sexta-feira, março 12, 2021

POLÍTICA

 Bolsonaro diz acreditar que há plano de alguns para tentar derrubá-lo pela economia.



BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quarta-feira acreditar que há "um plano de alguns" para tentar derrubá-lo do poder que passaria pelo insucesso econômico de sua gestão, ao voltar a criticar medidas de restrição de atividades econômicas.

"O problema está aí, a gente reconhece, lamenta as mortes, mas criaram um clima de pavor, pânico, como você pode ficar pelo segundo ano sem trabalhar? Viver do quê?", disse ele em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada.

Bolsonaro afirmou estar sendo culpado pelo desemprego e arrematou:

"Eu acredito mais em um plano de alguns para tentar me derrubar pela economia, não está preocupado com o próximo não, longe disso", atacou, sem detalhar quem seriam.
Segundo o presidente, há quem tenha feito campanha nas eleições municipais que não iria decretar lockdown e no dia seguinte após eleito adotou a medida.

Desde o início da pandemia, Bolsonaro tem demonstrado preocupação sobre o impacto negativo que medidas restritivas poderiam ter em relação a seu governo. Ele sempre enfatizou a necessidade de se manter a economia em funcionamento mesmo em meio à pandemia.

Contudo, o presidente adotou um discurso de que medidas como lockdown são de responsabilidade de governadores e prefeitos em razão de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Na verdade, o STF disse que a atribuição dos entes federativos no enfrentamento à crise sanitária são concorrentes e que caberia ao Executivo Federal fazer uma articulação nacional.

No ano passado, o país registrou uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,1%, o que foi ressaltado por Bolsonaro por ser uma queda menor do que de vários países. Ele atribui isso, em parte, ao pagamento do auxílio emergencial que ajudou a movimentar a economia brasileira.

Militante bolsonarista usa lema nazista em protesto contra lockdown no RS



"A frase representa o Partido Nazista na sua mais radical radical e cruel face. É muito sério", alerta a antropóloga Adriana Dias

A advogada Doris Denise Neumann, militante bolsonarista e presidenta da secretaria da mulher do partido Patriota no Rio Grande do Sul, usou um lema nazista durante protesto realizado contra o isolamento social rígido decretado pelo governador Eduardo Leite (PSDB) na quarta-feira (11).

“Os alemães vão entender a frase que eu vou falar: Arbeit macht frei. Não foi isso que a gente aprendeu? Que o trabalho nos faz ser livre. Pois aqui nós estamos reivindicando o trabalho. Se o governador que foi posto por nós no poder para a decisão não decidir que nós possamos trabalhar, a gente tira ele”, disse Neumann em vídeo que circula nas redes sociais.

A militante, que já foi ao Palácio do Planalto encontrar Bolsonaro, foi candidata à Prefeitura de Nova Petrópolis pelo Patriota em 2020. Ela era do PSL no período em que o mandatário ainda estava na legenda e chegou a trabalhar pela fundação do Aliança Pelo Brasil – partido que o presidente tentou criar.

A frase Arbeit macht frei era afixada em alguns campos de concentração do período nazista, incluindo o campo de Auschwitz – conhecido o mais cruel de todos. A Polícia Civil já abriu procedimento para investigar o caso.

Em entrevista à Fórum, a antropóloga Adriana Dias, que é doutora em antropologia social pela Unicamp e que há anos pesquisa o fenômeno do nazismo, disse que o episódio é muito grave.

“A frase que, que em português significa “o trabalho liberta”, está no portão de Auschwitz e, na verdade, simboliza a escravidão que todos os prisioneiros de Auschwitz foram submetidos. Judeus, ciganos, os da resistência francesa, os comunistas, os LGBT, testemunhas de Jeová… Todas as resistências ao partido totalitário nazista foram submetidas com esse ideal de escravidão pelo trabalho”, disse Dias, que é colunista da Fórum.

“Essa frase representa o Partido Nazista na sua mais radical radical e cruel face. Auschwitz é conhecido como o mais cruel campo de concentração, e o mais famoso. Essa frase é conhecida mundialmente por representar uma ambição solução final ambição de destruição total dos judeus e de todos os grupos que eram odiados pelos nazistas”, completou.

Segundo a antropóloga, quando a bolsonarista diz “os alemães vão entender”, ela fala para as pessoas que compartilham da mesma ideologia. “É muito sério que ela tenha usado isso nesse momento. Principalmente por ser uma pessoa que foi candidata à Prefeitura de uma cidade, uma pessoa que é advogada, uma pessoa que já tirou fotos com presidente, com os filhos do presidente. É muito sério, esse pessoa precisa ser investigada com muita seriedade”, declarou.

O uso do termo tem reaparecido com certa frequência nos últimos tempos. Questionada se isso significa um avanço do neonazismo, Dias apontou o seguinte: “Um grupo específico de neonazismo, hitlerista, usa muito esse lema, inclusive ele já foi pichado aqui em São Paulo. Representa uma mostra que o neonazismo está colocando sua face pública, está virando movimento de massa”.

Dias enviou à Fórum uma foto dessa pichação mencionada por ela. O caso ocorreu em março de 2020, na praça Marechal Deodoro. Os escritos foram apagados por moradores no mesmo dia. “Foi terrível”, conta a antropóloga.


Pichação neonazista que repete frases de campos de concentração e pedem a morte de judeus na praça Marechal Deodoro em São Paulo

Museu do Holocausto

O Museu do Holocausto de Curitiba compartilhou o vídeo de Neumann condenando a atitude da advogada. “Analogias (sejam implícitas ou explícitas) elogiosas e positivas ao nazismo precisam ser rechaçadas imediatamente. Esse tipo de narrativa criminosa é um insulto à democracia, às vítimas do Holocausto, aos seus descendentes e a todos que entendem, de uma vez por todas, o que esse genocídio representa na luta contra o ódio e em prol dos direitos humanos”, afirmou em postagem no instagram.

“Esta não é uma nota de repúdio. É um pedido de ajuda às autoridades”, afirma.

Colunista do UOL diz que Bolsonaro entrou em desespero com Lula no páreo em 2022.

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Já na quarta-feira foi possível observar uma mudança de postura do presidente diante do discurso histórico do ex-mandatário.

A mudança de postura na cerimônia realizada no Palácio do Planalto na quarta-feira (10) seria apenas uma mostra do desespero do presidente Jair Bolsonaro diante da retomada da elegibilidade por parte do ex-presidente Lula. Na ocasião, o mandatário voltou a usar máscara de proteção e moldou seu discurso para rebater o ex-líder sindical.

Segundo o colunista Tales Faria, do portal Uol, o discurso de Lula “acionou um sinal de alerta” no Planalto e fez Bolsonaro entrar em “pânico”. A confirmação da demissão de Fabio Wajngarten, que tentava angariar um cargo após ser exonerado da Secom, seria uma das formas do governo tentar se reposicionar diante de Lula.

Nas contas do governo, só será possível enfrentar Lula com uma retomada do crescimento e com a diminuição do desemprego, o que perpassa uma vacinação massiva. Por isso, Bolsonaro agora parece estar mais empenhado a garantir a imunização.

“Bolsonaro contava com adversários fracos. Agora não. Pior: a candidatura Lula recoloca no páreo uma possível candidatura de Sergio Moro, a quem o presidente também temia”, afirma o colunista.

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