolsonaro.

Caiu antes de tomar posse: Decotelli pede demissão após CV anabolizado ser contestado.

Antes mesmo de tomar posse, Carlos Alberto Decotelli deixou o Ministério da Educação. Ele entregou a carta de demissão ao presidente Jair Bolsonaro na tarde desta terça-feira (30), após contradições em informações em seu currículo. No lugar da posse, que estava prevista para esta tarde, a saída; ele deixa o cargo apenas 5 dias após seu nome ter sido publicado no DOU (Diário Oficial da União). Ele é o terceiro chefe do MEC a deixar a pasta em um ano e meio de governo. 

Após um encontro com Bolsonaro na tarde desta segunda (29), Decotelli negou que deixaria o ministério, minimizado as contradições em seu CV. O presidente, contudo, não se satisfez com as justificativas que ouviu de seu agora ex-ministro. 

As sequentes dores de cabeça de Bolsonaro com o CV de Decotelli desgastaram o núcleo militar, que bancou a indicação do economista à vaga no MEC. Em especial os ministros militares do Planalto têm sido criticados pelo próprio Bolsonaro por não terem checado os dados do currículo do ex-presidente do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). 

No início da noite, o ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Augusto Heleno, negou em seu Twitter que a Abin (Agência Brasileira de Inteligência), que fica sob o guarda-chuva da GSI, cheque a formação de integrantes do governo, dizendo que isso é responsabilidade de “cada um”. 


Aos desinformados: o GSI/ABIN examinam, sobre quem vai ocupar cargos no Governo, antecedentes criminais, contas irregulares e pendentes, histórico de processos e vedações do controle interno. No caso de Ministros, cada um é responsável pelo seu currículo.
— General Heleno (@gen_heleno) June 30, 2020


Conforme fontes palacianas ouvidas pelo HuffPost nesta terça, integrantes da ala ideológica passaram a defender desde o fim de semana um nome alinhado a eles, como o polêmico ex-chefe da pasta Abraham Weintraub. Segundo informou uma das pessoas com quem o HuffPost conversou, o que se tem dito ao presidente Jair Bolsonaro é que “vale muito mais a pena seguir os conselhos” deste núcleo [ideológico]. 

Um novo nome deve ser anunciado nos próximos dias. Antes, porém, apesar da negativa de Heleno sobre a Abin atuar na confirmação de dados curriculares, Bolsonaro determinou que a agência faça uma devassa em dados de nomes cotados para a vaga. A informação foi passada ao HuffPost por interlocutores do mandatário.

A aposta é que o quarto nome para o MEC possa ter um perfil mais parecido com o de Weintraub, afim aos ideológicos do governo, do que com a ala ponderada, representada pelos militares.

Contudo, voltaram a circular nos corredores do Planalto os mesmos nomes que já em voga antes da nomeação de Decotelli: o secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, e o ex-assessor do MEC Sérgio Sant’Ana.

Polêmicas

Desde que foi anunciado para o cargo de ministro da Educação, na última quinta (25), o ex-presidente do FNDE reescreveu seu currículo algumas vezes. Anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro com exaltação ao CV cheio de títulos, ele foi acusado de plágio na dissertação de mestrado, reconheceu que não finalizou o doutorado e, nesta segunda (29), a Universidade de Wuppertal, na Alemanha, afirmou que Decotelli não fez pós-doutorado por lá.

O desmonte do currículo, que estava público na plataforma Lattes do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), acendeu um alerta, especialmente para a comunidade acadêmica. 

Depois que a sequência de “erros” foi anunciada na imprensa, Decotelli alterou o currículo. Ele excluiu a citação do pós-doutorado nesta segunda, após a universidade alemã afirmar que o ministro fez apenas uma pesquisa de três meses em janeiro de 2016 na instituição

Na sexta (26), o reitor da Universidade de Rosário, na Argentina, afirmou que Decotelli não concluiu o doutorado em administração da Faculdade de Ciências Econômicas e Estatística . “Essa tese não foi aprovada e não recebeu um parecer favorável da banca. Portanto, ele não pôde concluir o doutorado que estava realizando na Universidade Nacional de Rosário. E, como consequência, não obteve o título de doutor”, afirmou o reitor da instituição, Franco Bartolacci. 

Decotelli, então, corrigiu o Lattes. Excluiu o título da tese e o nome do orientador. Ao repórter Cesar Tralli, o futuro ministro disse que fez todo o curso, mas não defendeu o trabalho final porque não tinha mais interesse em continuar na Argentina.

Pairam ainda dúvidas sobre seu mestrado. Há suspeita de plágio na dissertação apresentada em 2008. No sábado (27), em nota, a FGV (Fundação Getulio Vargas) anunciou que vai apurar a denúncia. “Caso seja confirmado o procedimento inadequado, a FGV tomará as medidas administrativas e judiciais cabíveis”, diz. À Rede Globo, Decotelli disse que se forem encontradas falhas, ele irá revisar o trabalho. Nesta segunda, a plataforma Lattes ficou instável, e o perfil do ministro no Linkedin estava fora do ar.

Presidente Bolsonaro conversa com fotos compradas em bancos de imagens no programa "Alo Presidente"



Decotelli, Dr. Honoris Quase



Nenhum comentário:

Postar um comentário