sexta-feira, fevereiro 19, 2021

POLÍTICA

 Apreensivo, Bolsonaro mantém silêncio sobre caso Daniel Silveira antes de encontro com Arthur Lira.



Presidente ficou calado e se irritou com apoiadores antes de se dirigir para o Palácio do Planalto para encontro fora da agenda com o presidente da Câmara.

Com semblante fechado e bastante apreensivo, Jair Bolsonaro (Sem Partido) chegou mudo e saiu calado do habitual encontro com apoiadores na porta do Palácio da Alvorada, que foi breve nesta quinta-feira (18).

Sem ser indagado, o presidente manteve o silêncio sobre a prisão de Daniel Silveira (PSL-RJ), deputado que faz parte da sua base de apoio no Congresso, ao se dirigir para o Palácio do Planalto para reunião fora da agenda com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Gleisi rebate Mourão: Quem comete excessos é parte das Forças Armadas e o presidente.



Presidenta nacional do PT rebateu as declarações do vice-presidente, que equiparou a decisão do STF de manter Daniel Silveira preso às ameaças do deputado bolsonarista dirigidos a membros da corte. Para Gleisi, Bolsonaro "estimula os ataques antidemocráticos e de ódio"

Presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PT-PR) rebateu as declarações do vice-presidente, general Hamilton Mourão (PRTB), que em entrevista à CNN Brasil na manhã desta quinta-feira (18) criticou o “excesso” do Supremo Tribunal Federal (STF) e disse que caso Daniel Silveira gerou “crise desnecessária”.

“Quem está cometendo excessos faz tempo é esse tipo de gente, inclusive dentro das Forças Armadas, e a começar pelo presidente da República que estimula os ataques antidemocráticos e de ódio. Cabe agora à Câmara dar o exemplo e coibir qualquer ameaça às instituições e à democracia”, afirmou à deputada petista à Fórum.

Primeiro membro do governo a se pronunciar sobre o caso, Mourão equiparou a decisão do STF de prender e, em decisão colegiada, manter a prisão Daniel Silveira (PSL-RJ) ao vídeo divulgado pelo deputado bolsonarista, em que pede um novo AI-5, ameaça ministros e incita uma “surra” a Edson Fachin por criticar o também general Eduardo Villas Bôas sobre o tuite no julgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula, em 2016.

“Não se chega ao equilíbrio somando-se os excessos. O deputado seguramente excedeu-se no exercício da imunidade parlamentar. Contudo, isso não autoriza que outros agentes se excedam também, porque assim o sistema de freios e contrapesos fica contaminado”, disse Mourão, ressaltando que o caso gerou uma “crise desnecessária”.

Bolsonaro se reúne com ministro da Justiça enquanto Câmara e STF decidem sobre prisão de Daniel Silveira.



André Mendonça está no centro das críticas de bolsonaristas nas redes sociais por "permitir" que a Polícia Federal cumprisse o mandato de prisão de Daniel Silveira

De volta do feriado do Carnaval em Santa Catarina, onde ignorou protocolos de segurança e voltou a promover aglomerações, Jair Bolsonaro (Sem Partido) se reunirá a partir das 15h30 desta quarta-feira (17) com o ministro da Justiça, André Mendonça. No mesmo horário, a Câmara estará discutindo se mantém ou não a prisão de Daniel Silveira (PSL-RJ). A pauta também estará sendo debatida no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), que deve embasar ou não a decisão monocrática de Alexandre de Moraes.

Em vídeo, Bebianno diz que Bolsonaro lhe prometeu Ministério da Justiça e mandou processar Carlos.



Seis dias antes de morrer de um infarto fulminante, o ex-ministro Gustavo Bebianno gravou  depoimento sobre os bastidores da campanha eleitoral que levou Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto.

Na gravação, ele diz que Bolsonaro chegou a lhe prometer o Ministério da Justiça, mas o ex-assessor não sabia se estava preparado para a função. Só não queria ser “deixado pelo caminho” – como aconteceu poucos meses depois.

“Eu falei pra ele que não sabia se estava preparado para a função, se era isso o que eu queria, se seria essa a melhor contribuição que eu poderia dar para o meu país e para o governo dele. Botei uma mão em cada joelho dele e disse assim: ‘Capitão, só tem uma coisa que lhe peço. Não faço questão de nada, nunca lhe pedi nada. Mas a única coisa que não estou preparado é para ser deixado pelo caminho. Gosto de servir, mas não estou disposto a ser usado. Em alguns momentos fica uma pulga atrás da orelha se eu estou sendo usado ou não’.”

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