sexta-feira, abril 09, 2021

POLÍTICA

 Após pressão das Forças Armadas, Bolsonaro é aconselhado a evitar termo “meu Exército”.



Diante da pressão de integrantes da Forças Armadas, Jair Bolsonaro tem evitado usar o termo “meu Exército” em solenidades públicas ou em conversas com apoiadores nos últimos dias.

Ontem, durante visita à cidade de Chapecó (SC), Bolsonaro disse o Exército Brasileiro não vai ajudar governadores a instituir medidas restritivas. Mas, ao contrário de outras ocasiões, Bolsonaro não usou a expressão “meu Exército” para se referir à tropa. “Não vai ter lockdown nacional. Como alguns ousam dizer por aí, que as Forças Armadas deveriam ajudar alguns governadores, nas suas medidas restritivas. O nosso Exército Brasileiro não vai a rua para manter o povo dentro de casa”, disse Bolsonaro.
Hoje, durante solenidade de promoção de 16 oficiais-generais, Bolsonaro voltou a dizer que “o nosso Exército” é o responsável por garantir a estabilidade democrática. “O nosso Exército de Respeito, de orgulho, reconhecido por toda a nossa população, representa para o nosso Brasil, uma estabilidade.”

Fontes das Forças Armadas afirmaram a O Antagonista que essa mudança de postura do presidente ocorreu após alertas do alto-comando do Exército. Os militares estavam incomodados pela forma personalista como Bolsonaro estava tratando os integrantes das Forças Armadas. Além disso, o ministro da Defesa, Braga Netto, tem aconselhado o presidente a evitar o termo “meu Exército” para esfriar o ânimo dos militares, principalmente os da ativa.

A própria escolha do general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira para o comando do Exército também foi vista como uma derrota de Jair Bolsonaro.

Apesar das mortes por Covid e do fundo de poço econômico, empresários ovacionam Bolsonaro em jantar.



Sobre uma pilha com mais de 341 mil cadáveres, sem nenhum plano do governo para resolver as crises sanitária e econômica, com pouca esperança de que as prometidas reformas se concretizem. Apesar desse cardápio indigesto, o presidente Jair Bolsonaro foi ovacionado em jantar com empresários na noite desta quarta-feira, dia 8, em São Paulo.

Negando convite a seus seguidores mais radicais no empresariado, como Luciano Hang (dono da Havan), Bolsonaro compartilhou taças e talheres com, entre outros, Rubens Ometto (Cosan), Claudio Lottenberg (Confederação Israelita do Brasil), Rubens Menin (MRV), Carlos Sanchez (EMS), André Esteves (BTG Pactual), Alberto Saraiva (Habib’s), José Roberto Maciel (SBT), Paulo Skaf (Fiesp), além do anfitrião, Washington Cinel, dono do grupo que leva seu sobrenome.

Embora temas como reformas estruturais tenham sido abordados durante o regabofe, a principal tônica, segundo os presentes, foi a vacinação no ritmo mais acelerado possível. Não houve detalhamento, porém, de como essa intenção vai virar realidade.

Segundo um empresário presente, Bolsonaro foi o último a falar. E teria sido “ovacionado” ao se comprometer com a imunização da população. Em sua fala, Bolsonaro acabou elogiando indiretamente o seu desafeto João Doria, ao destacar que o País tem duas fábricas próprias de vacina – uma da Fiocruz, no Rio de Janeiro, e outra do Instituto Butantan, em São Paulo.

O presidente também tentou instar os empresários a focar nos aspectos positivos do governo, e não apenas nos negativos. Muitos dos presentes devem ter coçado a cabeça nesse momento.

A aproximação entre empresários e Bolsonaro vem na esteira de uma carta, divulgada no fim de março, em que economistas e banqueiros cobravam uma mudança na condução do governo em relação à economia e ao combate à pandemia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário