terça-feira, novembro 24, 2020

POLÍTICA

 Eleições de 2020 são trampolim para avanço do PSOL na esquerda brasileira.



Para cientista político, PSOL consegue ocupar lugar de renovação – espaço deixado em aberto pelo PT, que não conseguiu firmar processo de transformação.

A arrancada que fez Guilherme Boulos chegar ao segundo turno na disputa pela prefeitura de São Paulo é o movimento mais simbólico do avanço que as eleições deste ano representaram para o PSOL rumo ao protagonismo na esquerda brasileira. Além de Boulos deixar para trás (em sexto lugar, mais especificamente) o PT no primeiro turno na capital paulista, o número de vereadores eleitos pelo partido nas capitais cresceu 50%, e aumentou 66% em todo o Brasil, segundo levantamento do próprio PSOL.

Só em São Paulo, a sigla elegeu 6 vereadores, o triplo do última eleição, realizada em 2016, alcançando assim a 3ª maior bancada da Câmara Municipal da maior cidade do País, ficando atrás apenas de PT e PSDB (com oito cadeiras cada um), que perderam espaço: em 2016, o PSDB tinha 11 vereadores, e o PT, 9.
Líderes de partidos e especialistas ouvidos pelo HuffPost Brasil explicam que o que foi visto como protagonismo do PSOL nestas eleições não representou apenas um crescimento do partido na região paulista, mas sinaliza uma possível decadência do PT como a sigla hegemônica da esquerda na região.

“Há algo ainda mais profundo aí, de que o PSOL consegue ocupar um espaço que o PT deixou. Hoje [o PT] é um partido ’esclerosado’, que não consegue ter um processo de transformação”, afirmou Cláudio Couto, professor de ciência política da FGV (Fundação Getúlio Vargas), ao HuffPost. 

O PSOL surgiu em 2004 e foi criado por ex-membros do PT que divergiam de orientações do partido, como Luciana Genro. Líder do movimento sem-teto, Boulos se filiou ao partido em 2018, quando foi candidato à Presidência da República pela legenda – o que gerou certa divergência, por ele alcançar o patamar de principal nome, em detrimento de outros com mais história. 

Como candidato a prefeito, Boulos teve 20% dos votos, de pouco mais de um milhão de eleitores na capital paulista no último domingo. Algo considerado significativo, já que sua campanha tinha menos recursos financeiros e apenas 17 segundos no horário eleitoral gratuito. O atual prefeito, Bruno Covas (PSDB), que ficou em primeiro lugar e com quem o psolista disputará o segundo turno, por exemplo, tinha 3 minutos.

Já o nome escolhido pelo PT para disputar a prefeitura neste ano, Jilmar Tatto, recebeu 8% dos votos, o pior desempenho do partido na história na capital. Tatto obteve, no total, 460 mil votos, o que o colocou atrás de Covas, Boulos, Márcio França (PSB), Celso Russomanno (Republicanos) e Arthur do Val Mamãe Falei (Patriota).


O candidato a prefeito de São Paulo pelo PSOL, Guilherme Boulos, faz o sinal de vitória durante um comício no centro de São Paulo, em 18 de novembro.
Segundo o especialista, o resultado nas urnas tem forte relação com o desgaste do PT em São Paulo, que investiu em um candidato com “pouca estratégia de ampliação”. 

“Com uma imagem desgastada e em um ano de pandemia, a estratégia poderia ter sido outra, como o Alexandre Padilha, por exemplo, que é médico e ex-ministro da Saúde”, analisa Couto. “Mas o PT optou por lançar alguém do quadro da máquina partidária. Por outro lado, o PSOL se comunicou muito bem com a juventude. Para o PT, foi uma soma de escolhas erradas neste momento.”

Antes, a pior marca do partido tinha sido os 16,7% de Fernando Haddad, quando disputou a reeleição em 2016, no contexto do impeachment de Dilma Rousseff e da Operação Lava Jato. Haddad perdeu no 1º turno para João Doria (PSDB).

Por outro lado, vereadores eleitos pelo partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva são experientes e conhecidos do grande público. Um exemplo é Eduardo Suplicy, que vai para seu terceiro mandato e foi o vereador mais votado do País, com quase 170 mil votos. 

Apesar do bom desempenho do PSOL, a ponderação é feita também por Couto: “O PSOL subiu, mas continua sendo um partido pequeno”. 

No primeiro turno, foram eleitos 179 prefeitos do PT e apenas quatro do PSOL. Entre os vereadores, o PT elegeu 2.665 nomes, contra 89 do PSOL. Entre os outros partidos que se destacam na esquerda, o PDT (Partido Democrático Trabalhista), conquistou 311 prefeituras e elegeu 3.448 vereadores. 

Após a apuração das urnas, no dia 15, Tatto publicou nas redes sociais uma mensagem parabenizando Boulos pelo resultado no primeiro turno da votação e declarou seu apoio a ele, o chamando de “irmão mais novo”. 

“Acabei de ligar para Guilherme Boulos, a quem tenho como um irmão mais novo. Desejei sorte e disse que ele pode contar comigo e com a nossa valente militância para virar o jogo em São Paulo”, escreveu Tatto no Twitter.


O candidato a prefeito de São Paulo pelo PSOL, Guilherme Boulos (ao centro), conversa com os candidatos derrotados Jilmar Tatto (à direita) do PT e Orlando Silva, do PCdoB, durante comício de campanha em São Paulo.
Já o ex-prefeito Fernando Haddad, sem citar nomes, escreveu no Twitter que Boulos tem o apoio de “todas as forças que prestam”. “Hoje, Boulos conta com o apoio de todas as forças que prestam em SP. A cidade pode reencontrar o caminho da modernidade e deixar a mediocridade dessa gestão para trás. As pesquisas mostram que é possível! Chega de Tucanistão!”. 

O resultado visto nas urnas já era apontado pelas pesquisas de intenção de voto, que mostravam descolamento significativo de Boulos em relação a Márcio França (PSB) e Celso Russomanno (Republicanos). Ele vinha aparecendo tecnicamente empatado com os dois candidatos, segundo o Ibope. 

Ainda assim, pesquisa Datafolha realizada no final de outubro indicava que Boulos não era conhecido por quatro em cada dez eleitores paulistanos. Atualmente, o levantamento para o segundo turno aponta Covas com 48% e Boulos com 35%.

Jovens eleitores e pautas identitárias no foco

De forma geral, o perfil dos candidatos eleitos vereadores pela sigla é estreante e com perfil diverso. Em São Paulo, o partido elegeu Erika Hilton, a primeira mulher trans e negra da Câmara.

Ainda na capital, a vereadora Luana Alves foi eleita, além de dois mandatos coletivos: a Bancada Feminista, capitaneada por Silvia Ferraro, e o Quilombo Periférico, formado por homens e mulheres negros de bairros dos extremos da capital paulista.

Em outras capitais, também houve desempenho significativo. Tarcísio Motta foi o vereador mais votado do Rio de Janeiro, com 86 mil, superando o título de Carlos Bolsonaro, que tinha obtido mais votos nas eleições anteriores. Além do caso de Edmilson Rodrigues, em Belém (PA), que foi para o segundo turno na disputa pela prefeitura e segue com favoritismo nas pesquisas de intenção de voto.

“Entendemos que parte da sociedade está buscando uma esquerda combativa, mas capaz de dialogar e construir maioria. O PSOL tem um projeto próprio para a esquerda brasileira, que não é o projeto do PT, do PDT, da Rede ou do PCdoB. Estamos conectados com a nova esquerda mundial. O resultado em São Paulo também é reflexo desse movimento”, diz Juliano Medeiros, presidente da sigla. 

Para especialistas e membros do partido, essa proximidade com a juventude  que trouxe resultados propositivos em São Paulo se deve, também, à maneira como que o PSOL se posicionou durante momentos de efervescência política na cidade, como nos protestos de 2013, nas ocupações das escolas em 2015, nas manifestações feministas durante as eleições de 2018.

″[Existe] a construção de um projeto de anos, e não somente desta eleição.O eleitor que se identifica como progressista, democrático ou de esquerda passou a ver o PSOL como alternativa eleitoral viável. Nossas posições hoje são consideradas e valorizadas no debate público”, afirmou Medeiros ao HuffPost. 

Um dos coletivos de jovens do partido é o Juntos, que congrega milhares de pessoas em pelo menos 25 Estados do País. Deputadas federais como Fernanda Melchionna, Sâmia Bomfim e a deputada estadual Isa Penna fizeram parte do grupo antes mesmo de pleitearem um cargo na política institucional.

Embora as eleições municipais não sejam comparáveis às majoritárias, ao observar o desempenho dos partidos nas capitais neste ano, é possível avaliar um cenário para 2022, diz o professor da FGV.

“O que eu posso afirmar é que o PSOL chega a 2022 mais forte do que antes, como quem vai discutir de igual para igual, principalmente se ganhar em São Paulo, que é a maior cidade do País”, diz. “Se não vencer, já sai maior do que entrou.”

Nesta sexta-feira (20), em evento na capital paulista, Boulos lançou uma frente ampla democrática em defesa de sua candidatura à prefeitura, com os principais partidos de esquerda no País e seus representantes locais.

Segundo o Valor, no entanto, foi notada a ausência de nomes como os do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-ministro e ex-presidenciável Ciro Gomes (PDT), o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), e a ex-senadora Marina Silva (Rede).

Especialistas ouvidos pelo HuffPost afirmam que um dos desafios para o PSOL neste segundo turno será conquistar outros setores da capital paulista e vencer em bairros periféricos, onde o PT tinha votação expressiva. Os números apontam que Covas venceu em todas as zonas eleitorais da cidade.

Pesquisa Ibope divulgada no dia 18 de novembro, segundo o Estadão, aponta que Covas lidera a pesquisa em todas as faixas de renda. E, diferentemente dos petistas, Boulos não se mostra mais forte entre os mais pobres que entre os mais ricos.

A guinada ao “centro” e a permanência da “velha política”



Joice Hasselman (PSL), então deputada federal, ao lado do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM)
Mesmo com o destaque de alguns partidos, o cenário não é propício para partidos com orientação à esquerda. “Você tem casos importantes, do ponto de vista simbólico e votação. Mas não dá para dizer que esta foi uma boa eleição para a esquerda”, analisa o professor da FGV. 

Com a queda da popularidade do presidente Bolsonaro, maior ícone da reorganização de forças, eleito em 2018, e os impactos da pandemia de coronavírus, o que se viu nas eleições municipais deste ano foi um retorno ao centro e fortalecimento de nomes tradicionais da velha política.

Como o HuffPost vem noticiando, para além do protagonismo do PSOL na esquerda, considerando apenas as capitais, o primeiro turno teve como destaque o índice de reeleições — 6 de 13 candidatos já estão eleitos, outros 6 vão ao segundo turno —, além do fortalecimento de partidos como DEM e do PSDB.

Embora não seja recomendado comparar as eleições municipais com as majoritárias porque este é um pleito local, há uma ressalva por causa da expectativa criada com a prevalência de novatos na eleição anterior.

O cenário atual é praticamente oposto do que ocorreu em 2018, quando houve uma ascensão meteórica da chamada “nova direita”, puxada especialmente pelo fenômeno PSL, partido pelo qual Bolsonaro se elegeu.

A sigla, que em 2018 cresceu mais de 500%, fez a segunda maior bancada na Câmara e elegeu 3 governadores na esteira do bolsonarismo, não levou nenhuma capital.

Estrela do partido na eleição majoritária, a candidata à Prefeitura de São Paulo, Joice Hasselmann, teve 3 vezes menos votos do que conseguiu na eleição passada quando foi eleita deputada federal. Há dois anos, ela teve mais de 1 milhão de votos, sendo 289 mil na capital paulista. Neste ano, teve 98 mil.

Um dos destaques também ficou por conta de Carlos Bolsonaro (Republicanos), filho do presidente, que foi reeleito vereador no Rio de Janeiro, mas perdeu o posto de mais votado. Ele teve 71 mil votos, uma redução de 34% na comparação com 2016, quando liderou a corrida com 106 mil votos. 

Bolsonaro muda perfil técnico da cúpula da Anvisa para militar e ideológico.



Na próxima troca, militar bolsonarista irá substituir farmacêutica, cujo mandato acaba em dezembro; Agência será responsável por aprovar registro de vacinas contra covid.

A exemplo do que ocorre no Ministério da Saúde durante a pandemia, a cúpula da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) também tem gradativamente seu perfil mudado pelo governo de Jair Bolsonaro, com uma substituição de técnicos por militares. A próxima mudança na agência do governo federal responsável pelo registro da futura vacina contra covid-19 será a efetivação do tenente-coronel Jorge Luiz Kormann no lugar da farmacêutica Alessandra Bastos Soares.

O mandato de Soares acaba em 19 de dezembro. A indicação de Kormann precisa ser aprovada pelo Senado. Ainda não há data para a sabatina e para a votação, que deve aprovar o nome escolhido por Bolsonaro.

Um despacho com a indicação foi publicado em 12 de novembro. Em outubro, o presidente havia indicado Roberto Ferreira Dias para o lugar de Soares, mas a indicação foi cancelada após a divulgação de informações de que Ferreira Dias estaria envolvido em irregularidades no Ministério da Saúde.

De acordo com reportagem do jornal O Estado de São Paulo, o diretor do Departamento de Logística em Saúde da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde assinou um contrato de R$ 133,2 milhões suspeito de irregularidades. O Tribunal de Contas da União (TCU) questiona pontos como um pedido de reconsideração da contratação, feito por outra empresa concorrente.

O contrato com a empresa Life Technologies Brasil Comércio e Indústria de Produtos para Biotecnologia Ltda, para a compra de 10 milhões de kits de materiais utilizados em testes de covid-19 foi assinado em 21 de agosto. Dias foi nomeado na gestão de Luiz Mandetta, por indicação do ex-deputado do DEM Abelardo Lupion.

O novo militar bolsonarista

Kormann também vem do Ministério da Saúde. O tenente-coronel foi nomeado em maio, ainda no mandato de Nelson Teich na pasta, como diretor.  Em junho, passou a atuar como secretário-executivo adjunto.

Formado em ciências militares pela Academia Militar de Agulhas Negras, Kormann tem mestrado em ciências militares e especialização na área de gestão e administração de empresas, segundo informações da plataforma Lattes. No currículo, ele também afirma ter sido assessor de gestão e planejamento estratégico no Hospital Militar de Área de Porto Alegre.

No Twitter, o militar endossa mensagens contrárias à Organização Mundial da Saúde (OMS) e críticas à Coronavac, candidata à vacina desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo. Nos últimos meses, o governador João Doria e o Bolsonaro têm travado conflitos em torno do imunizante. 


Cabe à Anvisa liberar o registro da vacina para que ela possa ser distribuída quando a eficácia for comprovada. 
Cabe à Anvisa liberar o registro do produto para que possa ser distribuído quando a eficácia for comprovada. A gerência a cargo de medicamentos e vacinas é atualmente comanda por Alessandra Bastos Soares, mas a Anvisa afirma que a análise é feita por comitês técnicos. Também é comum haver uma redistribuição das áreas após a posse de diretores.

Nas redes sociais, Kormann mostra ainda apoio a publicações do escritor Olavo de Carvalho, ídolo bolsonarista. De acordo com o Jornal Nacional, o militar enviou em junho um vídeo do empresário Luciano Hang para um grupo de servidores do ministério em que Hang questiona informações do próprio Ministério da Saúde sobre as mortes provocadas pela covid-19. 

Quem é Alessandra Bastos Soares

Na sabatina na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, em novembro de 2017,  um dos pontos questionados sobre a indicação de Soares foi sua falta de experiência de gestão na área pública. Na época, a indicada no governo de Michel Temer afirmou que tinha o intuito de “ventilar o olhar da Agência, uma leitura mais ágil nos procedimentos, principalmente daqueles que requerem mais celeridade neste momento”, mas sem comprometer a segurança.

Nos 20 anos de carreira, Soares atuou dentro de hospitais públicos e privados, trabalhando para planos de saúde e empresas que comercializam medicamentos e produtos. A diretora é graduada pela Universidade Metodista de Piracicaba e trabalho em empresas como Gross, Promédica Produtos Hospitalares, Leister Comércio e Importação de Produtos Hospitalares e Nutoth Pharma Indústria e Comércio. 

Em entrevista ao ICTQ (Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico), Soares comentou o fato de ser a primeira diretora da Agência que veio do setor privado. “Eu me sinto, sim, uma farmacêutica de sucesso, por conseguir ver esse sonho de criar esta interface dentro da nossa Agência. Isso é maravilhoso”, disse.

Antes de trabalhar na Anvisa, a farmacêutica atuou no “controle de qualidade, estabilidade dentro das fábricas” e “em logística, com alguns produtos de uso hospitalar - que eram kits para diagnóstico, biologia molecular”. 

Em 2019, Soares tomou posse como diretora de Coordenação e Articulação do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária dentro da Anvisa. O diretor-presidente da agência na época, Jarbas Barbosa, ressaltou a importância da representatividade na cúpula da instituição. “Quando a gente olha aquela parede dos diretores da Agência, a gente observa apenas duas fotos de mulheres penduradas, e eu não acredito que efetivamente nós não tenhamos mulheres com qualificação técnica, como a Alessandra, com representatividade, capazes de serem membros da Diretoria Colegiada”, disse. 

Os outros diretores da Anvisa

Além da vaga de Soares, que deverá ser ocupada por Kormann, a cúpula da Anvisa é composta por outros 3 diretores. O presidente é Antonio Barra Torres, também militar. Ele ingressou na Marinha em 1987 e chegou ao posto de contra-almirante, o terceiro mais alto da corporação, em 2015. Foi diretor do Centro de Perícias Médicas da Marinha e do Centro Médico Assistencial da Marinha.

Formado pela Escola de Medicina da Fundação Técnico-Educacional Souza Marques, no Rio de Janeiro, Torres fez residência médica em Cirurgia Vascular no Hospital Naval Marcílio Dias e curso de gestão em saúde no Instituto Coppead de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele também foi instrutor na Santa Casa de Misericórdia do Rio.


Em março, Antonio Barra Torres compareceu a um ato de apoiadores do governo ao lado do presidente no Palácio do Planalto.
Na sabatina na Comissão de Assuntos Sociais, em julho 2019, Barra Torres disse ser contrário a uma ampla liberação do uso medicinal da Cannabis. “Na medida em que os estudos vão sendo aprofundados, a aplicação [médica] poderia ser autorizada. Me causaria preocupação uma autorização geral para [a Cannabis sativa] ser plantada, pois não seria possível fiscalizar”, disse.

O militar se mostrou alinhado a Bolsonaro no início da pandemia, sobre o isolamento social. Em março, compareceu a um ato de apoiadores do governo ao lado do presidente no Palácio do Planalto. Recentemente, ele tem negado atuação política da Anvisa. No episódio mais recente, a agência interrompeu os testes da Coronavac após a morte de um dos voluntários. A pesquisa foi retomada após ficar esclarecido que o óbito não tinha relação com o imunizante. 

Junto a Barra Torres, está Alex Machado Campos, Cristiane Rose Jourdan Gomes e Meiruze Freitas. Todos nomes foram aprovados pelo Senado em outubro. 

Formado em Direito pela Universidade Católica de Pernambuco, servidor efetivo da Câmara dos deputados e ex-chefe de gabinete de Mandetta, Alex Machado Campos é apontado como uma indicação do chamado centrão, bloco alinhado ao governo. 

Já Cristiane Rose Jourdan Gomes é endocrinologista e graduada em direito. Foi diretora do Hospital Federal de Bonsucesso, no Rio de Janeiro. Nas redes sociais, há publicações críticas à imprensa, ao movimento Antifas e ao Supremo Tribunal Federal. Ela também tem publicado links para artigos em defesa do uso da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19. Não há comprovação científica da eficácia do medicamento para combater  o novo coronavírus. 

O perfil de Meiruze Freitas destoa dos colegas. É a única servidora de carreira da Anvisa aprovada como diretora. Formada em farmácia com especialização em tecnologia farmacêutica, Freitas atua na agência desde 2007. Ela já foi diretora-adjunta e, desde abril deste ano, atua como diretora substituta.

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