sexta-feira, dezembro 11, 2020

DIREITOS

 Balcão de negócios: Bolsonaro usará Ministério do Turismo para comprar votos para eleição de Lira.



Em sua carta de despedida aos colegas de ministério, Álvaro Antônio falou explicitamente da compra de apoio no congresso, relatando que governo "paga um preço nunca visto antes na história"

Já programada nos bastidores do Planalto em uma reforma ministerial, a demissão antecipada de Marcelo Álvaro Antônio após a briga com Luiz Ramos, ministro da Secretaria de Governo, caiu como uma luva para os planos de Jair Bolsonaro, que deve usar o cargo – e todos os demais que ficarão vagos com a exoneração – no balcão de negócios para compra de votos para eleger Arthur Lira (PP-AL) presidente da Câmara.
Em sua carta de despedida aos colegas de ministério, Álvaro Antônio falou explicitamente da compra de apoio no congresso, articulado por Luiz Ramos.

“Ministro Ramos, o Sr entra na sala do PR comemorando algumas aprovações insignificantes no Congresso, mas não diz o ALTÍSSIMO PREÇO que tem custado, conheço de parlamento, o nosso governo paga um preço de aprovações de matérias NUNCA VISTO ANTES NA HISTÓRIA, e ainda assim (na minha avaliação), não temos uma base sólida no Congresso Nacional, (tanto que o Sr pede minha cabeça pra tentar resolver as eleições do parlamento, ironia, pede minha cabeça pra suprir sua própria deficiência)”, escreveu o agora ex-ministro.

Lira confirmou nesta quarta-feira (9) sua candidatura e deu início ao balcão de negócios.

A estratégia montada é Lira angariar apoio de partidos de centro-esquerda, colocando-se como candidato “independente”, enquanto Bolsonaro e governistas negociam a compra de votos na direita e centro direita, com cargos e cerca de R$ 6 bilhões de crédito extraordinário em emendas parlamentares, alocadas em oito ministérios.

A negociata inclui ainda os cargos no Ministério do Turismo, fato que foi escancarado por Marcelo Álvaro Antônio em sua saída do governo.

Empresa contratada pelo Governo atua de graça para filho de Bolsonaro.



A produtora Astronautas Filmes, que presta serviços ao Governo Federal, realizou de graça, em outubro deste ano, a cobertura com fotos e vídeos da festa de inauguração de uma empresa de Jair Renan Bolsonaro, o filho 04 do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). As informações são de reportagem da Folha.

Somente em 2020, a produtora de conteúdo digital e comunicação corporativa recebeu do governo Bolsonaro R$ 1,4 milhão. A cerimônia de inauguração da empresa de Jair Renan aconteceu no camarote 311 do estádio Mané Garrincha, em Brasília, onde fica a sede da Bolsonaro Jr Eventos e Mídia.

No instagram da empresa de Jair Renan há um vídeo com os melhores momentos da festa de lançamento produzido pela Astronautas. No site da produtora, o Governo Federal aparece como principal destaque na carteira de clientes da empresa.

Entre os trabalhos realizados pela Astronautas Filmes para o governo estão três peças produzidas para o Ministério da Saúde, a um custo de R$ 642 mil, segundo a pasta informou à Folha, sendo dois vídeos com o tema Covid-19 e um sobre multivacinação.

Outros três vídeos publicitários foram produzidos para o Ministério da Educação, negociados por R$ 729,9 mil, segundo informou a pasta à reportagem da Folha.

Os vídeos são sobre a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas, Enem Enquete e Política Nacional de Educação Especial. Segundo o MEC, a produtora foi contratada por meio da agência de publicidade que atende a pasta, a Escala City.

Além desses, a Astronautas também produziu vídeos para o Ministério do Turismo e para o programa Pátria Voluntária, coordenado pela primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e vinculado à Casa Civil. Os órgãos não informaram os valores gastos nas produções.

Procurado pela reportagem, o empresário Frederico Borges de Paiva, proprietário da Astronautas, admitiu que realizou serviços para a empresa de Jair Renan, mas não informou quanto gastou com o evento do filho do presidente. “Trocamos por permuta pela divulgação das nossas marcas, assim como fazemos com diversos outros projetos”, disse Paiva.

A empresa também se recusou a informar para a reportagem o total de valores recebidos do governo federal. “Entendemos não ter qualquer obrigação de revelar a este veículo de comunicação informações de cunho administrativo e financeiro referente à relação profissional que temos com outras agências, sob qualquer formato”, disse o empresário.

A inauguração da Bolsonaro Jr foi realizada junto com outro projeto, chamado MOB Fit, de propriedade do ex-personal trainer de Jair Renan e subsecretário de Programas e Incentivos Econômicos do Distrito Federal, Allan de Lucena.

A Astronautas se manifestou em nota, dizendo que a empresa é constituída há quase 11 anos, “com destaque em meio corporativo privado, não sendo o foco de nosso trabalho a participação em licitações ou terceirizações de serviços”.

O Planalto foi questionado pela reportagem através da Secretaria de Comunicação da Presidência, mas não respondeu sobre a relação entre a produtora que prestou serviços gratuitos à empresa de Jair Renan e os trabalhos realizados para o governo. E informou que “a Secretaria Especial de Comunicação Social não tem contrato com a referida empresa”.

A Bolsonaro Jr ainda não possui site, mas foi procurada pela reportagem pelo e-mail cadastrado na Receita Federal, brasileiropressor@gmail.com, mas também não foi dada qualquer resposta.

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