sexta-feira, março 19, 2021

POLÍTICA

 O método Bolsonaro de intimidar.



A violência contínua que existe no discurso do presidente Jair Bolsonaro nos anestesia, aos poucos vai deixando de chocar. O objetivo é este mesmo: anestesiar. É um método estudado por cientistas políticos em vários cantos do mundo numa disciplina batizada de decadência democrática. Anestesiados, nos distraímos. E não percebemos que a guerra do presidente contra a democracia está ganhando escala. Foi mostra desse ganho de escala o dia em que a Polícia Civil do Rio bateu à porta do youtuber Felipe Neto para informá-lo de que era investigado por chamar o presidente de genocida. Com base na Lei de Segurança Nacional.
No caso de Felipe, o problema já passou — a juíza Gisele Guida de Faria, da 38.ª Vara Criminal do Rio, viu “flagrante ilegalidade” na investigação e lembrou que a Polícia Civil sequer tem competência para investigar “crime contra a honra” do presidente. Além do quê, não é um vereador ou um membro da família do presidente quem tem autoridade de pedir a abertura deste tipo de inquérito. Mas, se Felipe está livre do problema, outros não estão e ações assim vêm ficando mais comuns.

Em geral, quase sempre via internet, alguém faz um comentário em oposição ao presidente. O ataque, então, vem simultâneo. Pelas redes é a onda de cancelamento pessoal. Quando não se trata de uma pessoa conhecida, o mundo não percebe. Não vê as mensagens privadas, os muitos tuítes, os comentários de Face, os ataques pelo Insta que aquele indivíduo recebeu. Para um professor universitário gaúcho ou um sociólogo do Tocantins, a pancada é dura. A onda de agressão surge de repente — e dói.

Mas há outro ataque, jurídico, levantando a Lei de Segurança Nacional ou outro argumento. O importante é impor um custo em advogados, ameaçar de perda de emprego. O objetivo é desestruturar emocionalmente a pessoa, é intimidar.

O objetivo é calar qualquer forma de oposição.

Jair Bolsonaro e os seus enxergam o mundo de uma forma particular: tudo é uma guerra de informação. Nisto, ele e a nova leva do populismo autoritário de direita se assemelham muito aos fascistas dos anos 1930. Aquele fascismo não era uma ideologia, uma forma consistente de ver o mundo. Era, isto sim, uma estratégia de alcançar o poder e se manter no poder. Entre as táticas estava intimidação pessoal de quem demonstrasse oposição para deixar claro a todos que o preço de ser contra é alto. Mas a cartilha também incluía uma visão paranoica de como o mundo funciona — capitalistas judeus são responsáveis pela crise econômica alemã, marxistas culturais são quem de fato controlam as instituições do Brasil. E uma máquina massiva, utilizando a tecnologia mais recente — rádio lá, redes sociais aqui — investia pesado em desinformação para criar bolhas onde informação não entra.

Para Bolsonaro, esta é pois uma guerra de informação e os fatos pouco importam. O relevante no jogo como ele o enxerga é quem convence mais pessoas. Portanto, quando hospitais lotam e mais gente morre, o alarme da sociedade não surge naturalmente. Surge porque seus inimigos atuam como ele, na guerra de informação. Bolsonaro não opera no mundo como ele é. Ele vive num em que a realidade é fabricável.

O Centrão tentou indicar uma ministra da Saúde que poderia funcionar. Os militares tentam convencê-lo a adotar uma agenda positiva. Não adianta, nada muda a natureza do escorpião. Mas o perigo que ele representa mudou de escala não só pela forma de intimidar. Desinformação já elegia autoritários que desejam ser ditadores. Nos últimos meses está também matando em vastas quantidades.

“Haja prisão para nos deter!”: Deputados chamam Bolsonaro de genocida ao protestarem contra detenção de militantes.



A presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann, disse que #BolsonaroGenocida é a palavra de ordem do momento.

Um grupo de parlamentares do PT, incluindo a presidenta nacional da legenda, Gleisi Hoffmann (PT-PR), foi até a sede da Polícia Federal de Brasília nesta quinta-feira (18) prestar assistência aos cinco militantes presos com base na Lei de Segurança Nacional (LSN) após estenderem uma faixa contra o presidente Jair Bolsonaro com a palavra “genocida” escrita.

“Essa é a palavra de ordem da hora, do dia, do mês, enquanto Bolsonaro estiver comandando o país e levando o povo brasileiro a morte: #BolsonaroGenocida, #BolsonaroGenocida, #BolsonaroGenocida. Não vamos para de falar, de gritar pelo país. Haja prisão para nos deter!”, disse Hofffmann após o grupo levantar cartazes com a hashtag em frente à PF.

Além da presidenta do PT, foram até a PF a deputada federal Natália Bonavides (PT-RN) e os deputados federais Paulo Pimenta (PT-RS) e Alencar Santana Braga (PT-SP). De acordo com o Braga, os cinco manifestantes foram presos na Praça dos Três Poderes após abrirem a faixa. Os detidos são Rodrigo Pilha, Guilherme Martins, Vitor, Artur e Manoel. S.

“É absurdo o que está acontecendo, é um absurdo o que esse governo canalha e genocida está fazendo”, protestou Bonavides, que também é advogada. “É a primeira vez que eu venho em uma delegacia para soltar alguém preso por causa de uma faixa”, disse ainda.

Segundo informações de Pimenta, duas pessoas foram presos na sede da Polícia Federal por conta dos cartazes exibidos pelos parlamentares.

“Bolsonaro Genocida, não adianta tentar nos calar, nós somos milhões para denunciar a verdadeira tragédia humanitária protagonizada pelo seu governo”, disse Pimenta.

Assessores de Bolsonaro fizeram depósitos para ex-cunhada do presidente, diz colunista.



Assessores do presidente Jair Bolsonaro, na época em que ele era deputado federal, fizeram seis depósitos para sua ex-cunhada, Andrea Siqueira Valle, entre abril e maio de 2008, quando ela trabalhava no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). As informações são da colunista Juliana Dal Piva, do UOL.

A irmã da segunda mulher de Bolsonaro, Ana Cristina Siqueira Valle, recebeu um total de R$ 1.115. Antes de trabalhar no gabinete de Carlos, ela trabalhou no gabinete do presidente por oito anos (de 1998 a 2006).

O ex-chefe de gabinete do presidente, Jorge Francisco, pai do ministro Jorge Antonio de Oliveira Francisco, do TCU (Tribunal de Contas da União), fez três depósitos de R$445.

Outro antigo funcionário do gabinete de Bolsonaro, Telmo Broetto, atual assessor do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), fez outros três depósitos de R$ 670.

Nenhum comentário:

Postar um comentário