sexta-feira, abril 16, 2021

POLÍTICA

 Em um Estado Democrático de Direito, Bolsonaro e Kajuru já estariam presos.



Quando dois agentes públicos, da estatura de um chefe de Estado e de um parlamentar, se encontram, há regras a seguir.

Quando se ultrapassa, e muito!, o limite do decoro e, em tese, das leis, o verdadeiro Estado Democrático de Direito precisa agir.

O senador por Goiás, Jorge Kajuru, procurou o presidente Jair Bolsonaro e lhe fez o seguinte pedido: fale bem de mim para o Brasil.

Por sua vez, o amigão do Queiroz respondeu: mude o objeto da CPI da Covid e eu falarei bem de você, “não tem problema nenhum”.

O pai do senador das rachadinhas e da mansão de 6 milhões de reais também pediu ao parlamentar para perseguir ministros do Supremo.
De forma sabuja e servil, Kajuru disse já ter atendido o pedido presidencial antes mesmo que lhe fosse pedido; prova de que é o trigo, e não o joio.

O que o senador fez tem, em tese, nome e sobrenome: corrupção ativa. O que o presidente fez tem, em tese, nome e sobrenome: corrupção passiva.

Há também, em tese, um termo jurídico-criminal para a proposta do devoto da cloroquina ao seu interlocutor: advocacia administrativa.

Tanto pior quando vinda do presidente da República. Tanto pior quando o objetivo é a franca interferência nos demais Poderes.

Kajuru é inexpressivo na política nacional. Foi eleito na onda das sub-celebridades sedizentes “cidadão de bem” contra a velha política.

Jair Bolsonaro era inexpressivo. Não é mais! É um perigo ambulante para a saúde pública e para a democracia brasileira.

Quando se juntam e conspiram abertamente contra o Poder Legislativo e o Poder Judiciário, tornam-se potencialmente criminosos.

Kajuru segue seu mandato sem ser incomodado. Bolsonaro segue seu mandato sem ser incomodado. O Brasil segue para a morte… incomodado.

Senadores recebem mensagens em massa contra o STF e Pacheco é acionado.



Desde o início da manhã desta quinta-feira (15), senadores estão recebendo, pelo celular, dezenas de mensagens com o mesmo conteúdo.

O texto padrão, disparado em massa pelo WhatsApp, cobra apoio dos parlamentares para urgência na tramitação de uma proposta apelidada de PEC do Judiciário, de autoria do senador governista Marcos Rogério (DEM), que autoriza o Congresso a sustar atos do Poder Judiciário.

“Não podemos permitir que o STF governe o Brasil. Apenas o Senado dispõe de ferramentas constitucionais para frear os abusos cometidos pelo STF, principalmente em decisões monocráticas”, dizem as mensagens.

Para um dos parlamentares, o provável responsável pelo disparo das mensagens acabou, por engano, enviando também uma mensagem na qual orienta outras pessoas a enviarem o texto.

“Esse é o card que iremos disparar para todos os senadores. Vocês podem enviá-lo com uma breve apresentação”, afirmava a mensagem, apagada em seguida, acrescida do texto padrão que está sendo disparado.

Incomodados com as dezenas de mensagens iguais e desconfiados da atuação de robôs, senadores acionaram Rodrigo Pacheco para que o episódio seja investigado.

O Antagonista ligou para o autor dessa mensagem com as orientações para disparo do texto padrão. Ele se identificou como pastor Domingos Ferreira de Santana, de uma igreja evangélica em Sergipe, e admitiu a ação. Segundo o pastor, “mais de 2 mil pessoas” estão enviando as mensagens e, ainda de acordo com ele, não há a participação de robôs.

“Isso aí é espontâneo. São pessoas comuns, brasileiros que estão fazendo essa atividade aí. É um trabalho de formiguinha. Formamos grupos com líderes religiosos e gente da sociedade que se sente coagida com as decisões do Supremo Tribunal Federal e estamos aí a pressionar o Senado a agir em favor da nação.”

O pastor negou que esteja agindo a mando de algum político. E afirmou, ainda, que não se considera “bolsonarista”.

“Não vejo por esse viés. Não estamos levantando bandeira partidária. Estamos defendendo a nossa nação, o nosso Brasil.”

Pedimos para o pastor explicar a PEC citada nas mensagens. “No momento, não estou com ela em mãos”, respondeu.

Muito provavelmente, pelo apelido da proposta usado no texto padrão, trata-se de uma PEC apresentada no ano passado por Marcos Rogério. Na época, o senador do DEM de Rondônia defendeu “legítimos instrumentos de controle dos excessos” do Poder Judiciário.


Um comentário:

  1. Essa gente está destruindo o Brasil, condenando nosso povo ao desemprego, à fome, à miséria e à doença. Enquanto isso, Congresso e Judiciário ficam só olhando, sem tomar medidas efetivas para parar o genocídio e a entrega do nosso país de graça aos especuladores financeiros...

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