sexta-feira, fevereiro 12, 2021

POLÍTICA

 Bolsonaro gasta até R$ 13 milhões com propaganda de cloroquina em “tratamento precoce” contra Covid.



Medicamentos promovidos pelo governo não têm eficácia comprovada contra a doença. Agência responsável pelos anúncios pertence a ex-marqueteiro de Temer.

O governo de Jair Bolsonaro deve gastar até R$ 13 milhões com propagandas que defendem a cloroquina, ivermectina e outros medicamentos como “tratamento precoce” contra a Covid-19. Até então, R$ 6,1 milhões já foram gastos com anúncios do tipo.

A campanha já veiculada circulou em estações de rádio, programas de TV e outdoors durante 16 de novembro e 30 de dezembro de 2020. A empresa responsável pelas peças, Calia/Y2, é comandada por Gustavo Mouco, irmão de Elsinho Mouco, ex-marqueteiro de Michel Temer.
De acordo com reportagem do Congresso em Foco, a agência já recebeu R$ 5,99 milhões. O maior contrato pago pela agência, até então, foi para a TV Record, do bispo Edir Macedo. A agência recebeu R$1,31 milhão para veiculação da campanha na emissora ligada à Igreja Universal.

Os medicamentos defendidos nos anúncios, no entanto, não têm eficácia comprovada contra a doença. A própria Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) já se posicionou contra o uso dos remédios.

Mudança da sala onde jornalistas trabalham na Câmara é adiada.



O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), conversou na noite de 4ª feira (10.fev.2021) com diretores de empresas de de mídia. Reafirmou que instalará seu gabinete na sala onde hoje ficam os jornalistas que cobrem o cotidiano da Câmara, mas adiou a obra.

A retirada dos profissionais do espaço era esperada para esta 5ª feira (11.fev.2021). Lira não informou a nova data da mudança ou de início das obras. Por ora os jornalistas permanecem no local.

A sala que Lira pretende transformar no espaço da presidência da Câmara tem acesso direto ao plenário. Será possível ao deputado ir do gabinete para as sessões da Casa sem ser abordado por jornalistas com perguntas.

Houve pressão para que a mudança não fosse realizada. A ANJ (Associação Nacional de Jornais) divulgou nota em que “lamenta a decisão”. Diversos deputados se manifestaram contra a alteração. “A decisão administrativa está tomada”, respondeu Lira.

O objetivo da reforma, segundo a assessoria da Casa, é fazer com que Lira e os futuros presidentes não tenham de andar pelo plenário e pelo Salão Verde para chegar à Mesa de onde as sessões são presididas.

Ao Poder360, a presidência da Câmara informou que a obra já foi autorizada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). O aval do órgão é necessário por se tratar de uma mudança na estrutura original, planejada pelo arquiteto Oscar Niemayer e que é tombada pelo instituto.

“A mudança da Presidência para o espaço hoje parcialmente ocupado pelo Comitê de Imprensa faz parte de um conjunto de intervenções proposto no âmbito do Plano de Preservação do Patrimônio Edificado da Câmara dos Deputados – Proposta de Intervenção no Edifício Principal, que foi aprovado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional”.

A imagem a seguir mostra a divisão de espaços na parte da Câmara em que fica o plenário e a área de imprensa. No Salão Verde, na parte superior da foto, circulam visitantes, servidores e jornalistas, que aproveitam para colher informações com os congressistas que passam pelo local. Atualmente, o presidente da Câmara tem de andar no espaço para acessar o plenário.



 comitê de imprensa, como é conhecido a sala onde os jornalistas trabalham, fica num anexo de forma semi-triangular, embaixo da descrição “Plenário da Câmara”. A previsão inicial era que os profissionais de imprensa fossem transferidos para uma sala menor e sem janelas, no andar inferior ao plenário. Agora há a possibilidade de o local ser outro.

MUDANÇA NÃO É IDEIA NOVA

Em 2015, o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (MDB-RJ), tentou levar seu gabinete para o local onde hoje estão instalados os profissionais de imprensa. Em 2007, Arlindo Chinaglia (PT-SP), que não era afeito à cobertura da imprensa, também tentou retirar os jornalistas do local. Os 2 planos não deram certo.

PRESSÃO DA MÍDIA

ANJ (Associação Nacional de Jornais), sindicato de donos de jornais reclamou. A associação afirmou que o ato diminui a transparência do Congresso.

“A ANJ lamenta a decisão, que não contribuiu para aproximar a imprensa do Legislativo. Os jornalistas que atuam na Câmara têm papel essencial no acompanhamento das atividades da Casa e na relação dos deputados com a sociedade. Toda medida que dificulta o trabalho da imprensa atenta contra a transparência do parlamento e a necessária cobertura e acompanhamento dos trabalhos legislativos”, declarou a ANJ em nota.

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