sexta-feira, janeiro 29, 2021

POLÍTICA

Bolsonaro critica isolamento e diz que 'povo brasileiro é forte e não tem medo do perigo'.



SÃO PAULO E BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar as medidas de isolamento social como forma de conter a disseminação do novo coronavírus. Ele disse que o "povo brasileiro é forte e não tem medo do perigo". Segundo dados do consórcio de veículos de imprensa, o Brasil ultrapassou as 200 mil mortes pela covid-19.

Bolsonaro afirmou fazer um apelo aos governadores e ressaltou que, segundo ele, sem apresentar dados, "a política de fechar tudo e ficar em casa não deu certo". "Os mais vulneráveis são velhos e com comorbidades, o resto tem que trabalhar."

"Reformulem essa política e entendam cada vez mais que o isolamento, o lockdown, o confinamento nos leva para a miséria. Eu sempre disse, lá atrás, que a economia anda de mãos dadas com a vida. A vida sem recursos e sem emprego torna-se muito difícil", disse. Bolsonaro também comemorou dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) desta quinta-feira, 28, que apontam a criação de 142 mil vagas de trabalho com carteira assinada em 2020 no País.

Bolsonaro participa de inauguração de obras na região Nordeste

O presidente participou na manhã desta quinta-feira, 28, da inauguração de ponte da BR-101, que liga as cidades de Propriá (SE) a Porto Real do Colégio (AL). A cerimônia faz parte de série de viagens que ele e a comitiva fazem ao Nordeste para entrega de obras de infraestrutura. A construção da ponte teve início em junho de 2013 e foi concluída em setembro de 2016. Restava para a entrega o nivelamento das cabeceiras da pista,iniciado em 2019.

Acompanharam o presidente os ministros do Turismo, Gilson Machado, da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, o senador Fernando Collor (PROS) e o governador de Sergipe, Belivaldo Chagas (PSD).

Sem dar detalhes, o presidente também disse que o governo comprará qualquer vacina aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mais cedo, Gilson Machado havia dito que Bolsonaro foi "estrategista". Segundo o ministro, o presidente "só falou da vacina quando a Anvisa liberou". Entretanto, Bolsonaro já havia feito menções ao imunizante em transmissões ao vivo e em conversas com apoiadores onde questionou a eficácia da vacina e disse que não compraria o imunizante produzido pelo Instituto Butantan.

Bolsonaro desdenha de pedidos de impeachment e ataca a imprensa com palavrões.



BRASÍLIA (Reuters) - Em meio a um recrudescimento dos casos e mortes por Covid-19 no país, que já vitimou mais de 218 mil pessoas, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira que a pandemia do novo coronavírus "pode ser fabricada" e ainda desdenhou dos pedidos de abertura de impeachment de que é alvo na Câmara dos Deputados.

"Quis o destino que uma pandemia, que pode ser fabricada, nos atingiu no início do ano passado", disse em trecho de um vídeo que circulava nas redes sociais.

"Nós continuaremos nessa cadeira até o final de 2022, tenham certeza disso. Não adianta falar que tem 40 processos de impeachment, Roberto Jefferson (presidente do PTB, presente ao encontro), porque se juntar todos, não dá nada. Absolutamente nada. Propostos por partidos de esquerda como o PT, PCdoB e PSOL ou até mesmo a OAB não levam a lugar nenhum a não ser para causar transtorno e tentação na sociedade", complementou.

As declarações de Bolsonaro --gravadas em vídeo e que circulam nas redes sociais-- foram dadas em um almoço organizado por um grupo de cantores sertanejos. O evento foi fechado para a imprensa.

LEITE CONDENSADO

Outro vídeo mostra o presidente xingando a imprensa pelo que considera ataques que está sendo alvo por uma reportagem na véspera referente a gastos do governo com a compra de leite condensado.

"E quando eu vejo a imprensa me atacar, dizendo que eu comprei 2 milhões e meio de latas de leite condensado...", disse Bolsonaro, antes de completar com um palavrão, que arrancou aplausos dos presentes, entre eles o ministro das Relações Extereriores, Ernesto Araújo.

“Imprensa de m... essa daí, é para enfiar no rabo de vocês aí essa lata de leite condensado", afirmou.

Bolsonaro disse que a compra não é para a Presidência da República --na verdade, a própria reportagem sobre o assunto, divulgada pelo site Metrópoles, já dizia que era para todo o governo federal.

O Palácio do Planalto não se manifestou de imediato ao ser procurado para comentar as declarações do presidente.

 Depois de Mourão sinalizar demissão de Ernesto, Bolsonaro acena a ministro.

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, durante cerimônia de posse

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta 5ª feira (28.jan.2021) que o ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores) é criticado o tempo todo pelos “figurões da mídia”, mas que é o chanceler a autoridade do governo que faz “relações públicas” com o mundo todo.

“Sempre digo: se ministro meu for elogiado pela mídia, corre o risco de ser demitido. Sem querer generalizar a nossa mídia, temos bons jornalistas, mas os figurões da mídia o tempo todo criticam o nosso Ernesto Araújo, o nosso homem que faz a ligação, as relações públicas com o mundo todo”, disse o presidente, em evento que libera o tráfego da nova ponte sobre o Rio São Francisco, em Propriá (SE).

Nessa 4ª feira (27.jan), o vice-presidente Hamilton Mourão disse que o governo poderá trocar “alguns ministros” depois das eleições para a presidência da Câmara e do Senado, entre eles, o das Relações Exteriores. As declarações foram feitas em entrevista à Rádio Bandeirantes nessa 4ª feira (27.jan.2021).

“Eu acho, julgo, não tenho bola de cristal para isso, nem esse assunto foi discutido comigo, que em um futuro próximo, após essa questão das eleições dos novos presidentes das duas casas do Congresso, poderá ocorrer uma reorganização do governo para que seja acomodada a nova composição política que emergir desse processo“, falou. “Talvez alguns ministros sejam trocados, entre eles, o próprio Ministério das Relações Exteriores”.

Bolsonaro também voltou a reagir a reportagens que mostram o gasto de R$ 15 milhões da administração federal em 2020 com leite condensado. “Quando falam de leite condensado, não têm o que falar de mim, pô”, disse.

Na 4ª feira, o presidente atacou jornalistas durante almoço com artistas em um restaurante de Brasília. Disse que leite condensado “é pra enfiar no rabo” da imprensa.

Assista ao evento desta 5ª feira (34min35s):



Vacinas

Em Sergipe, sem usar máscara, o presidente promoveu aglomerações e segurou um apoiador no colo. Também comentou sobre o andamento do plano de vacinação no país. “As vacinas começaram a chegar e vão chegar para vacinar toda a população em um curto espaço de tempo”, afirmou.

Segundo Bolsonaro, enquanto a Europa e alguns países da América do Sul não têm vacina, devido à grande procura, o Brasil assinou convênios, firmou contratos e compromissos desde setembro de 2020. “Com vários laboratórios”, acrescentou.

O Brasil tinha aplicado pelo menos 1.107.331 doses de vacinas contra o coronavírus até 10h32 dessa 4ª feira (27.jan). Os dados são do CoronavirusBot, que complica dados do Ministério da Saúde e das secretarias estaduais de saúde.

As vacinas utilizadas no país até o momento são a CoronaVac, da farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo, e a AstraZeneca/Oxford.

Candidatos governistas, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco prometem barrar CPIs que ameacem Bolsonaro.



BRASÍLIA - Os candidatos apoiados pelo presidente Jair Bolsonaro nas disputas pelas presidências da Câmara e do Senado prometem barrar comissões parlamentares de inquérito (CPIs) com potencial de atingir o Palácio do Planalto. Uma delas, já em curso, é a CPI das Fake News, que tem como alvo o “gabinete do ódio” e filhos de Bolsonaro. A outra é a CPI da Saúde, proposta por adversários do Planalto para investigar falhas do governo na condução da pandemia de covid-19.



Líder do Centrão, o deputado Arthur Lira (Progressistas-AL), candidato à sucessão do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), condicionou a continuidade da CPI das Fake News à posição da maioria dos colegas. Mas, ao abordar a criação de CPIs de uma forma geral, afirmou que não é hora para “divisão e acotovelamento”.

"Em qualquer matéria que tenha maioria, o debate será amplo, será democrático nesta Casa", afirmou Lira. O candidato adiantou, porém, que é contra a CPI da Saúde. "Esse assunto não pode ser motivo de embates políticos para trazermos para a discussão traumas, interrupções bruscas democráticas", disse ele.

No Senado, o candidato Rodrigo Pacheco (DEM-MG) não quis se manifestar sobre o tema. Pacheco foi procurado por meio de sua assessoria durante dois dias. O Estadão apurou que o senador é contra incentivar CPIs neste momento.

A eleição que vai renovar a cúpula do Congresso está marcada para a próxima segunda-feira. Lira e Pacheco têm o apoio explícito de Bolsonaro e contam com a ajuda da articulação política do Planalto, que está distribuindo cargos e recursos de emendas parlamentares, em troca de votos aos candidatos.

Bolsonaro admitiu na quarta-feira, 27, que tem interferido na disputa do Congresso. Após café da manhã com deputados do PSL, no Palácio da Alvorada, ele disse que, “se Deus quiser”, vai “participar e influir na presidência da Câmara” (mais informações na pág. A8). O PSL é o partido pelo qual Bolsonaro se elegeu, mas se desfiliou um ano e oito meses depois. A sigla está dividida entre Lira e Baleia Rossi (MDB-SP), avalizado por Maia.

Ao contrário de Lira, Baleia é a favor tanto da continuidade da CPI das Fake News como da abertura de uma comissão para se debruçar sobre a crise do coronavírus. “Acho que o problema das fake news precisa ser debatido com mais vigor. Em relação à Saúde, todos estamos assistindo a uma série de erros”, afirmou o deputado. “Se houver apresentação de requerimento com as assinaturas necessárias e fato determinado, não há motivos para não instalar.”

Para a senadora Simone Tebet (MT), candidata do MDB ao Senado, o que se espera da nova cúpula do Congresso é “imparcialidade” na análise dos pedidos de investigação e rigor no cumprimento de prazos. “Qualquer presidente do Senado que assuma em fevereiro é obrigado a instalar as comissões permanentes da Casa, inclusive o Conselho de Ética e as devidas propostas de CPIs, conforme regras regimentais”, disse ela.

Ataques

Instalada em setembro de 2019, sem o aval do governo, a CPI das Fake News pode ser decisiva para abalar os métodos digitais do bolsonarismo. O colegiado é misto, formado por deputados e senadores, e já identificou que parte dos ataques virtuais contra adversários do Planalto e integrantes do Judiciário veio do computador usado por um assessor do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho “zero três” do presidente. Na lista de auxiliares do presidente que devem ser ouvidos está Tercio Tomaz, apontado como responsável por contas falsas.

A CPI das Fake News anda em paralelo com o inquérito conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, no Supremo Tribunal Federal. Como mostrou o Estadão, as investigações do Supremo sobre ameaças, ofensas e notícias falsas espalhadas nas redes sociais contra integrantes da Corte fecharam o cerco sobre o “gabinete do ódio”, grupo de assessores do Planalto comandado pelo vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).

Na prática, o Planalto se movimenta para impedir qualquer CPI. É comum ministros dizerem que todos sabem como uma comissão assim começa, mas nunca como termina, porque investigações políticas, conduzidas pelo Congresso, podem levar até mesmo ao impeachment de um presidente.

Trabalhos

Integrantes da CPI das Fake News temem agora que, eleitos, Pacheco e Lira atuem para encerrar as investigações, utilizando manobras regimentais. Em abril do ano passado, a comissão teve o prazo prorrogado por mais 180 dias, mas não se reuniu depois disso porque os trabalhos foram paralisados pela pandemia. O combinado é que esse prazo passe a contar após o retorno presencial do Congresso, mas parlamentares suspeitam que, se estiverem no comando das Casas, Pacheco e Lira podem obrigar a conclusão dos trabalhos.

“Há um esquema na turma do governo que é, assim que chegar ao poder, esvaziar, acabar com a CPI das Fake News, porque ela pega muita gente. Temos só que saber quem vai ser o pizzaiolo”, afirmou o deputado José Nelto (Podemos-GO), um dos titulares da comissão.

Na semana passada, o senador Ângelo Coronel (PSD-BA), presidente da CPI das Fake News, esteve com Pacheco em um encontro com o governador da Bahia, Rui Costa (PT). Integrante do PSD, Coronel apoia Pacheco, que tem o respaldo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). “Temos que cumprir o regimento. Temos mais 180 dias, contando a partir do retorno presencial. Se houver mudança, será surpresa”, afirmou Coronel.

Relatora da CPI, a deputada Lídice da Mata (PSB-BA) disse que a oposição está preparada para defender a continuidade das investigações. “Há muito tempo que essa CPI está no radar do governo. Aliás, ela já se instalou sem apoio do governo. É claro que eu tenho a expectativa de que eles tentem mais uma vez atacá-la. Nós vamos defender”, declarou.

A ameaça ao prosseguimento dos trabalhos foi criticada pelo deputado Alexandre Frota (PSDB-SP), também candidato à presidência da Câmara. “Qualquer CPI aqui corre sério risco de ser enterrada”, previu ele.

‘Ritmo’

Líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (Progressistas-PR) negou que o alcance da CPI esteja atrelado à campanha governista para controlar as duas Casas, sob o argumento de que o ritmo de trabalho da comissão é sempre definido pelo presidente do colegiado. “Não está tendo nenhuma articulação nesse sentido, até porque a CPI está inativa”, desconversou.

Lira, Pacheco e o impeachment de Bolsonaro.



Jair Bolsonaro está se iludindo se imagina que eleger Arthur Lira (Progressistas) e Rodrigo Pacheco (DEM) será garantia de que se livrará de eventual processo de impeachment.

Nos bastidores, aliados dos dois candidatos oficiais do Planalto dizem que tudo dependerá “da pressão de fora para dentro”.

Um deputado do PSL já disse a O Antagonista, sobre o temperamento de Lira, comparado com frequência a Eduardo Cunha nos corredores da Câmara:

“Quando Bolsonaro achar que pode dar grito em Lira, vai se dar mal.”

Um deputado do PL chegou a afirmar: “É mais fácil o Lira abrir processo de impeachment do que o Baleia [Rossi, adversário do deputado de Alagoas].”

No Senado, um experiente parlamentar do PSD comentou:

“Meu amigo, não existe isso de proteção absoluta. Todo mundo na política sabe disso. A depender da pressão de fora para dentro, o cara cede. Ou já se esqueceram do próprio Renan Calheiros, aliado de primeira hora de Dilma Rousseff, que tinha o MDB na mão naquela época, mandava no Senado e não conseguiu segurar o impeachment dela no Senado?”

Aliados de Lira e Pacheco ainda lembram que ambos têm interesses políticos em seus estados — Alagoas e Minas Gerais, respectivamente — e, claro, medirão constantemente os impactos de suas decisões no Congresso em suas bases.

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