sexta-feira, janeiro 15, 2021

DIREITOS

 Bolsonaro tentou sabotar combate à covid-19, diz Human Rights Watch.



**(Veja também abaixo: “Masculinistas”: o grupo terrorista que invadiu o Capitólio.)**


A Human Rights Watch divulgou nesta quarta, 13, a nova edição de seu relatório anual sobre a situação dos direitos humanos, analisando mais de cem países. No capítulo sobre o Brasil, a organização afirma que o presidente Jair Bolsonaro tentou sabotar os esforços para desacelerar a disseminação da covid-19 no Brasil em 2020 e tomou medidas que prejudicam diretamente os direitos humanos.

Com 761 páginas, o relatório ressalta que Bolsonaro minimizou a covid-19, chamando-a de "gripezinha" e disseminou informações incorretas, entre outras violações aos direitos humanos. "O governo Bolsonaro promoveu políticas contrárias aos direitos das mulheres e das pessoas com deficiência, enfraqueceu a aplicação da lei ambiental e deu sinal verde às redes criminosas que operam no desmatamento ilegal da Amazônia", afirma a organização no documento.
De acordo com a Human Rights Watch, o papel das instituições nacionais para conter os retrocessos promovidos pelo presidente foi essencial. "O Supremo Tribunal Federal tomou decisões contra as tentativas da administração de Bolsonaro de retirar dos Estados a autoridade de restringir circulação de pessoas para conter a pandemia, de suspender a Lei de Acesso à Informação e de ocultar dados públicas sobre a pandemia", diz o relatório.

Na coletiva de apresentação do relatório, a organização destacou momentos em que as instituições democráticas responderam à política de Bolsonaro que a HRS classifica como "anti-direitos". Entre as respostas, além das decisões do STF, estão medicas como a determinação de obrigatoriedade de máscara em lojas e escolas feita pelo Congresso.

Para Anna Livia Arida, diretora da HRW no Brasil, Bolsonaro colocou a vida e a saúde dos brasileiros em "grande risco": "O STF e outras instituições ajudaram a proteger os brasileiros e barrar muitas, ainda que não todas, políticas anti-direitos de Bolsonaro. Eles precisam permanecer vigilantes".

EUA. A futura relação entre Bolsonaro e novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, foi citada na coletiva de apresentação do relatório da HRW. Diretor executivo da organização, Ken Roth afirmou que a posse de Biden vai impor dificuldades a Bolsonaro, que via o presidente Donald Trump como um aliado e com quem tinha discursos alinhados. "É um novo mundo, um novo ambiente político. Bolsonaro terá dificuldades", afirmou.

Imprensa. O relatório destacou ainda a atuação da imprensa independente no País durante a pandemia. "A mídia impressa e televisiva desempenhou papel importante ao continuar informando o público, proporcionando um fórum para debate público e checando os poderes do governo, apesar da estigmatização, bullying e ameaças de ação judicial contra jornalistas por parte da administração Bolsonaro".

Amazônia. Ainda que as instituições democráticas tenham tido um papel fundamental, algumas ações do governo Bolsonaro não puderam ser contidas e trouxeram resultados ruins, de acordo com o relatório, como a destruição, entre agosto de 2019 a julho de 2020, de cerca de 11 mil km² de floresta amazônica e o aumento de 16% nos incêndios na Amazônia em 2020.

"Ele culpa os povos indígenas, organizações não governamentais e moradores locais pela destruição, em vez de agir contra as redes criminosas que são a força motriz da ilegalidade da Amazônia", disse Arida.

“Masculinistas”: o grupo terrorista que invadiu o Capitólio.



Os seguidores das filosofias "masculinistas" até praticam sexo homossexual entre si pela devoção à estética masculina, mas não se consideram gays

Brasil e Estados Unidos vivem momentos similares: ambos são países onde acontecimentos bizarros se tornaram tão corriqueiros que parecem parte do rotina. Na última quarta-feira (06/01), terroristas invadiram o Capitólio, sede do Congresso norte-americano durante a validação da vitória do presidente eleito Joe Biden. 

Não bastasse a violação da segurança nacional, os criminosos causaram a morte de quatro pessoas. Uma leitura desatenta dos fatos poderia deixar passar desapercebidos detalhes que manifestam o caráter ameaçador do ato para além de si próprio. 

Isto porque, segundo a antropóloga brasileira Rosana Pinheiro-Guimarães, professora da Universidade de Bath, do Reino Unido, há mais por trás das imagens de homens tatuados e musculosos, vestidos de peles e chifres, pintados com as cores dos Estados Unidos do que uma estética pouco convencional. 

Pinheiro-Guimarães trabalha como pesquisadora e pesquisa a masculinidade e explica o chamado “tribalismo masculino”, ou “masculinismo”. “O princípio dos grupos tribalistas masculinos, ou masculinistas, é primeiro um ódio às mulheres, uma ideia de que as mulheres são objetos para reprodução humana simplesmente. Muitos dos grupos masculinistas norte-americanos defendem que as mulheres têm que ser caçadas, literalmente, e que nós só servimos para reprodução”, esclarece. 

Neste sentido, a estética é adotada como uma lembrança de tempos onde igualdade e direitos humanos não eram assuntos relevantes e prevaleciam de forma ainda mais opressora a masculinidade, a objetificação da mulher e a violência brutal contra o diferente. 

A “homenagem” pode se dar a diversos povos, como romanos, espartanos ou vinkings, por exemplo. Mas a reivindicação da virilidade, do direito à guerra e outras virtudes tidas por perdidas nas sociedades modernas é uma tônica nos seus pronunciamentos, além de corpos musculosos e tatuagens. 

Para a professora Pinheiro-Guimarães, é uma forma ainda pior do que o machismo como em ambientes de fundamentalismo religioso, pois não se trata apenas de subserviência da mulher, mas de verdadeira ojeriza ao feminino. 

Embora não sejam novidade, movimentos do gênero cresceram exponencialmente ao longo da gestão de Donald Trump na Casa Branca, seja em referências acadêmicas ou em fóruns e discussões online. 

Alt-Right (direita alternativa) e QAnon são alguns dos movimentos extremistas mais diluídos nos Estados Unidos. 

Organizados em grupos pela internet e presenciais, o intuito dos líderes dos criminosos é sempre o combate às tentativas de reduzir as injustiças sociais, como as lutas LGBTQIA+ e a ação Black Lives Matters. 

A pesquisadora ainda explica que, não coincidentemente, após a eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, o número de vídeos traduzidos para o português e protagonizados por brasileiros cresceu substancialmente, além de ameaças diretas à outras pesquisadoras do assunto, como a professora Debora Diniz (das universidades de Brasília e Brown, nos EUA). 

No topo de tudo isso, ainda existe Jack Donovan, escritor e principal estrela dos masculinistas, representante do extremismo sem limites do movimento. 

Donovan e seus seguidores praticam sexo homossexual entre si, mas não se consideram gays. Segundo os próprios, a motivação é a adoração e devoção à estética masculina, à virilidade e ao corpo do homem. Mesmo assim, para eles, a identidade gay ou afeminada se trata de um aberração e deve ser fortemente combatida. A defesa do ideal masculino, desta forma, não deveria ser confundida com a “fraqueza” de ser gay. 

Estes e outros comportamentos defendidos pelo grupo de terroristas lança séria questão sobre a importância dos debates sobre sexualidade e gênero na contemporaneidade, visto que o tom monocromático das ações de tais grupos extremistas acarreta numa crescente onda de violência – onde quer que estejam instalados.

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