sexta-feira, agosto 28, 2020

DIREITOS

Filme sobre amor lésbico quer driblar censura com exibição online na Nigéria.



O assunto é polêmico no país, onde as relações entre pessoas do mesmo sexo são teoricamente puníveis com até 14 anos de prisão.

Duas jovens aparecem na tela, reclinadas em uma cama, falando sobre a esperança de ter filhos. Elas são protagonistas de um novo filme nigeriano chamado Ife, que retrata sua história de amor. 

O assunto é polêmico na Nigéria, onde as relações entre pessoas do mesmo sexo são teoricamente puníveis com até 14 anos de prisão.

Em entrevista à Reuters, a produtora Pamela Adie disse que “Ife” - que significa “amor” na língua iorubá amplamente falada no sudoeste da Nigéria - será lançado online para evitar qualquer possível movimento de censura.

“Eu realmente sinto que a comissão de censura está empenhada em impedir que esse tipo de história chegue às telonas e isso está sufocando a criatividade”, afirmou Adie, que se recusou a fornecer uma data de lançamento.

No trailer, lançado ainda no mês de julho, as personagens aparecem discutindo a relação e uma delas afirma que tem medo de precisar, em algum momento, fazer uma escolha entre sua família e sua felicidade. 

“O papel do filme não é dizer ‘isso é certo ou não’. Acho que o papel do filme, e de um cineasta, é retratar a realidade como ela é”, declarou Adie.


O conselho nacional de censores de cinema e vídeo da Nigéria (NFVCB, na sigla em inglês) não respondeu aos questionamentos da Reuters.

Até o momento, ninguém foi condenado pela lei que proíbe relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo, que entrou em vigor em 2014, mas ativistas e especialistas que trabalham com o tema no país dizem que ela tem sido usada para extorquir suspeitos em troca de não prendê-los ou acusá-los formalmente.

Um exemplo que fez o tema vir à tona foi o caso dos 47 homens que, no ano passado, foram julgados por demonstrações públicas de afeto. 

Eles foram presos em 2018 durante uma operação policial em um hotel no bairro pobre de Egbeda. As autoridades dizem que eles participavam de um “clube gay”, mas os detidos alegaram estar em uma festa de aniversário.


Pamela Adie fala sobre o filme nigeriano "Ife", em Lagos.

Segundo relatório da ILGA (Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Intersexuais), divulgado em janeiro de 2019, cerca de 70 países ainda criminalizam relações homoafetivas. Deles, 68 têm leis contra a prática. Em 44 países, a proibição vale para todos os gêneros. Nos demais, apenas para homens.

Segundo o relatório, o continente africano é o que mais criminaliza a homossexualidade. No total, são 33 os países que tratam relações homoafetivas como criminosas. Porém, em 2019, dois países do sul da África retiraram a proibição: Angola, em janeiro; e Botsuana, em junho.

Ao lado de Bolsonaro, Damares diz que Flordelis 'enganou todo mundo'.



BRASÍLIA - Em transmissão ao vivo nas redes sociais nesta quinta-feira, 27, o presidente Jair Bolsonaro e a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, buscaram se afastar da imagem da deputada Flordelis (RJ), denunciada como a mandante do assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo. Segundo a ministra, a parlamentar "enganou todo mundo" com sua história.

"A história que ela contava para o Brasil, e contou para nós, era uma história linda de adoção. Em 2013 conheci ela, me apaixonei por aquela história, um monte de criança adotada, e quando ela foi eleita deputada me procurou já como ministra. E antes mesmo de eu assumir, me procurou lá no Senado para falar sobre adoção. A minha ligação com ela era a pauta da adoção", declarou a ministra.

Desde a apresentação da denúncia contra Flordelis, passaram a circular fotos nas redes sociais de autoridades com a parlamentar, entre elas Bolsonaro, a primeira-dama, Michelle, e Damares. O presidente afirmou que a intenção com a divulgação é "desgastá-lo".

"Imagem minha também apareceu ao lado dela (Flordelis). Hoje, eu tirei umas 300 fotos lá em Foz do Iguaçu. Durante a minha campanha e pré-campanha, tirava 500 fotos por dia. Depois, 'nego' garimpa uma foto de alguém que fez uma besteira qualquer, ou é acusado, né, e tentam desgastar a gente", disse Bolsonaro durante sua "live" semanal, ao lado de Damares.

"Nós aguentamos pancada aqui, nós temos couro grosso, não tem problema nenhum. A gente fica chateado é que a minha esposa também tirou foto com ela (Flordelis) e roda na internet. Tudo bem", afirmou o presidente.

Para Damares, o relatório da investigação que implica Flordelis como mandante da morte do marido é "robusto". "[Estou] indignada de [ela] ter usado a fé, usado os irmãos, igreja. A igreja brasileira é uma igreja séria. Indignada. Muito triste. Ela enganou todo o Brasil. Ela não enganou só o segmento evangélico. Ela enganou a nação inteira. Nós estamos muito tristes com isso e vamos aguardar agora o resultado da Justiça."

A ministra frisou, então, que a pauta da adoção não deve afetada "com essa história absurda" de Flordelis, que adotou 55 filhos. "A pauta da adoção não pode ser afetada. Vamos continuar adotando no Brasil, vamos continuar colocando a adoção no nosso coração."

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