terça-feira, abril 20, 2021

POLÍTICA

 Declaração de Bolsonaro de que Brasil “merece sofrer” se eleger Lula repercute internacionalmente.



Jornais destacaram a vantagem do ex-presidente nas pesquisas de opinião e a abertura da CPI do Genocídio.

O comentário feito pelo presidente Jair Bolsonaro nesta segunda-feira (19) sobre os apoiadores do ex-presidente Lula gerou repercussão negativa na imprensa internacional. Jornais e agências de notícias reportaram a fala de que quem votar no ex-presidente “merece sofrer”.

“Foi 8 a 3 o placar lá [no STF]. Você interprete como quiser. Agora, pelo amor de Deus, o povo que por ventura vote em um cara desses, é um povo que merece sofrer”, disse Bolsonaro em conversa com apoiadores no cercadinho do Palácio da Alvorada.
Diversas agências de notícias, dentre as quais ANSA, EFE, Télam, Reuters e Sputnik News, reportaram a declaração infeliz, que foi parar em veículos de diferentes países, principalmente da América Latina.

Na Argentina, o comentário saiu nos principais jornais e portais: Clarín, La Nación, Minuto Uno, InfoBae. Os veículos destacaram que Lula aparece na liderança de pesquisas de opinião sobre as eleições de 2022 e que o presidente será alvo da CPI do Genocídio por conta de suas omissões durante a pandemia de Covid-19.

A declaração também chegou ao México, através da Forbes, ao Equador, no El Comércio, e ao Uruguai, no tradicional El Pais. O jornal peruano Libero também reportou a informação, apontando que era difícil de acreditar na notícia.

Deputado chama ministros do STF de 'vagabundos' e 'filhos de satanás' e fala em 'derramamento de sangue'.



Circula nas redes sociais um vídeo no qual o deputado federal Otoni de Paula, do PSC do Rio de Janeiro, que já é investigado pelo STF, faz ameaças e xingamentos em um vídeo com críticas a ministros do Supremo e aos presidentes do Senado e da Câmara.

O parlamentar começa a gravação falando que “vai ter guerra civil neste país”.

“Não estou ameaçando. Quem sou eu para ameaçar? Eu só estou avisando para que, quando acontecer, vocês não digam que eu não avisei. Bolsonaro não é Dilma. Bolsonaro não é Collor. O povo está com o Bolsonaro”, diz o deputado, com olhos esbugalhados e dedo em riste.

Em seguida, vêm as ameaças, que atingem também Rodrigo Pacheco e Arthur Lira:

“Se vocês tentarem… Tenta! Tenta! Senhor Rodrigo Pacheco, ‘seu’ Barroso, ‘seu’ Gilmar Mendes, ‘seu’ Toffoli, ‘seu’ Fux, senhora Cármen Lúcia, senhor Fachin, senhoras e senhores do Supremo: não vai ter pandemia que vai segurar esse povo, não vai ter STF que vai segurar esse povo. Vai ter derramamento de sangue no Brasil se vocês fizerem o golpe contra o presidente.”

Ele continua:

“Quem disse que Bolsonaro precisa de Forças Armadas? Enquanto tiver pá, enxada e foice, ninguém tira o presidente da Presidência da República. Vai ter golpe e não vai ter contragolpe? Hein, bebê? Vocês acham que vai ter golpe e todo mundo vai ficar quietinho, porque nós temos medo da pandemia? O vírus, o vírus, o vírus são vocês, seus vagabundos, seus filhos de satanás. O vírus deste país é o STF, são os bandidos e alguns que estão no Congresso Nacional. Esses são os vírus deste país.”

Otoni de Paula ainda diz:

“É para matar ou para morrer. Estão me ouvindo? É para matar ou para morrer, mas a nossa bandeira jamais será vermelha, seus comunistas safados. Vocês não vão derrubar Bolsonaro sem antes sentir a ira patriótica do povo brasileiro.”

Otoni é pastor evangélico, ligado à Assembleia de Deus.

Em evento ao lado de Bolsonaro, Pujol cita ‘imparcialidade’ do Exército.



BRASÍLIA – No seu último evento público antes de deixar o cargo, o comandante do Exército, Edson Leal Pujol, defendeu nesta segunda-feira, 19, a “imparcialidade” e a “transparência” da Força. O general participou de cerimônia alusiva ao Dia do Exército ao lado do presidente Jair Bolsonaro, que o demitiu no mês passado após atritos sobre uma maior politização da tropa. Dos atuais ministros, seis têm origem militar.

Ao discursar no evento, Pujol fez uma longa descrição sobre o papel do Exército e citou o que chamou de “simbiose histórica entre a força terrestre e o povo brasileiro” como fato preponderante para que a sociedade mantenha a confiança na instituição. “Na fiel observância dos preceitos constitucionais, regidos pelo princípio da ética, da probidade, da legalidade, da transparência e da imparcialidade, conectado no tempo e no espaço e aos genuínos anseios do povo brasileiro, o Exército sempre se fará presente”, afirmou o general.

Em seguida, ao se dirigir ao seu local no palco, Pujol deu um longo abraço em Bolsonaro. A cerimônia em que passará o comando para o general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, escolhido para substituí-lo no cargo, está marcada para esta terça-feira, 20.

Ao falar no evento, Bolsonaro, por sua vez, disse que é o Exército quem dá sustentação “para que ninguém ouse ir além da Constituição”. “Nossa democracia e a nossa liberdade não tem preço. Os deveres são constitucionais, mas nós jogamos e sempre jogaremos dentro das quatro linhas da nossa Constituição. Essa é a certeza, essa é a tranquilidade que o nosso povo pode ter com o nosso Exército Brasileiro. Nós sempre estaremos dentro destas quatro linhas”, disse Bolsonaro.

No fim de março, na véspera do 57º aniversário do Golpe Militar, Bolsonaro demitiu a cúpula das Forças Armadas. Pujol (Exército), Ilques Barbosa Júnior (Marinha) e Antônio Carlos Bermudez (Aeronáutica) foram desligados por não concordarem com a politização das Forças Armadas desejada por ele. Foi a primeira vez na história que um presidente trocou a cúpula militar do País no meio do mandato. A saída foi comunicada um dia após o presidente demitir o então ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, pelo mesmo motivo.

Com a ajuda do novo ministro da Defesa, o general Braga Netto, Bolsonaro agiu rápido para nomear novos comandantes. Como apurou o Estadão na época, Bolsonaro recebeu recados para privilegiar o critério de antiguidade, mas não nomeou os mais experientes de cada força.

No Exército, Paulo Sérgio não era a primeira opção de Bolsonaro. Pesou a favor do general, porém, o fato de ter um perfil apaziguador, hábil no trato com subordinados e um estilo “um manda, outro obedece”, como definiu certa vez o general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde que teve a gestão marcada apenas pelo cumprimento de ordens do presidente.

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