terça-feira, março 30, 2021

POLÍTICA

 Pressão do centrão resulta em 6 trocas ministeriais no governo Bolsonaro; confira quais são.



Reforma ministerial acontece dias após o presidente da Câmara, Arthur Lira, ameaçar Jair Bolsonaro caso não houvesse mudanças de rumo no governo.

O dia nesta segunda-feira (29) está sendo agitado em Brasília com o presidente Jair Bolsonaro encampando a maior reforma ministerial de seu governo, em plena pico da pandemia do coronavírus.

Após a recente saída do general Eduardo Pazuello do Ministério da Saúde, o centrão do Congresso Nacional passou a intensificar a pressão contra o governo Bolsonaro, o que provocou mudanças em outros seis ministérios. O primeiro a ser demitido nesta segunda-feira foi Ernesto Araújo, que ocupava o Ministério das Relações Exteriores e vinha sendo duramente criticado por deputados e senadores.

O segundo do dia a deixar o governo foi Fernando Azevedo e Silva, do Ministério da Defesa. Na sequência, José Levi, responsável pela Advocacia-Geral da União (AGU), apresentou sua carta de demissão das pasta, após ter o cargo solicitado pelo presidente Jair Bolsonaro.

As mudanças provocaram trocas em 6 ministérios, e acontecem dias após o presidente da Câmara, Artur Lira (PP-AL), que é líder do centrão, ameaçar Jair Bolsonaro caso não houvesse mudanças de rumos no governo.
“Será preciso que essa capacidade de ouvir tenha como contrapartida a flexibilidade de ceder. Sem esse exercício, a ser praticado por todos, esse esforço não produzira os resultados necessários. Os remédios políticos no Parlamento são conhecidos e são todos amargos. Alguns, fatais. Muitas vezes são aplicados quando a espiral de erros de avaliação se torna uma escala geométrica incontrolável”, havia disparado Lira, logo após reunião com Bolsonaro, na última quarta-feira (24).

Em entrevista à Fórum, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) avaliou que “o jogo todo é do centrão. E eu tenho a impressão que o Bolsonaro está tentando esse movimento. Com essas mudanças, ele contempla o centrão e fortalece a posição dele, com maior engajamento das Forças Armadas”.

Confira, abaixo, todas as mudanças ministeriais desta segunda-feira.

Ministério da Defesa

Walter Braga Netto entra no lugar de Fernando Azevedo e Silva

Casa Civil

Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira entra no lugar de Walter Braga Netto

Secretaria de Governo da Presidência

Flávia Arruda entra no lugar de Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira

Advocacia-Geral da União

André Luiz Mendonça entra no lugar de José Levi Mello.

Ministério da Justiça

Delegado Anderson Gustavo Torres entra no lugar de André Luiz Mendonça

Ministério das Relações Exteriores

Embaixador Carlos Alberto Franco França entra no lugar de Ernesto Araújo

Congressistas reagem à mini-reforma ministerial de Bolsonaro; leia o que dizem.



Congressistas reagem ao desembarque de 3 ministros do presidente Jair Bolsonaro nesta 2ª feira (29.mar.2021). Desde comemorações pela saída do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, mais cedo, até críticas à intervenção presidencial nas pastas agora sem chefes.

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, anunciou a saída do governo Bolsonaro. Foi a 2ª baixa na equipe de ministros no mesmo dia. Mais cedo, Ernesto Araújo pediu para sair da chefia do Ministério das Relações Exteriores.

Logo depois, o advogado-geral da União, José Levi, entregou ao presidente uma carta de demissão. Ex-integrante do Ministério da Economia e indicado por Paulo Guedes, ele foi o 3º a perder o cargo nas mudanças que Jair Bolsonaro está promovendo na Esplanada.

O presidente Jair Bolsonaro fará trocas em pelo menos 6 dos 22 ministérios. O Poder360 apurou que outras 3 pastas (Secretaria de Governo, Casa Civil e Justiça) devem ter novos titulares. Leia aqui a lista dos nomes que substituirão ministros na Esplanada.

Ex-apoiadora do governo, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) disse que a saída de Azevedo foi “recado importante”. Já o senador Alvaro Dias (Podemos-PR), escreveu que a reunião de demissão do ministro da Defesa durou cerca de 3 minutos.

Já o líder da minoria no Senado, Jean Paul Prates (PT-RN), declarou que ainda não é possível enxergar uma perspectiva de melhora nas pastas que tiveram seus ministros trocados.

“Entra ministro e sai ministro e a incompetência deste governo deve continuar em alta: faltam vacinas, medicamentos, leitos de UTI e, principalmente, falta o compromisso do governo com salvar vidas nesta pandemia. Infelizmente, a população deve continuar sofrendo porque não adianta trocar os funcionários do 2º escalão, quando o problema está no chefe deles”, disse.

Até às 18h45 desta 2ª feira (29.mar), nenhum dos filhos do presidente havia se manifestado pelas redes sociais ou através de notas sobre as mudanças na Esplanada.



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