terça-feira, março 02, 2021

POLÍTICA

 Bolsodoria: a pressão bolsonarista para que Doria mantenha igrejas abertas em 2 tuítes de Malafaia.



Doria resolveu transformar igrejas em atividades essenciais menos de uma semana após Malafaia ameaçar governador com "resposta nas eleições" e, agora, ganha até elogio do pastor.

O discurso “pró-ciência” do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que vinha sendo utilizado até então para polarizar com o presidente Jair Bolsonaro, deu lugar nesta segunda-feira (1) a uma fala sobre “esperança, fé e oração”.

Foi com essas palavras que o tucano anunciou sua decisão de transformar as igrejas em atividades essenciais para que elas possam ficar abertas em meio ao período mais grave da pandemia do coronavírus no estado de São Paulo e também no Brasil.

A atitude de manter igrejas abertas enquanto especialistas pedem medidas mais duras contra o contágio do coronavírus atende a uma clara pressão do setor evangélico, em boa parte bolsonarista, que desde o início da pandemia critica as medidas de isolamento social e ataca prefeitos e governadores que adotaram tais medidas.

Doria, que desde o início da crise sanitária foi alvo desses ataques bolsonaristas, resolveu anunciar que tornaria igrejas atividades essenciais menos de uma semana após o pastor Silas Malafaia, um das lideranças evangélicas mais próximas de Bolsonaro, ameaçar o governador com resposta nas “urnas”. O tucano sabe bem o peso do eleitorado bolsonarista e evangélico, visto que chegou a utilizar o slogan “Bolsodoria” para conseguir se eleger em 2018.
“Não só as igrejas evangélicas, a contribuição das religiões em tempo de pandemia no apoio psicológico, simplesmente impagável . Nas eleições vamos dar uma resposta a Dória”, escreveu Malafia no dia 25 de fevereiro ao compartilhar uma notícia de que o tucano teria, supostamente, vetado um projeto de lei que reconhecia a atividade religiosa como essencial.

Nesta segunda-feira (1), então, apenas 4 dias após o tuíte de Malafaia, Doria apelou ao discurso da “fé” para anunciar que as igrejas permaneceriam abertas como atividades essenciais, o que gerou até mesmo elogios do pastor bolsonarista, até então crítico contumaz do tucano.

“PARABÉNS GOVERNADOR DÓRIA! Temos discordâncias políticas. Reconhecer as religiões como atividade essencial , dentro das normas sanitárias , você acertou ! As religiões tem um papel terapêutico insubstituível em tempo de pandemia e calamidades . DEUS LIVRE O BRASIL DESSA PRAGA!”, escreveu Malafaia.

Críticas

Apesar da comemoração de Malafaia e de parte do setor evangélico, a atitude de Doria em tornar as igrejas atividades essenciais em São Paulo gerou uma série de críticas nas redes sociais diante do alerta que especialistas vem fazendo em prol de um lockdown imediato em todo o país.

Governadores reagem e dizem que Bolsonaro prioriza ‘criação de confrontos’.



BRASÍLIA - Governadores de 18 Estados decidiram reagir ao movimento do presidente Jair Bolsonaro de tentar repassar a eles a responsabilidade pela expansão da pandemia do novo coronavírus. Nesta segunda-feira, 1.º, o grupo divulgou nota criticando a atitude do governo federal de usar dinheiro público “a fim de produzir informação distorcida, gerar interpretações equivocadas e atacar governos locais”.

Foi uma resposta à estratégia do presidente, que passou a divulgar em público e, nas suas redes sociais, que a União repassava bilhões aos Estados para que reduzissem os efeitos da pandemia. Esse argumento também foi reproduzido nas redes da Secretaria Especial de Comunicação (Secom) do governo.

A irritação foi grande porque a maior parte desses recursos aos quais Bolsonaro se refere é de repasses obrigatórios, previstos pela Constituição. Ou seja, não se trata de um gesto do presidente para conter os problemas da pandemia. Para o grupo, não há dúvidas de que Bolsonaro decidiu tentar repassar para o colo dos governadores pelo menos parte da conta política e do desgaste junto à população pela disparada no aumento dos casos de coronavírus.

Na nota, os governadores dizem que o governo parece “priorizar a criação de confrontos”. O texto é subscrito pelos governadores de Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo e Sergipe.

“Os governadores dos Estados abaixo assinados manifestam preocupação em face da utilização, pelo Governo Federal, de instrumentos de comunicação oficial, custeados por dinheiro público, a fim de produzir informação distorcida, gerar interpretações equivocadas e atacar governos locais. Em meio a uma pandemia de proporção talvez inédita na história, agravada por uma contundente crise econômica e social, o governo federal parece priorizar a criação de confrontos, a construção de imagens maniqueístas e o enfraquecimento da cooperação federativa essencial aos interesses da população”, diz o texto.

“A Constituição Brasileira, Carta maior de nossa sociedade e nossa democracia, estabelece receitas e obrigações para todos os Entes Federados, tal como é feito em qualquer federação organizada do mundo. No modelo federativo brasileiro, boa parte dos impostos federais (como o Imposto de Renda pago por cidadãos e empresas) pertence aos Estados e Municípios, da mesma forma que boa parte dos impostos estaduais (como o ICMS e o IPVA) pertence aos Municípios. Em nenhum desses casos a distribuição tributária se deve a um favor dos ocupantes dos cargos de chefe do respectivo Poder Executivo, e sim a expresso mandamento constitucional”, acrescenta a nota.

“Nesse sentido, a postagem hoje veiculada nas redes sociais da União e do Presidente da República contabiliza majoritariamente os valores pertencentes por obrigação constitucional aos Estados e Municípios, como os relativos ao FPE, FPM, FUNDEB, SUS, royalties, tratando-os como uma concessão política do atual Governo Federal. Situação absurda similar seria se cada Governador publicasse valores de ICMS e IPVA pertencentes a cada cidade, tratando-os como uma aplicação de recursos nos Municípios a critério de decisão individual”.

Durante o fim de semana, as redes bolsonaristas trataram de espalhar a narrativa do governo, afirmando que R$ 837,4 bilhões haviam sido enviados pela União aos Estados. Ou seja, os governadores teriam dinheiro sobrando para combater o vírus. Essa tentativa de repassar responsabilidade causou grande desconforto até em governadores aliados do Planalto, como Ronaldo Caiado (Goiás), Ratinho Júnior (Paraná) e Claudio Castro (Rio), que subscreveram a nota crítica.

Alguns governadores foram mais duros na sua reação ao presidente. “Ao invés de construir alianças para combater a pandemia, Bolsonaro destrói pontes e prejudica o trabalho dos governadores para salvar vidas”, disse o governador de São Paulo, João Doria, ao Estadão.

“O presidente da República insiste em agredir a verdade para tentar atingir os governadores. Ele está postando contas malucas sobre recursos enviados aos Estados, misturando com municípios, recursos de FPE, FPM, auxílio emergencial etc. Em suma, é um irresponsável”, acusou o governador do Maranhão, Flávio Dino.

“O presidente da República mistura, sem explicar, todos os repasses federais (até os obrigatórios pela Constituição) e fala que mandou R$ 40 bilhões para o Rio Grande do Sul. Se a lógica é essa, fica a dúvida: como o Rio Grande mandou para Brasília R$ 70 bilhões em impostos federais, cadê os nossos outros R$ 30 bilhões que enviamos?”, questionou o governador gaúcho Eduardo Leite.

Apesar da reação, os bolsonaristas não recuaram da estratégia. O ministro das Comunicações, Fábio Faria, voltou a insistir na história mesmo depois da divulgação da nota dos governadores. Faria sustentou que os dados do governo procedem.

“Os valores de repasses do governo para os Estados estão 100% corretos. As fontes são acessíveis”, disse o ministro. “Os valores estão claramente discriminados nas publicações e são referentes a todos os repasses para os Estados: diretos (da União para os entes) e indiretos, como benefícios ao cidadão (Auxílio, Bolsa etc.) e suspensão de dívida. Não há o que contestar, não se briga com números”, afirmou o ministro, endossando o discurso do presidente.

'Parece que quanto mais morrer, melhor', diz Bolsonaro ao defender hidroxicloroquina contra covid.



São Paulo e Brasília - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a reforçar nesta manhã, 1º, o endosso a tratamentos contra a covid-19 sem comprovação científica. “Esses medicamentos - hidroxicloroquina, ivermectina e Annita - não têm efeito colateral. Por que não tomar? ”, disse, contrariando recomendação dos médicos e autoridades sanitárias quanto aos riscos desses remédios para a saúde. “Parece que quanto mais morrer, melhor para alguns setores da sociedade brasileira. Somos a oitava economia do mundo, nosso IDH não é tão bom perto do primeiro mundo. O que leva nosso País a ser o 26º em morte por milhão de habitantes? Alguma coisa está acontecendo por aqui. Só pode ser o tratamento precoce, não tem outra explicação. Por que a grande mídia teima em criminalizar quem fala isso?”, emendou.

Durante conversa com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro disse que “alguns países têm confirmado tratamento precoce que tem dado certo”. “O que mandei confirmar agora é a Coreia do Sul, com a cloroquina. Já que aqui dentro não pode falar off label que virou crime”, disse, sem entrar em mais detalhes. O presidente afirmou também que na quarta-feira, 3, enviará comitiva a Israel a fim de negociar a adesão a estudos de um spray nasal, que mostrou resultados promissores nas fases de testes iniciais. Outros inaladores também são testados por pesquisadores de universidades brasileiras como da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

“Vai uma comitiva nossa, deve ser quarta-feira, para Israel. Porque tinha que acertar a papelada, a gente está fazendo acordo para usar aqui na terceira fase (o spray). A gente vai entrar com a papelada junto à Anvisa, a empresa (vai entrar)”, afirmou.

Bolsonaro também afirmou que ainda este mês terão, no mínimo, 22 milhões de vacinas disponíveis. “A gente só podia comprar depois que a Anvisa autorizar. Não é comprar qualquer negócio que aparecer”, afirmou Bolsonaro. Segundo ele, como a agência já está emitindo os certificados de aprovação, “estamos comprando”.

Sobre as previsões que fez ao longo da pandemia, o presidente afirmou não ter errado “nenhuma” e disse não precisar “ser inteligente para entender isso”. Entretanto, conforme mostrou o Broadcast Político na série especial de um ano da pandemia, o presidente minimizou os efeitos da crise sanitária, disse que o número de mortos não chegaria a 800 e reforçou que “a questão do coronavírus não é isso tudo que a grande mídia propaga”.

Em resposta aos Estados que decretaram toque de recolher - Paraná, Mato Grosso do Sul, Bahia, Ceará, Paraíba, Piauí, Amazonas e Rio Grande do Norte - e ao Distrito Federal que decretou lockdown na semana passada, Bolsonaro disse que tais medidas já foram feitas “e não deram certo ano passado”. Segundo ele, o Estado que tem mais óbito por milhão de habitantes é São Paulo, governado por seu rival político João Doria (PSDB). “Foi o (Estado) que mais fez lockdown. E é o Estado que mais se diz estar ao lado da ciência”, ironizando a campanha política de Doria a favor do Instituto Butantan.

O presidente também reforçou ter feito repasses à área da Saúde de alguns Estados e disse que no Amazonas, “não faltou dinheiro”. No início do ano, o Amazonas sofreu colapso do sistema de saúde com a falta de oxigênio em hospitais para tratar pacientes com a covid-19. "Não faltou dinheiro. Na ponta da linha, eles têm que resolver os problemas, leito, etc”, disse sobre a situação naquele Estado.

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