terça-feira, janeiro 05, 2021

POLÍTICA

 Bancada do PT decide apoiar Baleia Rossi na eleição da Câmara.


Deputado Baleia Rossi (PMDB-SP) presidindo a sessão solene em homenagem ao deputado Ulisses Guimarães, em outubro de 2019

A bancada do PT, a maior da Câmara, decidiu na tarde desta 2ª feira (4.jan.2021) apoiar o deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP) na eleição para presidência da Casa. O pleito será realizado em 1º de fevereiro.

O partido já faz parte do bloco no qual está Baleia, mas cogitava lançar candidato próprio –não há regra que impeça haver mais de uma candidatura no mesmo bloco.

Havia resistência em alguns setores do PT a Rossi por sua proximidade com Michel Temer. Alguns petistas julgam que Temer deu um golpe de Estado para derrubar Dilma Rousseff (PT) e assumir a presidência da República em 2016.

Por outro lado, o partido era pressionado porque a outra candidatura posta é a de Arthur Lira (PP-AL). O deputado se aproximou de Jair Bolsonaro ao longo de 2020 e é o favorito do Palácio do Planalto.

Dos 52 deputados do PT, o Poder360 apurou que votaram 51. Foram 27 pró-Baleia e 23 a favor de uma candidatura própria, além de uma abstenção.

A decisão do partido era aguardada desde dezembro pelas demais siglas de oposição. O líder da bancada, deputado Enio Verri (PT-PR) e a presidente do partido, deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), deverão se reunir com as demais legendas de oposição. Depois, anunciar o apoio ao emedebista.
O bloco em torno de Baleia Rossi foi articulado pelo atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Ele anunciou o nome do candidato em 23 de dezembro. Até aquele momento também era cogitado o nome de Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) para disputar o cargo.

Os 52 votos de deputados do PT, se todos depositados em um mesmo depositados, pode ser decisivos na eleição. Para vencer a disputa são necessários 257 votos, se todos os 513 deputados votarem.

Como a votação é secreta, é impossível ter certeza de que todos os deputados de um determinado partido votaram de acordo com a orientação da legenda. O grupo de Rodrigo Maia, porém, acha que as traições são menos frequentes em partidos de esquerda, como o PT, do que em outros setores do Congresso.

A frente contra o candidato de Bolsonaro na Câmara é boa notícia para a democracia.



A frente no parlamento não tem relação com um enquadramento da oposição. Até porque ela é de oposição ao bolsonarismo. Não é honesto falar que isso vai levar os partidos do campo progressista a desistir das lutas nas ruas.

Num primeiro momento, quando se discutia o apoio de deputados progressistas aos candidatos de Rodrigo Maia ou Bolsonaro este blogueiro defendia que os parlamentares progressistas se unissem e tivessem um candidato do bloco.

Era uma ideia de tentar manter os 100 e poucos votos mais à esquerda unidos na Câmara para negociar no segundo turno. Sabidamente, não era algo para valer.

O problema dessa possibilidade era a de conseguir manter juntos PT, PSB, PSOL, PDT e PCdoB com qualquer nome que fosse definido para liderar o processo. Haveria defecções. E este candidato poderia ver seus votos irem definhando no processo e a parte mais canhota da Câmara tenderia a ficar com pouco o que barganhar na votação final. Se houvesse 2o turno.

Essa divisão no 1o turno fortaleceria o candidato de Bolsonaro, Arthur Lira (PP-AL), que poderia comer votos pelas bordas tanto do candidato de Rodrigo Maia quanto do bloco progressista e fechar a eleição logo de cara.

É por este motivo que se trata de uma boa notícia que se tenha conseguido fechar um blocão que vai do PSL ao PT com um único objetivo, derrotar Bolsonaro, dividir de forma proporcional o poder na mesa na Câmara e nas Comissões e depois seguir a vida. Cada um com suas posições.

Este bloco fica forte o suficiente para dar tranquilidade àqueles deputados mais pragmáticos de que é possível ganhar a eleição e não se faz necessário negociar quirelas com o bolsonarismo. Que vai jogar duro, oferecendo cargos em estatais, ministérios, verbas parlamentares e outras vantagens a quem for com Lira.

Essa frente também traz outra novidade para o jogo eleitoral em 2022. É possível ir ampliando os blocos para se pensar num 2o turno diferente do de 2018 quando toda a centro-direita e direita liberal apoiaram Jair Bolsonaro na etapa final. Até mesmo os quatro candidatos do PDT que foram ao 2o turno fizeram essa opção.

Com essa construção política que antagoniza no principal palco da política com o bolsonarismo, pode se iniciar um novo momento de formação de blocos mais hetedoroxo para derrotá-lo.

No PT, por exemplo, já se começa a discutir a busca de setores do empresariado para compor uma frente mais ampla para as disputas de 22. Por outro lado, PSB e PCdoB tratam de um possível fusão e o PDT tenta uma aproximação mais orgânica com o PSD de Kassab. São movimentos que podem ir reorganizando o campo progressista em direção a um diálogo mais amplo para que a disputa de 22 não se torne um jogo do fascismo contra a direita à la Dória ou Huck.

Em relação ao PT, esse movimento de entrar na frente faz o partido virar a página do golpe de 16 e tentar a partir de agora iniciar um novo ciclo político. É um movimento que ainda está sendo feito aos solavancos, mas que já indica uma tentativa do partido de dialogar de maneira mais ampla com o antipetismo no âmbito institucional. E com isso ir buscando novas formas de fazer o mesmo com setores da sociedade que o rejeitam.

A frente no parlamento não tem relação com um enquadramento da oposição. Até porque ela é de oposição ao bolsonarismo. Não é honesto falar que isso vai levar os partidos do campo progressista a desistir das lutas nas ruas, que, aliás, estão cada vez mais difíceis de acontecer nos próximos meses já que a pandemia do Coronavírus não dá indicação de que vai arrefecer.

As lutas de rua têm dinâmicas próprias e não passam pelas disputas do parlamento. De alguma maneira todo mundo sabe disso, mas há alguns que apostam nesta confusão apenas para marcar posição. É um direito, mas não é exatamente algo sério.

Se bem sucedida a frente que se construiu ontem na Câmara pode trazer boas novas para 2021 e 2022. Por isso tem de ser celebrada como um avanço institucional num momento de tantas derrotas.

Bolsonaro vira meme internacional ao ser ridicularizado por página sobre crocodilos.



Postagem do perfil "Gators Daily" classifica Bolsonaro como um presidente pior que Trump ao ironizar a fala do brasileiro sobre tomar vacina e "virar jacaré"; postagem viralizou

O negacionismo do presidente Jair Bolsonaro tem viajado o mundo e, neste sábado (2), se tornou meme internacional.

A página Gators Daily (Diário dos Crocodilos, em tradução livre) publicou uma imagem em que ridiculariza o presidente brasileiro e o coloca como pior que o presidente estadunidense Donald Trump.

A foto mostra um ônibus parado em um trilho enquanto um trem se aproxima, com a frase “Trump não usando máscara”. Logo abaixo, aparece a foto do trem colidindo com o ônibus e o tirando dos trilhos com a frase “presidente brasileiro não tomando vacina porque não quer se tornar um jacaré”.



A postagem viralizou e bateu a marca das 28 mil curtidas na tarde deste sábado. Mais de 5 mil pessoas já compartilharam a publicação, com comentários jocosos contra o chefe do Executivo brasileiro.

O meme faz referência à fala de Jair Bolsonaro em crítica à vacina da farmacêutica Pfizer contra a Covid-19. “Lá no contrato da Pfizer, está bem claro nós (a Pfizer) não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral. Se você virar um jacaré, é problema de você. Se você virar Super-Homem, se nascer barba em alguma mulher aí ou algum homem começar a falar fino, eles não têm nada a ver isso. O que é pior mexer no sistema imunológico das pessoas”, declarou o ex-capitão em discurso feito durante visita a Porto Seguro (BA), no dia 17 de dezembro.

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