terça-feira, maio 18, 2021

POLÍTICA

 PRTB nega entregar comando a Bolsonaro e presidente continua sem partido.



Em abril, Bolsonaro recebeu os três filhos de Levy Fidelix em Brasília, uma semana após a morte do até então presidente da legenda. Levy Filho, Karina e Lívia estiveram no Palácio da Alvorada em uma reunião que também contou com a presença de Karina Kufa, advogada eleitoral do presidente, e do ministro do Turismo, Gilson Machado.

Levy Filho, que é secretário-geral do PRTB, e desempenha o papel de articulador político da sigla, era o mais entusiasta da ideia de filiar Bolsonaro no partido, que não tem nenhum representante no Congresso e é considerado nanico. Ele se dispôs a dar total controle da sigla ao presidente da República. No entanto, a irmã Karina Fidelix resistia. Ela tem pretensões de exercer, ao lado do marido, Rodrigo Tavares, presidente do PRTB-SP, o comando da legenda. Livia, por sua vez, não demonstrou ter opinião fechada sobre dar ou não o aval a Bolsonaro para tomar o PRTB da família.

Auxiliares do presidente da República afirmaram que não faria sentido Bolsonaro ir para um partido pequeno e não ter o total controle sobre ele. Há também negociações com outras siglas, como PMB, que mudou o nome para Brasil 35, e Democracia Cristã (DC). O presidente havia dito que definiria seu destino partidário até o fim de abril, antes disso, Bolsonaro havia dado o mês de março como prazo para sua decisão. Até agora, porém, não definiu seu destino.
As frustradas negociações para a ida ao PRTB e também para um eventual retorno ao PSL contribuíram para o atraso na escolha do destino. O vice-presidente do PSL, Antonio Rueda, era quem liderava o diálogo com Bolsonaro. Auxiliares do presidente disseram ao Estadão que a volta dele à antiga sigla está descartada.

A avaliação foi a de que Rueda fez várias promessas de entregar o comando do partido a Bolsonaro, mas recuou na hora de se comprometer e firmar um acordo sobre isso. Bolsonaro deixou o PSL em novembro de 2019 após desavenças com o presidente da sigla, o deputado Luciano Bivar (PE).

O principal motivo para a saída foi a briga por causa do controle do caixa da legenda. Em 2018, o PSL se tornou uma superpotência partidária ao eleger o presidente, 54 deputados, quatro senadores e três governadores, na esteira do bolsonarismo. Com isso, a legenda deve ter neste ano a maior fatia dos recursos públicos destinados a partidos, de R$ 103,2 milhões.

O Estadão ouviu de integrantes da cúpula do PSL que, para voltar à sigla, Bolsonaro cobrou um "alinhamento ideológico" e a expulsão de deputados que têm feito críticas mais fortes a ele, como Júnior Bozzella (PSL-SP), Julian Lemos (PSL-PB), Joice Hasselmann (PSL-SP) e Delegado Waldir (PSL-GO).

Bolsonaro critica isolamento na pandemia: ‘Tem alguns idiotas que até hoje ficam em casa’.



O presidente Jair Bolsonaro chamou de “idiotas” os brasileiros que ficam em casa, seguindo recomendações de autoridades sanitárias para evitar a disseminação do coronavírus. “Tem alguns idiotas que até hoje ficam em casa”, disse ele em conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, na manhã desta segunda-feira, 17.

Com mais de 80% da população ainda sem ter recebido a primeira dose da vacina no País, o distanciamento social é considerado por cientistas e especialistas em saúde como forma mais eficaz de se evitar a propagação do vírus. Já são mais 434 mil mortos pela doença no Brasil. Bolsonaro fez o comentário em resposta a um apoiador que citou o ato de sábado, 15, na Esplanada dos Ministérios, puxado por setores do agronegócio.

“O agro realmente não parou. Tem uns idiotas aí... O ‘fique em casa’... Tem alguns idiotas que até hoje ficam em casa. Se o campo tivesse ficado em casa, esse cara tinha morrido de fome, esse idiota tinha morrido de fome. Daí, ficam reclamando de tudo. Quem tem salário fixo ou aposentadoria gorda, pode ficar em casa a vida toda.”

As declarações de Bolsonaro contrárias a estratégias de controle do coronavírus, como isolamento social e mesmo à vacinação, têm sido motivo de críticas e questionamentos da CPI da Covid no Senado, aberta para investigar a possível omissão do governo federal no combate à doença no País.

O presidente coleciona declarações que minimizam a crise sanitária e em alguns casos são consideradas desrespeitosas com as famílias que perderam parentes devido à covid-19. Acusações contra a imprensa, que em sua visão faz “alarmismo”, também são frequentes em seus discursos.

Em manifestações recentes de apoio ao presidente, têm sido comuns críticas a medidas de isolamento social decretadas por governos locais, críticas ao Supremo Tribunal Federal e a defesa do voto impresso, outra bandeira do presidente e seus apoiadores.

De olho em 2022, Bolsonaro afirmou no sábado, 15, que somente Deus pode tirá-lo da Presidência e que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apontado como seu possível principal adversário na disputa, só venceria em caso de fraude. “Já falei que sou ‘imorrível’, já falei que sou ‘imbrochável’ e também sou ‘incomível’”, disse nesta segunda aos apoiadores.

Na contramão de bolsonaristas, deputados dizem que voto impresso é 'mimimi' para 'tumultuar'.



A comissão especial da PEC do Voto Impresso, na Câmara, vai começar a funcionar hoje. Para entrar em vigor, proposta ainda precisaria passar pelo Senado.

Na contramão do raciocínio dos colegas bolsonaristas, o deputado José Nelto (Podemos) disse que discutir voto impresso agora é “alimentar uma narrativa trumpista” no Brasil.

“O voto impresso e auditável é uma narrativa dos bolsonaristas para, se Jair Bolsonaro não for reeleito, tumultuarem o país. Simples assim. Discutir isso agora é alimentar uma narrativa trumpista para, lá na frente, eles alegarem que houve fraude e prepararem golpe.”

Nelto acrescentou:

“As urnas eletrônicas deram certo no Brasil. Não há fraude alguma comprovada. E mais: vamos gastar dinheiro com isso em um momento em que o país cortou até o censo? Eles querem é bagunçar o sistema eleitoral e nós não podemos permitir.”

O deputado do Podemos de Goiás ainda provocou os colegas:

“Quem foi eleito pelo sistema eletrônico e diz que esse sistema suscetível a fraudes deveria renunciar. Voto impresso é voto de cabresto.”

Júnior Bozzella (PSL) faz ressalvas semelhantes às de Nelto. Ele comentou com este site:

“O sistema eleitoral do Brasil é considerado um dos mais seguros e eficientes do mundo. Nunca tivemos indícios de fraude ou qualquer outra questão que justificasse a sua substituição. Tudo o que vem do Bolsonaro é dúbio e dissimulado. Ele opera nas sombras e nunca deixa aparente as suas reais intenções. A questão do voto impresso tem que ser amplamente debatida para termos certeza de que esse modelo dará mais segurança e agilidade às eleições ou se será apenas mais um instrumento para gerar instabilidade no processo eleitoral. Ou até para a tentativa de anulação de eleições legítimas, no caso de eventual derrota de Bolsonaro, a exemplo do que fez Donald Trump nos Estados Unidos. O bolsonarismo usa desse mesmo expediente. Temos que ter muita cautela para não institucionalizar um instrumento de judicialização da eleição, criando um impasse que poderia tumultuar a transição e, consequentemente, abalar a democracia no país.”

O deputado Rubens Bueno, vice-presidente nacional do Cidadania, tem raciocínio parecido:

“Quem sempre defendeu o voto impresso na última eleição, em sua maioria, era eleitor do presidente Bolsonaro. Depois que ele ganhou, esqueceram-se do assunto. Agora que Bolsonaro está ameaçado de não se reeleger, voltaram à carga. Quer dizer, então, que a eleição de Bolsonaro foi fraudada e não valeu? Tenha a santa paciência! Sou declaradamente contra o voto impresso, porque vivi e conheci muita fraude, roubalheira e mandatos comprados no mapa que era recolhido no interior do país com esse sistema. Hoje apoio 100% a urna eletrônica, que dá mais segurança e não permite tipo algum de manipulação, além de ser auditável. O resto é mimimi.”

Na última sexta-feira, Luís Roberto Barroso disse não acreditar que haverá um ‘6 de janeiro’ no Brasil. A comissão especial da PEC do Voto Impresso, na Câmara, vai começar a funcionar hoje.

Paulo Guedes deve abandonar Bolsonaro em 2022.



Ministro da Economia tem sinalizado que não deve permanecer com o presidente caso ele seja reeleito.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, não está disposto a continuar no governo de Jair Bolsonaro caso ele seja reeleito, segundo O Globo.

Cada vez mais distante de emplacar reformas e privatizações, Guedes tem dito a aliados que seu objetivo é apenas “entregar um país democrático”.

Depois disso, sua “missão” estaria cumprida.

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