terça-feira, fevereiro 02, 2021

MINHA VIDA GAY

 Menina de 7 anos relata em diário sobre transição do tio: “Vai ser ótimo”



"Minha tia 'tá' tomando hormônio masculino e vai virar homem, vai virar meu tio".

Claudia S. Ferreira Silva, que vive uma relação com um homem trans, postou uma imagem no Facebook, neste dia 28 de janeiro, exibindo o diário de sua sobrinha de 7 anos sobre a transição de gênero dele.

“Minha esposa (o) me disse que o sonho dela é poder fazer a hormonização e se sentir bem com seu próprio corpo. Temos uma sobrinha de 7 anos e ela [se referindo ao marido trans] se preocupou em como seria a reação dela [sobrinha] com tais mudanças. A reação:” – disse.

Como é possível ver na imagem abaixo, a sobrinha não demonstra nenhum tipo de preconceito ou discriminação, levando com bastante naturalidade a transição de gênero dele:

* “7 de janeiro: Hoje meu dia foi ótimo, fui na casa da minha avó com minha tia”.

* “8 de janeiro: Amanhã também vai ser ótimo. Minha tia ‘tá’ tomando hormônio masculino e vai virar homem, vai virar meu tio”.



Em uma sociedade heteronormativa, é comum os pais não saberem lidar com perguntas das crianças em relação aos LGBTQIA+ e, em muitos casos, preferem evitar o assunto. O consenso é de que o tema deve surgir naturalmente em casa, quando a própria criança pergunta, já que isso eventualmente acontece.

“O mais importante disso é entender que a criança só pergunta quando ela está pronta. Não há um momento ideal, é desde sempre, sempre que a criança perguntar de um coleguinha que é diferente, de algo que está sentindo… E os pais devem responder na linguagem da criança, podem falar que ‘nem todo o mundo é igual’ e é importante deixar claro que isso não deve ser problema, que se deve respeitar o amiguinho fala. Depois, mais tarde, na adolescência, aparecem as dúvidas mais sexuais e podem vir as informações de intersexo, travestis, transexuais, não binários…”, esclarece o psicólogo Eliseu Neto.

“A criança só entende o que está pronta a entender. A informação da qual ela não está pronta, ela não vai assimilar. Não há violência, na verdade, o que é ruim é a mentira. A mentira causa confusão, causa decepção. Quando a criança descobrir que os pais mentiram, aí cai a qualidade do relacionamento familiar, pois os pais são vistos como fontes de informações e de conhecimentos. Isso pode inibir diálogos, a criança pode entender que ‘aquilo’ não pode ser falado, que sexo é algo que não pode ser conversado. E quanto mais os pais abrirem diálogo, maior a qualidade da relação com os filhos, e é isso que é fundamental de ser construído”, ressalta Eliseu.

CRIANÇAS RESPEITAM

Ainda que algumas religiões julguem LGBTs, é importante ressaltar que qualquer pessoa deve ser respeitada e não agredida, nem verbalmente ou fisicamente. Os valores reais que os educadores se atentam é que crianças precisam aprender, desde cedo, como por exemplo, que as pessoas são diferentes, não só em relação a sexualidade, mas também quanto a etnias, religiosidade etc e que todos têm sentimentos.

Caso os pais sejam questionados pelas crianças “mas isso pode?” ou “isso é certo?”, independente dos valores individuais de cada família, é importante que não haja a propagação de preconceitos, já que este último prejudica todos, muitas vezes o próprio filho, que pode gerar bullying nas escolas.

Ser sincero, claro, direto ao ponto e evitar propagar preconceitos são as “chaves” para tratar sobre o tema.

Umbanda celebra casamento gay em Cuiabá.



No último dia 23 de janeiro, o engenheiro civil João Victor Barreto Manzano e o cabeireiro Alisson Willon Dias Macauba se casaram em uma cerimônia umbandista em Cuiabá após seis anos de relacionamento.

A Umbanda é uma das poucas religiões que não discriminam o casamento homoafetivo, mas a união de ambos ganha destaque por ter sido um dos primeiros registros públicos no religioso em Cuiabá. Houve celebração de médiuns que abençoaram a união em meio a pontos cantados e sob a atenção de guias espirituais.

“Estamos sentindo tamanha gratidão por completar seis anos de relacionamento este ano e conseguir realizar tal façanha, que é uma cerimônia de casamento homoafeitvo” – disse Alisson – “Fato muito importante para nós foi poder realizar tudo isso no religioso, dentro dessa religião linda que nos acolheu com tanto amor de braços abertos, que é a Umbanda” – continuou. 



O casamento gay também foi significativo para o sacerdote Fernando, que é dirigente espiritual há 20 anos. “Os meninos que moravam juntos quando chegaram ao Centro Espírita N. S. da Glória há dois anos, amadureceram e hoje são dois homens maduros que se amam e estão prontos para dividir um lar com todas as dificuldades e alegrias”, afirmou durante a benção aos noivos.

A mãe de Alisson, Janaína Pereira Dias, se pronunciou sobre o casamento: “Levar eles ao altar umbandista foi a maior emoção e sensação de vitória que senti na vida. Foi a chegada da partida de outrora. Sentimento de missão cumprida, foi a escolha do amor” – disse.



Já a mãe de João Victor, Marilza Aparecida Barreto Manzano, também ressalta o sentimento de gratidão: “Foi uma emoção muito grande para mim e meu esposo em levar meu filho ao altar e entrega-lo para uma vida a dois. Ver nosso filho se casando em um centro de Umbanda foi tudo muito lindo. Que Deus os abençoe e os espíritos de luz os guiem sempre. Tenho o Alisson como meu filho, amo muito eles e só desejo muitas felicidades na união dos dois”.

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