sexta-feira, outubro 30, 2020

POLÍTICA

 Bolsonaro justifica proximidade com centrão: "é a regra do jogo".



(Reuters) - Em uma longa conversa com apoiadores, na noite de quarta-feira, o presidente Jair Bolsonaro justificou a proximidade com o centrão e afirmou que esta é "a regra do jogo" em Brasília.

"Alguns criticam que estou me aproximando de determinados partidos. Deputados são 513. Para aprovar uma emenda constitucional precisa de 308 votos. Me aponte os 308 que eu tenho que conversar com eles", disse o presidente.

"Não me critica 'ah, se aproximou de tal pessoa que não presta'. Eu preciso desse voto para aprovar as coisas que interessam para a gente. Como é que vou fugir dele?"
"Essa é a regra do jogo", completou o presidente aos seus apoiadores.

Depois de criar uma relação de confronto direto com o Congresso pela maior parte de seus quase dois anos de governo, Bolsonaro foi convencido por aliados a baixar o tom e se aproximar das siglas do chamado centrão para preservar seu mandato e facilitar a aprovação de medidas propostas no Congresso.

Nos últimos meses, o presidente trocou o líder do governo na Câmara, tirando Vitor Hugo (PSL-GO), com que tinha bastante proximidade mas que tinha dificuldades de relacionamento na Câmara, pelo deputado veterano Ricardo Barros (PP-PR), ofereceu cargos de segundo e terceiro escalão no governo para os partidos do centrão e passou a ter entre seus principais conselheiros o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o deputado Arthur Lira (PP-AL), ambos investigados pela operação Lava Jato.

Planalto agora quer ‘distância segura’ de Russomanno.



Aliados do presidente Jair Bolsonaro têm criticado os rumos da campanha do candidato do Republicanos à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno. Segundo eles, Russomanno se recusa a empunhar bandeiras do presidente como a não obrigatoriedade da vacina contra a covid-19 e a abertura geral da economia durante a pandemia, e tem resistido a adotar uma estratégia com ênfase na campanha digital, a exemplo do que Bolsonaro fez em 2018. As divergências levaram o secretário executivo do Ministério da Comunicação, Fabio Wajngarten, a se distanciar da campanha.

Wajngarten havia sido escalado pelo Planalto para acompanhar de perto a campanha de Russomanno em São Paulo. Até o momento, nestas eleições municipais, Russomanno foi o candidato que recebeu o apoio mais explícito do presidente.


Russomanno, em café com integrantes da União Brasileira de Feiras de Negócios

O Estadão revelou na quarta-feira, 28, que Russomanno cortou trechos do jingle de campanha nos quais Bolsonaro era citado. Além disso o candidato não levou ao ar as propagandas nas quais o presidente era citado e se concentrou em atacar o governador João Doria e o prefeito Bruno Covas, ambos do PSDB. A decisão de tirar Bolsonaro da propaganda acontece depois da publicação da pesquisa do Datafolha, na quinta-feira passada, na qual Russomanno registra queda de 27% para 20% das intenções de voto.

Segundo o Ibope, Bolsonaro não é um bom cabo eleitoral na maior cidade do Brasil. Para 47% dos eleitores de São Paulo, o apoio do presidente a um candidato reduz a vontade de votar naquela pessoa.

‘Miopia’

Uma das críticas dos aliados do presidente é quanto ao modelo de campanha de Russomanno. Segundo eles, o candidato deveria investir mais nas mídias digitais e deixar a TV em segundo plano. A estratégia se baseia na vitoriosa campanha de Bolsonaro para a Presidência da República em 2018.

Um aliado do presidente aponta a “disruptividade” entre a velha e a nova forma de disputar eleições e a “miopia” por parte dos marqueteiros tradicionais. A maior reclamação, no entanto, é quanto à falta de empenho de Russomanno em empunhar bandeiras caras ao presidente, como a aversão à “vacina chinesa” fabricada em parceria com o Instituto Butantã e a oposição à forma como o governador João Doria e o prefeito Bruno Covas, ambos do PSDB, conduziram o combate à pandemia, principalmente o incentivo ao isolamento horizontal e ao fechamento de estabelecimentos comerciais durante o período mais crítico da doença.

Isso levou Wajngarten a adotar uma “distância segura” da campanha. O secretário é o maior incentivador da estratégia de colar Russomanno em Bolsonaro. O candidato seguiu a orientação nos primeiros dias de campanha, mas, depois da queda abrupta nas pesquisas, reduziu a presença do presidente em suas propagandas e discursos. Ele não se afastou completamente da eleição paulistana, mas agora acompanha a disputa de longe.

Outra reclamação do Planalto é quanto ao entorno de Russomanno. Aliados do presidente reclamam da presença de “alpinistas” que se aproximaram do candidato depois que ele se tornou o representante de Bolsonaro na disputa paulistana. Um dos alvos das críticas é o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, que, segundo o Planalto, não estaria fornecendo recursos suficientes para o candidato.

Os aliados de Bolsonaro avaliam que a queda nas pesquisas não se deve à rejeição ao presidente em São Paulo mas à falta de dinheiro na campanha e aos ataques que Russomanno vem sofrendo dos adversários por estar em primeiro lugar nas sondagens. Procurado, Pereira não respondeu aos contatos.

Coordenador da campanha de Russomanno, Elsinho Mouco disse que o clima entre os auxiliares do candidato é o oposto do relatado por aliados do Planalto. “As bandeiras desfraldadas no início da campanha, continuam tremulando. O ‘Agora é nossa vez’”, disse, citando o lema da campanha. Wajngarten não foi localizado.

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