sexta-feira, dezembro 25, 2020

POLÍTICA

 Grupo de Maia lança Baleia Rossi, do MDB, contra candidato de Bolsonaro na Câmara.


O deputado federal Baleia Rossi (MDB) e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia

BRASÍLIA – Onze partidos anunciaram nesta quarta-feira, 23, uma aliança para tentar derrotar o presidente Jair Bolsonaro e indicaram o deputado Baleia Rossi (SP) como candidato ao comando da Câmara. Formado pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o bloco parlamentar reúne siglas de centro, centro-direita e de esquerda, que se uniram para enfrentar o deputado Arthur Lira (Progressistas-AL), líder do Centrão e nome apoiado por Bolsonaro.

A eleição que renovará a cúpula do Congresso ocorrerá em 1.º de fevereiro de 2021 e é vista como o primeiro passo de um embate com Bolsonaro, que pretende disputar a reeleição em 2022. Para o grupo de Maia, impedir a vitória de Lira na Câmara significa derrotar o presidente.

“Uma vitória do candidato do Bolsonaro o recoloca no processo político”, avaliou o presidente da Câmara, em entrevista ao Estadão. Nos últimos meses, Bolsonaro contabilizou 12 derrotas. As mais recentes se referem ao mau desempenho de candidatos bolsonaristas nas eleições municipais e à vitória de Joe Biden nos EUA, tirando de cena seu aliado Donald Trump, sem contar o fato de o Supremo Tribunal Federal ter decidido que a vacina contra covid-19 deve ser obrigatória.
O discurso para a aliança que lançou Baleia Rossi é o da defesa da independência da Câmara, em contraposição ao que o bloco chama de “agenda retrógrada” do Palácio do Planalto. Na tentativa de demonstrar unidade, Maia anunciou a escolha do deputado e presidente do MDB ladeado tanto pelo candidato como pelo líder da Maioria, Aguinaldo Ribeiro (Progressistas-PB), que também estava cotado para a vaga. “Tenho certeza de que Ulysses Guimarães estaria feliz com esse ato que o MDB faz”, afirmou Baleia Rossi, numa referência ao então deputado que presidiu a Assembleia Nacional Constituinte e ganhou o apelido de “Senhor Diretas”.

Estão no grupo de Maia partidos com ideologias opostas, como PT e PSL – sigla que lançou Bolsonaro, em 2018 – DEM, MDB, PSDB, Cidadania, PV, PSB, PDT, PC do B e Rede. Todas essas legendas representam 281 deputados. Na outra ponta, o bloco de Lira, líder do Centrão, tem o aval de dez partidos (Progressistas, PL, Republicanos, PSD, Solidariedade, PTB, Pros, PSC, Avante e Patriota), que somam 203 parlamentares. Para ser eleito, o candidato precisa ter o apoio de 257 dos 513 deputados.

PT ameaçou vetar Baleia Rossi

Dono da maior bancada, com 54 integrantes, o PT ameaçou vetar Baleia Rossi – autor da proposta de emenda à Constituição que prevê a reforma tributária – porque uma ala expressiva preferia se aliar a Aguinaldo. Em reunião realizada nesta quarta, porém, os petistas voltaram atrás. O argumento dos que não queriam fechar com o emedebista era o de que ele ajudou a articular o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, e continua muito próximo ao ex-presidente Michel Temer. Aguinaldo Ribeiro, no entanto, foi ministro das Cidades de Dilma e também votou por sua deposição. Além disso, nas últimas eleições, o PT e o MDB fizeram dobradinhas em várias cidades.

No início da reunião, o líder da bancada do PT avisou os colegas ter sido informado por Maia de que Aguinaldo havia desistido da candidatura em favor de Rossi. “Agradeço o apoio que recebi de vários partidos, da esquerda e do PT, para construir unidade. Abri mão da minha pré-candidatura para que, dando um passo atrás, o Brasil possa dar um passo à frente”, afirmou.

Em campanha, Baleia Rossi viajou nesta quarta para Pernambuco, onde iria se encontrar com o governador Paulo Câmara, do PSB. Na segunda-feira, o candidato vai se reunir com dirigentes dos partidos de esquerda que compõem o bloco, incluindo o PT.

A disputa pela presidência da Câmara ganha cada vez mais relevância porque cabe ao ocupante desse cargo definir a pauta de votações, com assuntos de interesse nacional, e até segurar ou dar andamento a ações de impeachment contra o presidente. Bolsonaro, por exemplo, é alvo de mais de 50 pedidos desse tipo.

A disputa no Senado

O movimento por uma “solução casada”, na Câmara e no Senado, para partidos que tentam se apresentar como contraponto a Bolsonaro também pesou para a opção por Baleia Rossi. Desde que o STF barrou a possibilidade de reeleição de Maia e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), no último dia 6, a cúpula do DEM intensificou as negociações.

A ideia é formar uma aliança que mantenha o partido no comando de uma Casa e lhe dê protagonismo na montagem de uma frente de centro-direita, na eleição presidencial de 2022. No Senado, o candidato apoiado por Alcolumbre é Rodrigo Pacheco (MG), líder do DEM. Com a estratégia de avalizar um emedebista na Câmara, o DEM espera que o MDB respalde a campanha de Pacheco no Senado.

O problema é que a bancada do MDB – a maior do Senado, com 13 integrantes – decidiu apresentar chapa própria e tem quatro nomes para a cadeira de Alcolumbre. Os pré-candidatos Fernando Bezerra Coelho, Eduardo Gomes e Eduardo Braga são nomes bem vistos por Bolsonaro. O primeiro é líder do governo no Senado; o segundo, no Congresso e o terceiro, da bancada do MDB. A senadora Simone Tebet, por sua vez, corre por fora.

Para apoiar Baleia Rossi, oposição exige freio em privatizações e em pautas de costumes.



Banco Central e CPIs também estão entre as reivindicações de PT, PSB, PDT e PCdoB, segundo a CNN

Sem conseguir apresentar um pré-candidato para fazer frente ao deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP) dentro do blocão formado por Rodrigo Maia (DEM-RJ), os partidos de oposição costuram uma pauta de cinco compromissos fundamentais a serem assumidos pelo candidato em troca dos votos do campo progressista na disputa pela Mesa Diretora. Rossi foi confirmado como candidato nesta quarta-feira (23).

Segundo informações da jornalista Basília Rodrigues, da CNN Brasil, entre os pontos pleiteados está a paralisação de privatizações, a adoção de uma posição contrária à autonomia do Banco Central e o freio em propostas da chamada “pauta de costumes”.

Esses três pontos contrariam diretamente a agenda do presidente Jair Bolsonaro e de Paulo Guedes. O ministro da Economia tem como plano privatizar os Correios e a Eletrobras em 2021.

Também estariam entre as reivindicações: não dificultar a instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) que já possuam número suficiente de assinaturas e pautar decretos legislativos, o que pode derrubar medidas unilaterais de Bolsonaro.

Nota divulgada por PT, PSB, PDT e PCdoB na tarde desta quarta afirma que os partidos vão se reunir com Rossi na segunda-feira para acertarem detalhes do apoio.

“Nossos partidos continuarão buscando unidade na ação para garantir a defesa da democracia, a independência do Poder Legislativo, a derrota do autoritarismo e do obscurantismo e a proteção dos direitos do povo brasileiro”, disseram em nota.

O PT, que seria o mais resistente ao presidente do MDB, disse que irá atuar em conjunto com os demais partidos.

Bolsonaro quebra silêncio sobre Crivella e fala em “perseguição a quem está a seu lado”.



O presidente evitou de comentar sobre a prisão do aliado na terça-feira

O presidente Jair Bolsonaro decidiu romper o silêncio sobre a prisão do prefeito Marcelo Crivella, seu aliado, nesta quarta-feira (23), durante conversa com apoiadores em São Francisco do Sul (SC). O presidente está de férias em Santa Catarina.

“Prenderam o Crivella no Rio, não vou entrar no mérito, mas já vincularam a mim, porque eu apoiei o Crivella. Sim, apoiei. O MP do Rio é uma festa lá, nunca apuraram nada, mas politicamente sempre apuram alguma coisa”, disse o presidente.

O mandatário ainda atacou a imprensa e disse que estão “o tempo todo perseguindo quem está do meu lado, parente, amigo, reviraram minha vida de perna pro ar”.

Na terça, Bolsonaro evitou em falar sobre a prisão do aliado – que agora ficará em domiciliária.

Em nova declaração absurda, Bolsonaro diz que coronavírus é “a melhor vacina”.



Em nova aglomeração promovida na tarde desta quarta-feira (23), o presidente Jair Bolsonaro desdenhou de um gesto de um apoiador que havia lhe entregado uma máscara de proteção. O mandatário se nega a utilizar o item, essencial diante da pandemia do novo coronavírus.

“Eu não uso, mas tudo bem”, disse. “Eu tive a melhor vacina, foi o vírus”, completou.

Além de ignorar os casos de reinfecção, a declaração do mandatário reforça as investidas que ele tem realizado contra a vacinação. Na última semana, ele chegou a dizer que uma pessoa poderia “virar um jacaré” caso se vacinasse com o imunizante da Pfizer.

O Brasil deve chegar à triste marca das 190 mil mortes provocadas pela Covid-19 entre quinta-feira e sexta-feira, véspera e dia de natal. 961 brasileiros perderam a vida nas últimas 24h.

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