terça-feira, abril 06, 2021

POLÍTICA

 Militares foram 'sábios' ao escolher Constituição em vez de Bolsonaro, diz Financial Times.



A saída do comando máximo das Forças Armadas do governo Bolsonaro na semana passada é "motivo de comemoração", destacou o jornal britânico Financial Times em editorial publicado na segunda-feira (5/4).

"Entre a lealdade a um presidente errático e imprevisível que desprezou abertamente o Congresso e os tribunais ou jurar fidelidade à Constituição do Brasil, eles sabiamente escolheram a última opção", decretou o jornal econômico.

Fundado em 1888, o Financial Times é um dos jornais mais tradicionais do Reino Unido. O diário é conhecido por estar entre as principais leituras de líderes mundiais e por embasar debates políticos e econômicos em todo o mundo.

Na semana passada, a troca de seis ministros do governo Bolsonaro, incluindo o da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, foi seguida pela entrega de cargos, em conjunto, dos líderes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

A crise sem precedentes nas Forças Armadas foi detonada às vésperas do aniversário do golpe militar de 1964.
Foi a primeira vez que os três comandantes das Forças Armadas deixaram seus cargos ao mesmo tempo por discordância com o presidente da República.

Bolsonaro estaria irritado com a falta de apoio das Forças Armadas a bandeiras do governo. Por outro lado, a liderança militar estaria insatisfeita com a a condução do governo federal no combate à pandemia.

Para o Financial Times, os comandantes deram um "impulso à democracia" ao permanecerem "leais à Constituição".

O jornal destacou a "grave crise sanitária" gerada pelo presidente Bolsonaro ao minimizar a importância da pandemia, "resistindo ao uso de máscaras, zombando da vacinação e recusando-se a implementar lockdowns".

Em sua carta de demissão da pasta da Defesa, o general da reserva Fernando Azevedo e Silva disse ter preservado "as Forças Armadas como instituições de Estado" - algo também ressaltado pelo editorial do jornal inglês.

A fala foi vista como uma crítica às tentativas de Bolsonaro de "politizar" os quartéis.


Apesar de três generais e um ministro terem deixado seus postos, estima-se que 6 mil militares tenham cargos em diferentes áreas do governo Bolsonaro

Essa debandada seria um "compromisso dos chefes das Forças Armadas com a 'institucionalidade'", segundo o jornal.

Ao lado dos militares, o Financial Times também destaca o Supremo Tribunal Federal (STF) e sua "firmeza louvável" em resistir às tentativas de Bolsonaro de assumir poderes em situações de emergência ou de vetar lockdowns impostos por autoridades locais, e o Congresso, que teria assumido a postura de "sinal amarelo", exigindo uma mudança de curso de Bolsonaro sob risco de impeachment.

Militares no governo Bolsonaro

O editorial desta segunda-feira foi publicado dois dias depois de o mesmo jornal publicar outro editorial apontando que o presidente Jair Bolsonaro estaria "está mais isolado do que nunca".

Sob o título "O pesadelo de coronavírus do Brasil: Bolsonaro está mais isolado do que nunca", o texto destacava que "a mudança aprofundou a crise política sobre a oposição teimosa de Bolsonaro aos bloqueios e as ameaças do ex-capitão do Exército de usar os militares contra as autoridades locais que tentaram impô-lo".

A visão publicada na segunda (05/04) pelo Financial Times sobre postura das Forças Armadas não vai de encontro à interpretação de alguns analistas brasileiros, contudo.

Apesar de três generais e um ministro terem deixado seus postos, estima-se que 6 mil militares tenham cargos em diferentes áreas do governo Bolsonaro, como a vice-presidência, cadeiras em ministérios e chefia de empresas estatais.

O próprio editorial do jornal inglês diz que as Forças Armadas foram cortejadas por Bolsonaro "com centenas de cargos no governo, bem como aumentos generosos nos gastos militares".

Durante dez meses, ou na maior parte da pandemia, o general da ativa Eduardo Pazuello esteve à frente do Ministério da Saúde em uma gestão que foi duramente criticada no Brasil. Pazuello estimulou o uso de medicamentos sem eficácia comprovada e está sendo investigado por omissão durante a escassez de oxigênio hospitalar em Manaus em janeiro deste ano.

Quando deixou a pasta, o Brasil contava 270 mil mortos por covid-19.

"A troca nas Forças Armadas demonstra um distanciamento desses generais com o governo, mas não é uma crise. O apoio e participação dos militares continuam, eles escolheram fazer parte desse jogo, escolheram participar do governo e deram um aval a Bolsonaro. Vivemos um momento muito preocupante em relação à democracia", disse na semana passada à BBC News Brasil o professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), Juliano Cortinhas.


Então comandante do Exército, Pujol disse que pandemia 'talvez seja a missão mais importante de nossa geração'

Por outro lado, a saída dos comandantes das Forças Armadas do governo Bolsonaro mostra ao menos uma discordância pontual. O ex-comandante do Exército Edson Pujol, por exemplo, era crítico à postura do presidente em relação à pandemia.

No ano passado, quando o presidente tentou cumprimentar o general com um aperto de mão, Pujol ofereceu o cotovelo (cumprimento adotado por muitas pessoas na pandemia para evitar a contaminação por covid-19).

Pujol também havia afirmado no ano passado que o papel dos militares não é se envolver em política.

"Não queremos fazer parte da política, muito menos deixar ela entrar nos quartéis", disse Pujol em um evento online.

'Auto-golpe' e tese de fraude

"Muito ainda pode dar errado", diz o editorial do Financial Times, destacando como Bolsonaro, "abertamente fã da ditadura brasileira de 1964 a 1985, apareceu no ano passado em manifestações pedindo o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal".

"Isso despertou temores de que ele pudesse estar flertando com a ideia de suspender a democracia e governar por decreto com o apoio das Forças Armadas, como Alberto Fujimori fez no Peru em seu 'autogolpe' de 1992."

O jornal também menciona as eleições brasileiras de 2022, em que Bolsonaro possivelmente concorrerá com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e faz um alerta: "se derrotado, Bolsonaro pode tentar uma reivindicação Trumpiana de uma 'eleição roubada' e reunir seus partidários, incluindo tropas e policiais, para um ataque como o feito no Capitólio americano em Brasília".

Para o jornal britânico, Bolsonaro "demonstrou repetidamente pouca consideração pela democracia e pela vida de seus conterrâneos".

"À medida que sua popularidade diminui e suas perspectivas de reeleição diminuem, aumenta o risco de ele apostar em um desafio aberto à democracia."

"Em um ambiente tão febril", o compromisso dos comandantes militares, do Congresso e do Judiciário em defender a democracia brasileira neste "é um sinal vital e positivo", finaliza o jornal.

Homem que gastou R$ 2,4 milhões em férias volta a dizer que 'o Brasil precisa voltar a trabalhar'.



O presidente Jair Bolsonaro voltou a dizer nesta segunda (5) que “o Brasil precisa voltar a trabalhar”.

Em cerimônia de entrega de 435 moradias a famílias de baixa renda em São Sebastião (DF), o presidente disse sobre beneficiários do programa Casa Verde e Amarela, repaginação do Minha Casa Minha Vida, que “só Deus sabe como estão sobrevivendo”.

Não houve auxílio emergencial no primeiro trimestre.

As férias de fim de ano do presidente custaram R$ 2,4 milhões.

Patriota expulsa Fernando Holiday para atrair ida de Bolsonaro para partido.



O partido Patriota expulsou na última segunda-feira (29) o vereador Fernando Holiday. A decisão da sigla tem como objetivo atrair a ida do presidente Jair Bolsonaro para a legenda. As informações são da Folha de S. Paulo.

O vereador recusou declarar apoio ao deputado Arthur Lira (PP-AL) para a presidência da Câmara, candidato apoiado por Bolsonaro. “Eu discordo da decisão do partido porque eu estava no âmbito da minha liberdade de expressão”, disse o vereador, que apoiou Marcel Van Hattem (Novo-RS). Fernando Holiday também saiu do MBL (Movimento Brasil Livre), que apoiou Baleia Rossi (MDB-SP).

O vereador disse que não pretende recorrer da decisão e que a relação com o partido já estava desgastada.  “A possibilidade de o Bolsonaro entrar no partido fez com que nossos caminhos acabassem se distanciando”, disse Holiday.

O Patriota pretende expulsar outros filiados que façam críticas ao presidente, como o vereador de São Paulo Rubinho Nunes  e o deputado estadual Arthur do Val, conhecido como “Mamãe Falei”.

Relator recomenda arquivamento de caso de Eduardo Bolsonaro no Conselho de Ética.



BRASÍLIA (Reuters) - O relator do caso de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) no Conselho de Ética na Câmara, Igor Timo (Podemos-MG), recomendou nesta segunda-feira o arquivamento da representação contra o deputado por quebra de decoro parlamentar.

A representação contra o filho do presidente foi apresentada pela Rede, e depois aditada pelo PT, PSOL e pelo PCdoB, após declarações de Eduardo em outubro de 2019, quando o parlamentar afirmou que o governo Bolsonaro poderia lançar mão de um instrumento como o AI-5, adotado pela ditadura militar, caso a esquerda radicalizasse sua atuação.

"Após exame apurado das iniciais, porém, entendemos que, conquanto a autoria e a materialidade dos fatos declinados nas representações estejam devidamente demonstradas, as condutas descritas não configuram afronta ao decoro parlamentar", diz o relator no parecer preliminar lido nesta segunda-feira no Conselho de Ética, a ser votado na quinta-feira desta semana.

"Em que pese, porém, entendamos — com amparo em todo o que foi exposto — que o excesso de linguagem pode configurar, em tese, quebra de decoro parlamentar, é preciso ter muito cuidado para que não se utilize desse expediente para 'perseguir parlamentar ameaçando de cassação por sua atuação mais incisiva em relação ao governo ou aos seus pares'", argumentou Timo.

Para o relator, apenas "casos excepcionais, de extrema gravidade, e que afetem a honra do Parlamento" poderiam configurar quebra de decoro.

Em outubro de 2019, numa entrevista à jornalista Leda Nagle, Eduardo afirmou que "Vai chegar a um momento em que a situação vai ser igual ao final dos anos 60 no Brasil, quando sequestravam aeronaves, quando executavam e sequestravam grandes autoridades, cônsules, embaixadores, execução de policiais e militares",

"Se a esquerda radicalizar a esse ponto, a gente vai precisar ter uma resposta. Uma resposta ela pode ser via um novo AI-5, pode ser via uma legislação aprovada através do plebiscito, como ocorreu na Itália, alguma resposta vai ter que ser dada porque é uma guerra assimétrica, não é uma guerra onde você está vendo o seu oponente do outro lado e você tem que aniquilá-lo, como acontece nas guerras militares. É um inimigo interno de difícil identificação aqui dentro do país, espero que não chegue a esse ponto, né, mas a gente tem que estar atento", completou, na ocasião.

A representação cita, ainda, declaração proferida pelo deputado dias antes em plenário em que ele teria feito menção ao período da ditadura militar no país ao dizer que a história poderia "se repetir" no Brasil.

Nesta segunda-feira, em rápida declaração no Conselho de Ética, Eduardo argumentou que a representação foi apresentada por partidos que integram a oposição a ele e ao governo de Jair Bolsonaro, e os acusou que de fazer política "judicializando" e recorrendo ao Conselho de Ética.

"De maneira alguma, eu fiz metade ou 10% do que eles me acusam neste processo. Então, nesse sentido, eu declaro que não quebrei o decoro parlamentar. De maneira nenhuma, incitei qualquer tipo de contradição às normas constitucionais. E é dessa maneira que eu reafirmo e reitero a minha defesa já feita em 2019 para que este processo seja arquivado", disse o deputado nesta segunda-feira.

O Ato Institucional número 5 foi decretado em dezembro de 1968 e representou o início do período mais duro da ditadura militar no país, com o fechamento do Congresso Nacional e um aumento na quebra dos direitos humanos.

Um comentário:

  1. Gente, deixemos de ser inocentes úteis: militares abandonam Bolsonaro e defendem a democracia?
    Ah, por favor? Seis mil militares em cargos civis; Ministro da Defesa defendendo a ditadura; vice presidente comemorando o golpe militar? Reforma da previdência que lhes aumenta o salário e lhes garante integralidade e paridade com os militares da ativa? Aumento do orçamento da Defesa, superando os Ministérios da Educação e da Saúde? Piada pronta eles fingirem estar fora do governo e defenderem a democracia e o republicanismo, não?

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