sexta-feira, outubro 09, 2020

POLÍTICA

 Bolsonaro: ‘Acabei com a Lava Jato porque não tem corrupção no governo’.



O presidente foi aplaudido. No entanto, a prerrogativa para colocar um fim na operação não é do governo, mas da Procuradoria-Geral da República.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira (7) que “não existe mais corrupção no governo” e que, por isso, a Operação Lava Jato acabou. A declaração foi seguida de aplausos.

″É um orgulho, uma satisfação que eu tenho de dizer a essa imprensa maravilhosa nossa, que eu não quero acabar com a Lava Jato... Eu acabei com a Lava Jato porque não tem mais corrupção no governo. Eu sei que isso não é virtude, é obrigação. Para nós, fazemos um governo de peito aberto”, disse, em cerimônia no Palácio do Planalto.
A prerrogativa de colocar um ponto final na operação, no entanto, não é do presidente. A investigação não é política do governo. O órgão responsável pela Lava Jato é o Ministério Público Federal, hoje sob chefia do procurador-geral da República, Augusto Aras. 

A fala do presidente ocorreu logo após ele indicar um amigo para o Tribunal de Contas da União. Para a vaga de José Múcio Monteiro, ele escolheu o ministro da Secretaria Geral, Jorge Oliveira. 

A declaração gerou reações no Twitter.

@EstevaoSlowP

Se não tem mais investigação, acabou a corrupção!

Se não tem fiscalização ambiental, acabou o desmatamento!

Se não tem mais dados de mortes por Covid, acabou a Pandemia!

Feche os olhos e acredite, pois garantimos que a culpa sempre será dos outros! o/

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@cafenobully

não tem corrupção se ninguém investigar

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@ViiPereiraSCCP

É aquele ditado, o que os olhos não vêem, o coração não sente, só a sociedade...

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A Operação Lava Jato está em andamento há mais de 6 anos no País. Seu principal trunfo foi desvendar um complexo esquema de corrupção envolvendo a Petrobras, com ramificações em diversos setores e desdobramentos que atingiram centenas de alvos, incluindo empreiteiras, políticos, doleiros.

“Não tenho dado motivo para a PF ir atrás dos meus ministros”, diz Bolsonaro.


O presidente Jair Bolsonaro em cerimônia de formação de servidores da Polícia Federal, em Brasília

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta 5ª feira (8.out.2020) que “não tem dado motivo” para a PF (Polícia Federal) ir atrás dos ministros de seu governo.

“Eu não tenho dado motivo para a Policia Federal ir atras dos seus ministros, diferentemente do que acontecia no passado”, disse em referência aos governos do PT. “Não é 1 compromisso verbal ou de campanha. Vem se comprovando na prática essa forma de trabalhar”, disse em discurso durante solenidade de encerramento do curso de formação de agentes, escrivões e papiloscopistas federais, em Brasília (DF).

A declaração do presidente vem 1 dia depois de ele afirmar, em cerimônia no Planalto, que acabou com a Lava Jato porque “não tem mais corrupção” em seu governo, dando a entender que a operação Lava Jato não faria sentido em seu mandato.

“Nós temos o compromisso do combate à corrupção. Tenho colaborado com a PF, ajudando. De que forma? Do lado. Bastante aos escolher ministros não por critérios políticos, não por apadrinhamentos, mas por critérios de competência. Como temos o ministro da Justiça, André Mendonça. Me desculpem, mas muito, mas muito melhor do que o outro que nos deixou há pouco tempo”, afirmou, em crítica oblíqua ao ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, que deixou o cargo em 24 de abril.

Nesta 5ª feira (8.out), o plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) deve analisar a possibilidade de Bolsonaro prestar depoimento por escrito à Polícia Federal em inquérito que investiga suposta interferência na própria corporação. O presidente, no entanto, não mencionou a investigação ou sobre o julgamento durante a solenidade.

Bolsonaro afirmou ainda que as ações da PF contra corrupção ajudaram na mudança do “status quo” da política brasileira e também em sua vitória, na eleição presidencial de 2018.

O presidente disse que é “prova viva” do trabalho dos agentes federais, tanto no que diz respeito ao combate à corrupção, como no trabalho de planejamento de segurança, que, segundo ele, foi responsável por salvar sua vida, em Juiz de Fora (MG), quando sofreu 1 atentado a faca durante a campanha presidencial.



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