sexta-feira, julho 31, 2020

POLÍTICA

Após se curar de covid-19, Bolsonaro retoma tour e gera aglomeração na Bahia.


Antes de seguir para Campo Alegre de Lourdes (BA), Bolsonaro desceu no aeroporto de São Raimundo Nonato, no Piauí, onde montou um cavalo e usou chapéu de vaqueiro.

Presidente tenta mobilizar apoio no Nordeste, onde perdeu para Haddad em 2018 e ainda tem pior avaliação: 'Vocês são pessoas iguais às outras 4 regiões do Brasil'

Em sua primeira viagem depois de três semanas de isolamento devido à infecção pelo novo coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro usou seu discurso para fazer acenos ao Congresso e à população do Nordeste, região onde perdeu para o petista Fernando Haddad na eleição de 2018 e ainda tem as piores avaliações em pesquisas de opinião.

“Ninguém esperava isso [pandemia], mas ela veio. E nós fizemos tudo possível para que os efeitos fossem minorados, mas fizemos isso tendo ao lado valorosos senadores e deputados”, disse Bolsonaro na cidade de Campo Alegre de Lourdes (BA), na inauguração de uma adutora da transposição do rio São Francisco.

“Ninguém governa sozinho”, destacou.

O presidente viveu algumas crises com o Congresso desde que assumiu o cargo em janeiro do ano passado, mas nos últimos meses se aproximou de políticos de partidos do chamado centrão ― formado por PP, PL e Republicanos, entre outros ― num esforço para formar uma base parlamentar de apoio sólida. Bolsonaro também aliviou nos últimos tempos críticas que fez diversas vezes ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

“Já ouvi aqui de parlamentares problemas da região”, disse o presidente, que estava acompanhado do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, ex-deputado federal pelo Rio Grande do Norte.

“Esses problemas quem vai resolver não é o Jair Bolsonaro sozinho. Vai ser ele e o Parlamento brasileiro”, acrescentou.

Em seu discurso, Bolsonaro também tentou afagar a população da região, governada em sua grande maioria por políticos de oposição: “Vocês são pessoas iguais às outras quatro regiões do nosso Brasil”.

“Nós somos todos iguais, somos um só povo, uma só raça, temos um só objetivo: é o Brasil acima de todos.”

Em julho do ano passado, em uma fala com o ministro Onyx Lorenzoni captada sem querer pelos microfones da TV Brasil, Bolsonaro chamou os governadores da região de “governadores de paraíba”, o que causou indignação com o termo, considerado pejorativo.

O governador da Bahia, o petista Rui Costa, não compareceu à cerimônia.

Disputa entre PGR e Lava Jato enfraquece Moro, dizem especialistas.

https://www.msn.com/pt-br/noticias/politica/disputa-entre-pgr-e-lava-jato-enfraquece-moro-dizem-especialistas/ar-BB17n1Wl?li=AAggXC1

A troca de farpas entre a cúpula da Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Operação Lava Jato enfraquece a imagem do ex-ministro Sérgio Moro e tem potencial até para minar um possível projeto político do ex-juiz nas eleições presidenciais de 2022, segundo cientistas políticos ouvidos pelo Estadão.

Nas últimas semanas, o procurador-geral da República, Augusto Aras, disparou uma série de críticas à Operação, especialmente aos membros da força-tarefa no Paraná. Nesta quarta, 29, ele afirmou que “é hora de corrigir os rumos para que o lavajatismo não perdure” e falou ainda em “caixa de segredos” e busca por transparência no Ministério Público Federal (MPF).

As declarações foram repudiadas por integrantes da Operação. Nota assinada pelo MPF do Paraná chama os ataques de "genéricos" e "infundados".

“Um conflito dessa natureza pode minar o projeto político de Moro e ao mesmo tempo enfraquecer o coração da Lava Jato em Curitiba, sobretudo os procuradores que ganharam os holofotes ao longo desses anos, como o Deltan Dallagnol”, diz o cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Marco Antônio Teixeira. Para ele, investigações envolvendo a Operação devem atingir diretamente o ex-ministro da Justiça. “As acusações de Aras são graves. E vão em consonância com o que o ex-presidente Lula e o PT falavam lá atrás.”

Para o MPF, o embate pode significar a diminuição do poder dos procuradores e o aumento da prestação de contas sobre suas atuações, diz Vanessa Elias de Oliveira, doutora em Ciência Política e professora associada da Universidade Federal do ABC (UFABC).

Do ponto de vista eleitoral, ela diz que a diminuição de poder da Lava Jato impacta negativamente o uso político do combate à corrupção. “Se os poderes dos lavajatistas são minorados, também o são suas possíveis influências políticas nas próximas eleições."

Declarações públicas

O fato de Augusto Aras desautorizar a Operação publicamente, e de uma hora para a outra, causa “estranheza”, segundo José Mário Wanderley Gomes, doutor em Ciência Política e professor da Universidade Católica De Pernambuco (Unicap).

“Não é papel da PGR fiscalizar outros membros. Aras deveria acionar a corregedoria ou o Conselho Nacional do Ministério Público, órgãos responsáveis por investigar e punir procuradores quando há excessos. É estranho o procurador-geral estar lavando roupa suja interna fora de sua casa.”

De acordo com Gomes, sempre houve críticas de vários setores e instituições a supostos excessos da Operação, o que levanta questionamentos sobre o motivo que levou Aras a se pronunciar apenas agora. “Coincide com a mudança de direção das investigações, que agora afeta a base política do presidente.”

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