sexta-feira, maio 07, 2021

POLÍTICA

 CPI do Genocídio: Tasso quer que Abin explique “guerra química” declarada por Bolsonaro.



O senador tucano afirmou que caso Bolsonaro esteja mentindo, se trata de "injúria ou calúnia" contra a China e um "boicote intencional" à compra de vacinas.

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) anunciou nesta quinta-feira (6) que vai pedir a convocação do “responsável pela Abin”, a Agência Brasileira de Inteligência, para explicar a declaração de Jair Bolsonaro (Sem partido) de que há uma “guerra química” que foi desencadeada pela China com a pandemia do coronavírus.

“Eu gostaria de colocar que ontem o Presidente da República fez uma das declarações mais graves e sérias que já ouvi, de que a pandemia, o coronavírus, poderia fazer parte de uma guerra química provinda da sua origem, evindetemente ele não falou o nome, da China”, disse Jereissatti logo na abertura dos trabalhos da comissão, que toma o depoimento do atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.
O senador tucano afirmou que caso Bolsonaro esteja mentindo, se trata de “injúria ou calúnia” contra a China e um “boicote intencional” à compra de vacinas.

“Isso é muito grave, pois se estamos vivendo uma guerra química é uma das piores situações desde a Segunda Guerra Mundial. Se não, estamos fazendo uma injúria ou uma calúnia ao nosso maior fornecedor de vacinas neste momento. Eu gostaria de fazer o requerimento verbal agora, mas vou fazer por escrito, para que convidássemos o responsável da Abin para explicar essa questão de guerra química, se existe ou não existe. Se não existe, é um verdadeiro boicote intecional à compra de vacinas ou envio de vacinas da China”, afirmou Tasso.

Bolsonaro diz ter “provas” que Aécio venceu de Dilma Rousseff as eleições de 2014.



Ele repetiu também que venceu de Haddad as eleições de 2018 ainda no primeiro turno

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) esteve no Rio de Janeiro, no Palácio Guanabara, nesta quarta-feira (5), para reunião com o governador Cláudio Castro (PSC), secretários de Estado e deputados que o apoiam.

Na ocasião, o presidente disse que “tem provas” de que Aécio Neves venceu a eleição para presidente, em 2014. Ele repetiu ainda que venceu de Fernando Haddad (PT) as eleições de 2018 ainda no primeiro turno.

A conversa surgiu por conta da pregação de Bolsonaro a favor do voto impresso e contra a urna eletrônica o que, segundo ele, provoca fraudes nas eleições.

O presidente disse ainda que o Judiciário “fará de tudo” para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja candidato à presidência, o que lhe dá “certeza” de que a eleição de 2022 será fraudada.

Senadores chamam Pazuello de 'cara de pau' após visita de Onyx.



Em caráter reservado, senadores chamaram Eduardo Pazuello de “cara de pau” e descreveram sua atitude ao receber Onyx Lorenzoni nesta quinta-feira (6) como “esculhambação”, relata Ana Viriato na Crusoé.

Dois dias atrás, o ex-ministro da Saúde pediu o adiamento de seu depoimento na CPI da Covid —o que os senadores fizeram— alegando estar em isolamento depois de ter tido contato com infectados pelo coronavírus.

Senadores falam em condução coercitiva após Pazuello se esquivar de CPI e receber visita de Onyx.


Onyx Lorenzoni visita hotel onde se hospetad o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello 


Senadores citaram a medida após o Estadão revelar que Pazuello recebeu, na manhã desta quinta-feira, uma visita do ministro Onyx Lorenzoni (Secretaria-Geral da Presidência) no Hotel de Trânsito de Oficiais, onde supostamente estaria em isolamento depois de ter contato com dois servidores que contraíram a doença.

O argumento de que esteve em "contato direto" com dois servidores infectados foi usado por Pazuello oficialmente, em documento encaminhado pelo Exército, para não comparecer ao depoimento na CPI, agendado para quarta-feira, dia 5. Os senadores então deram um voto de confiança e adiaram o depoimento para 19 de maio.

No entanto, como revelou o Estadão, Pazuello não manteve medidas de isolamento e se reuniu com Onyx, que foi escalado como articulador da estratégia de defesa do governo Jair Bolsonaro na CPI.

"O ministro Onyx resolveu correr o risco de visitar o senhor Eduardo Pazuello no dia de hoje. Estranho. Ele informou a essa CPI que estava infectado com a covid-19 (na verdade, o ex-ministro disse que manteve contato com duas pessoas infectadas). Me parece que é uma infração sanitária", disse o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Indignado, o relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), repetia na mesa da CPI: "Condução coercitiva". O senador Fabiano Contarato (Rede-ES), que é delegado de polícia, concordou: "No processo penal, isso é condução coercitiva."

Já o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), afirmou não ver crime no fato de Pazuello ter recebido a visita de Onyx após dizer que não poderia comparecer à comissão para depoimento porque teve contato com pessoas infectadas com o novo coronavírus e precisaria entrar em quarentena. Aziz rechaçou propostas de condução coercitiva ou de busca e apreensão sugeridas por senadores da oposição.

"Primeiro, temos que torcer para o ex-ministro não estar com covid e não contaminar o Onyx. A segunda coisa: não foi o Pazuello que foi ao Onyx. Foi o Onyx que foi fazer uma visita. Isso é uma questão pessoal deles. Ninguém pode proibir alguém de visitar alguém. Não temos poder para isso", disse.

Diante de protestos de membros da CPI contra a conduta de Pazuello, o presidente pediu cautela aos pares. "Qual foi o crime que o ex-ministro cometeu? Por isso que as pessoas acham que a gente quer politizar isso daqui", comentou.

O assunto entrou em debate na CPI após o senador Jean Paul Prates (PT-RN) mostrar a foto publicada pelo Estadão e citar a reportagem para perguntar ao presidente da CPI se alguma providência seria tomada.

Relator da comissão, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) também descartou a possibilidade de adoção de medidas mais duras contra Pazuello. "Ele precisa colaborar e deixar de usar o Exército como biombo para não vir à CPI. Isso é extremamente irresponsável", disse.

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