terça-feira, março 16, 2021

POLÍTICA

 Inflação em alta expõe desconforto de Bolsonaro.



BRASÍLIA - O risco de descontrole da inflação é o calcanhar de aquiles do presidente Jair Bolsonaro. Cobrado nas redes sociais pela alta da inflação, com vídeos que intitulam o movimento de alta dos preços como "Bolsocaro", o presidente já reclamou em público diversas vezes do reajuste dos preços da carne, do arroz, do gás de cozinha e dos combustíveis.

O presidente sente o “termômetro” da população e sobe o tom das cobranças à equipe econômica, nas lives semanais de todas as quintas-feiras, e nos encontros frequentes com simpatizantes na porta da sua residência oficial, o Palácio da Alvorada.

Bolsonaro tem demonstrado cada vez mais desconforto com a combinação perversa de preços altos e desemprego, que retira o poder de compra da população e a popularidade de qualquer presidente da República.

A antecipação da corrida eleitoral pelo fator “Lula”, após a decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou as condenações do ex-presidente na Lava Jato, amplificou o risco de o presidente adotar medidas populistas para segurar os preços e aumentar os gastos públicos para garantir a sua reeleição no ano que vem.

Esse temor ganhou fôlego depois que, nas últimas semanas, o presidente ameaçou intervir na Petrobrás e Eletrobrás (empresas do governo responsáveis por importantes insumos para a produção), isentou o preço dos combustíveis e patrocinou uma manobra para retirar o programa Bolsa Família do teto de gastos, a regra que limite o crescimento das despesas à variação da inflação.

A consequência desses movimentos foi mais alta do dólar, que se aproximou de R$ 6 na votação da semana passada da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do auxílio emergencial, ingrediente adicional a retroalimentar a inflação. “Com certeza, o Banco Central vai começar a aumentar os juros e as autoridades nunca gostam disso”, diz o economista José Roberto Mendonça de Barros, sócio da consultoria MB Associados e colunista do Estadão. Para ele, esse será o teste do “pudim” da política populista do presidente. “Não estou otimista. A tentação populista é enorme”, prevê o economista, que foi secretário de Política Econômica no governo FHC.
Mendonça de Barros chama atenção para um fator que acrescenta um complicador a mais nesse caldo que une política e economia: a população brasileira já se acostumou a viver com inflação baixa. Existe hoje uma geração inteira que não tem ideia do que seja viver num ambiente econômico de inflação alta. Brasileiros que nem sabem o que é isso.

Essa população não aceitaria a volta da inflação de forma mais sistemática e está incomodada com a pancada de aumento de preços em plena pandemia da covid-19, que derruba o crescimento do Produto Interno Bruto e tira emprego dos brasileiros. O ex-secretário lembra que a ex-presidente Dilma Rousseff perdeu espaço e apoio político por conta da inflação.

Desde o final do segundo semestre do ano passado, as surpresas do lado da inflação têm sido do lado negativo. A mais recente delas, a subida do IPCA, a inflação oficial do País, para 0,86% em fevereiro, ante 0,25% em janeiro. O resultado foi pressionado pelos preços da gasolina, motivo da irritação do presidente.

Na área econômica do governo, a expectativa é que as incertezas vão se dissipar com o “fundamento fiscal” garantido pela aprovação da PEC que autorizou o auxílio mas também contrapartidas de cortes de gastos em momentos de crise fiscal. Mesmo desidratada (o cálculo é de que a desidratação foi de 30%), o texto garantiu importantes medidas fiscais que serão reconhecidas como essenciais para mudar a trajetória das despesas. Associada à possibilidade de aumento dos juros pelo BC na reunião desta semana do Comitê de Política Monetária, a avaliação é que a cotação do dólar deve cair e “amansar a inflação”.

A percepção do time do ministro da Economia, Paulo Guedes, é que o ciclo de alta commodities (produtos básicos, como petróleo, grãos e minério de ferro) no mercado internacional tem o potencial de “afundar” a taxa de câmbio, mas que o movimento na direção contrária, de alta do dólar, que ocorreu, é resultado do próprio governo tropeçando nos seus próprios passos. A avaliação é de que se não fossem esses atropelos a cotação do dólar deveria estar mais próxima de R$ 4,80.

Para o economista Armando Castellar. do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o populismo aumenta a incerteza de maneira preocupante. “O que o episódio da Petrobrás assusta porque deixa dúvida sobre se pode se repetir (para o lado do BC) quando começar o aperto monetário (alta dos juros básicos) que hoje em dia se faz necessário pela piora das perspectivas da inflação”, diz Castellar. Ele avalia que esse ponto será mais sensível quando a inflação em 12 meses bater em 7% logo mais à frente. Apesar de aprovada a autonomia, Bolsonaro ainda tem que validar a renovação da diretoria do BC.

Castellar diz que ainda falta uma âncora mais clara para frente diante do cenário eleitoral que se aproxima. Lembrando o poema de Carlos Drummond de Andrade, Castellar pergunta. “E agora José? Você marcha, José! José, para onde?”. Sem essa clareza, o Brasil não vai atrair os investidores, diz.



Maia: "Mais uma vez o trabalho do gabinete do ódio foi efetivo".



O ex-presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia comentou a decisão da médica Ludhmila Hajjar de não assumir o cargo de ministra da Saúde.

O deputado disse que Jair Bolsonaro não aceita que as ações do governo sejam pautadas pela ciência.

“Infelizmente, Ludhmila Hajjar não aceitou assumir o cargo de Ministra da Saúde. Certamente o presidente Bolsonaro não aceitou ter à frente do Ministério uma gestão competente focada na CIÊNCIA. Meu respeito pela Dra Ludhmila só aumentou, pois seus valores não são negociáveis.”

Maia atribuiu o processo de fritura da médica ao gabinete do ódio.

“Mais uma vez, o trabalho do gabinete do ódio foi efetivo em prejudicar a imagem de alguém que seria tão importante para o nosso país neste momento da pandemia. Prevaleceu a política negacionista. O governo continuará a não priorizar vidas. Triste e lamentável.”



Prática da rachadinha foi "herdada do pai, Jair Messias", diz líder do PT.



O líder do PT na Câmara, Bohn Gass, também foi ao Twitter comentar a reportagem do UOL sobre indícios de rachadinha no gabinete de Jair Bolsonaro, quando deputado federal.

“O UOL faz uma série sobre as rachadinhas na família Bolsonaro e evidencia que a prática não foi inventada pelos filhos Flávio e Carlos, mas herdada do pai, Jair Messias, hoje presidente.”

Um dos casos relacionados a Jair Bolsonaro é o de que o então deputado federal empregou em seu gabinete por oito anos (de 1998 a 2006) Andrea Siqueira Valle, a irmã de sua segunda mulher, Ana Cristina Siqueira Valle.



Barraco no PTB leva Bob Jeff a dissolver diretório gaúcho.



Roberto Jefferson, o leão do Twitter, disse há pouco que o diretório regional do Rio Grande do Sul “foi dissolvido”.

“O deputado Luiz Augusto Lara não fala mais como presidente regional do partido, ele representa seu próprio mandato, mas não fala pelo PTB.”

A decisão foi tomada depois que o vice-governador, delegado Ranolfo, também do PTB, reagiu ao ataque homofóbico de Bob Jeff contra o governador Eduardo Leite.



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