sexta-feira, junho 25, 2021

DIREITOS

 Covaxin: Servidor da Saúde confirma que Bolsonaro foi avisado sobre corrupção.



Ricardo Miranda, irmão do deputado Luís Miranda, diz que entregou documentos em reunião com Bolsonaro no dia 20 de março sobre esquema para importação da Covaxin.

O servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Fernandes Miranda confirmou ao jornal O Globo que levou pessoalmente a Jair Bolsonaro (sem partido) documentos que denunciam um suposto esquema de corrupção na compra da Covaxin, vacina contra Covid-19 produzida pelo laboratório indiano Bharat Biotech, que tem como intermediário no Brasil a empresa Precisa Medicamentos.
“Eu apresentei toda a documentação, o contrato que foi assinado, as pressões que estavam acontecendo internamente no ministério, e a gente levou até a casa do presidente. Conversamos com ele, mostramos todas as documentações, as pressões, e ele ficou de, após a reunião, falar com o chefe da Polícia Federal para investigar”, disse o servidor, que esteve no Palácio da Alvorada no dia 20 de março juntamente com o irmão, o deputado federal Luís Miranda (DEM-DF).

Luis Carlos Miranda é servidor público desde 2011 e diz que está à frente do departamento de importação do Ministério da Saúde desde 2016.

Na entrevista, ele diz ainda que relatou ao Ministério Público uma pressão anormal para a importação da Covaxin.

“No relato ao Ministério Público, eu (disse) que sou subordinado a um coordenador geral, o qual eu citei no meu depoimento, que é o Alex Lial Marinho, coordenador da CGLOG, coordenação logística de insumos estratégicos da Saúde, que cuida da distribuição e recebimento de vacinas. O diretor do departamento de logística, Roberto Ferreira Dias. E tive contato também com um assessor da Secretaria Executiva. Coronel Pires”, contou sobre os chefes que teriam ligado para ele inclusive fora do horário de trabalho.

Luis Miranda responde a Bolsonaro: “Sempre te defendi e essa é a recompensa?”.



Deputado atacado pelo governo através de coletiva de Onix Lorenzoni reagiu indignado: “Diga a verdade, presidente Jair Bolsonaro”.

O deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) respondeu ao presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido), através de sua conta do Twitter, na madrugada desta quinta-feira (24), aos ataques sofridos pelo governo através de entrevista coletiva do ministro Onyx Lorenzoni, da Secretaria-Geral da Presidência, nesta quarta-feira.

Miranda afirmou, se dirigindo diretamente a Bolsonaro: “você fala tanto em Deus e permite que eu e meu irmão sejamos atacados por tentarmos ajudar o seu governo, denunciando para o Senhor indícios de corrupção em um contrato do ministério da Saúde! Sempre te defendi e essa é a recompensa?”

“Diga a verdade presidente Jair Bolsonaro, e que de fato estivemos com o Senhor dia 20/03 e denunciamos uma irregularidade na aquisição da Covaxin e que o Senhor deu o devido tratamento ao caso, conforme informou que o DG da PF receberia os documentos ainda no dia 20/03”, escreveu.

Miranda ainda lembrou que ele e o irmão cobraram “no dia 20/03, 22/03, 23/03 e 24/03, e tenho certeza que tomou a melhor decisão para travar, tanto que até hoje não efetuou nenhum negócio. Então porque me atacar com Fake News através do Onix Lorenzoni???? Só tentei combater uma possível corrupção. Deus sabe da verdade!”

E encerrou: “Realmente ainda estamos sem entender… não atacamos o governo, mas mostramos algo errado e estamos sendo arcados por isso!!! O ato por si só fala muito!”

Coletiva

O governo Jair Bolsonaro convocou uma coletiva de imprensa de surpresa nesta quarta-feira (23) para comentar sobre as denúncias envolvendo o suposto esquema de corrupção na compra da vacina indiana Covaxin, da Bharat Biotech. O ministro Onyx Lorenzoni, da Secretaria-Geral da Presidência, disse que o deputado Luis Miranda (DEM-DF) “inventou essa história” para conseguir algo do governo.

Onyx afirmou que o governo Bolsonaro “vai continuar sem corrupção” (sic) e fez insinuações contra o parlamentar e o irmão dele, que é servidor do Ministério da Saúde. “Por que ele inventou essa história? O que os dois irmãos queriam na casa do presidente no dia 20 [de março]? […] Deus tá vendo, mas o senhor não vai só se entender com Deus, não. Vai se entender com a gente”, disse, em tom de ameaça.

O ministro falou em “má-fé” e “denúncia caluniosa” e disse que Bolsonaro teria mandado a Polícia Federal (PF) investigar os dois irmãos.

Governo Bolsonaro iria pagar pela Covaxin a uma empresa de fachada, diz CPI.



“No mesmo endereço da Madison Biotech já foi denunciado que 600 empresas de fachada estão registradas", disse Randolfe.

A Madison Biotech, empresa usada para tentar receber antecipadamente US$ 45 milhões da compra pelo governo Bolsonaro da Covaxin, deve ser de fachada, de acordo com a cúpula da CPI do Genocídio. O endereço da offshore é o mesmo em que investigações internacionais já apontaram que cerca de 600 empresas de fachada estão registradas.

“As informações que estamos colhendo apontam para que a Madison, usada pela Precisa para receber ilegalmente pagamento antecipado da venda da Covaxin, seja uma empresa de fachada. No mesmo endereço dela, já foi denunciado que 600 empresas de fachada estão registradas”, revelou o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) para o blog de Valdo Cruz.

Randolfe revelou ainda que a CPI vai levantar quem são os sócios da empresa, com quem ela tem transações financeiras e por quem foi criada em fevereiro do ano passado. “Essa mesma empresa está envolvida em irregularidades no Paraguai na venda da mesma vacina”, alertou o senador.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, afirmou na coletiva desta quarta-feira que a Madison é, na verdade, um braço legal da Bharat Biotech, fabricante da vacina.

Governo federal sabia que negros e indígenas seriam mais atingidos pela Covid.



Levantamento feito pelo médico Pedro Hallal e apresentado ao Palácio do Planalto, mostra que as populações indígenas e negras tinham o dobro de risco de serem infectadas pelo coronavírus quando comparadas com as pessoas brancas.

O pesquisador e médico epidemiologista Pedro Hallal (UFPEL) revelou em depoimento dado à CPI da Covid nesta quarta-feira (24), que apresentou ao governo Federal levantamento que mostrava que negros e indígenas seriam mais afetados pela pandemia. O estudo seria revelado em coletiva do Palácio do Planalto, mas, Hallal foi censurado e não pôde apresentar tais dados.

“As populações indígenas tinham 5 vezes, em média, maior risco de contaminação do que as populações brancas; as populações negras, sejam pretas ou pardas, tinham o dobro do risco de infecção do que a população branca. Esse slide que apresentava a diferença por grupos étnicos foi censurado na coletiva de imprensa do Palácio do Planalto na qual eu apresentei os resultados dessa pesquisa”, revelou Hallal.

De acordo com o pesquisador, “faltando 15 minutos para eu iniciar a apresentação no Palácio do Planalto, eu fui informado pela assessoria de comunicação de que o slide tinha sido retirado da apresentação de slides da qual eu era o apresentador”, disse.

O governo federal, desde o começo da pandemia, sempre defendeu a tese de que o vírus atingia de maneira igualitária todas as classes socais, raças e povos presentes no Brasil. Porém, com base em levantamentos empíricos, tanto Pedro Hallal, quanto a médica Jurema Werneck, desmontaram tal hipótese em seus respectivos depoimento à CPI nesta quinta-feira.

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