terça-feira, junho 01, 2021

POLÍTICA

Esquerda brasileira espera convencer Centrão a abandonar Bolsonaro, afirma jornal francês.



"A esquerda toma as ruas contra Bolsonaro" é manchete no jornal Libération. A correspondente do diário em São Paulo, Chantal Rayes, analisa o saldo dos protestos. Ela explica que, após meses de um luto diário e muita revolta devido à gestão da epidemia de coronavírus no Brasil, a parcela insatisfeita da população resolveu finalmente protestar. 

A jornalista explica que a esquerda brasileira surfa na onda da impopularidade de Bolsonaro e se apóia também no retorno do ex-presidente Lula à vida política. A insatisfação desta parcela progressista da população também é impulsionada pela CPI da Covid no Brasil, que colocou em evidência o fracasso do governo em lidar com a epidemia, boicotando o lockdown, defendendo tratamentos duvidosos e hesitando em adquirir vacinas para proteger os brasileiros.

Segundo Libération, até agora ninguém acreditava na possibilidade de um impeachment de Bolsonaro. Centenas de pedidos de destituição foram encaminhados ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, o único que tem o poder de acatar o processo. Mas, o jornal lembra que Lira faz parte do Centrão e é um aliado de Bolsonaro. 
Por outro lado, a esquerda espera que a pressão popular possa convencer o Centrão a abandonar o presidente brasileiro, a exemplo do que aconteceu com a ex-presidente Dilma Rousseff, após protestos massivos da direita em 2016. Na iminência de uma terceira onda de Covid-19, "a esquerda colocou então como desafio transformar esse quadro e insistir no tempo que resta" - 17 meses antes das próximas eleições.

Recorde de impopularidade

O jornal La Croix destaca o aumento da insatisfação com o governo Bolsonaro e as manifestações do último sábado, quando "os brasileiros conseguiram que suas vozes fossem ouvidas", escreve a correspondente do diário no Brasil, Marie Naudascher. A matéria destaca que a popularidade do líder da extrema direita nunca esteve tão baixa, 24%. 

Segundo o jornal, a CPI da Covid deixa clara a responsabilidade do presidente brasileiro na crise sanitária que vive o país e que já matou mais de 461 mil pessoas. Como se não bastasse, a variante indiana também está circulando no Brasil e a epidemia está piorando, alerta ao diário o epidemiologista Marcio Bittencourt, da USP. No Estado de São Paulo, a taxa de ocupação de leitos nas UTIs ultrapassa novamente 80%. 

La Croix explica que pouco mais de 10% da população brasileira recebeu duas doses da vacina até agora. O jornal lembra que ofertas do imunizante da Pfizer foram "propositalmente ignoradas" em 2020 e Bolsonaro também boicotou a CoronaVac - uma "omissão deliberada" do presidente brasileiro, conclui.

Dirigentes do Patriota se rebelam contra clã Bolsonaro: “Assalto ao partido”



A chegada de Flávio e Jair Bolsonaro veio acompanhada de mudanças no estatuto e racha na direção da legenda.

Integrantes da direção nacional do partido Patriota (ex-PEN) criticaram nesta segunda-feira (31) a filiação do senador Flávio Bolsonaro à legenda. Segundo eles, o presidente nacional do partido, Adilson Barroso, modificou o estatuto para abrigar o clã Bolsonaro.

“Não sabíamos da filiação do Flávio. Ele (Barroso) votou um monte de mudanças no Estatuto que não foram discutidas com ninguém. Quer dizer, foi um assalto ao partido”, disse Jorcelino José Braga, secretário-geral do Patriota, às jornalistas Jussara Soares e Mariana Muniz, de O Globo. 

Braga e outros dirigentes da legenda entraram com ação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a filiação do presidente Jair Bolsonaro, que já estaria fechada. Eles alegam que essa medida não pode ser decidida individualmente.

“Como já dito e demonstrado por amostragem, há vontade individual do Presidente Nacional Adilson Barroso de filiar o Exmo. Sr. Presidente da República Jair Bolsonaro e acomodar seu grupo político nas fileiras do PATRIOTA, decisão que é competência da convenção nacional”, diz trecho da ação, obtida por O Globo.

O vice-presidente do partido, Ovasco Resende, está entre os insatisfeitos.

Filiação da família Bolsonaro provoca rebelião no Patriota e TSE é acionado.



A ação que questiona, por exemplo, a troca de integrantes do partido na convenção nacional que tratou do assunto será relatada pelo ministro Edson Fachin.

O vice-presidente, Ovasco Resende, o secretário-geral, Jorcelino Braga, e outros integrantes do partido questionam uma série de irregularidades que o presidente da sigla, Adilson Barroso, teria cometido para abrigar o presidente da República e seu grupo político.

Barroso é acusado de ter alterado e incluído integrantes da convenção nacional do partido com direito a voto, para garantir maioria pela aprovação do novo estatuto, o que se confirmou hoje.

“Não se pode conceber que seja permitido ao Presidente Nacional do PATRIOTA, Sr. Adilson Barroso Oliveira, convocar convenção nacional de forma sorrateira, sem dar ampla publicidade aos membros do partido e aos próprios convencionais, na qual pretende sobre aprovação da filiação de figura expoente na política nacional como o Exmo. Sr. Presidente da República Jair Bolsonaro, candidato à reeleição.”

Na ação, também se atribui a Barroso a prática de “atos individuais e abruptos na gestão de um partido de caráter nacional”.

“Não bastasse a convocação de edital para realização de convenção nacional sorrateira, a toque de caixa, não é a questão mais incômoda que os requerentes vêm trazer perante Vossa Excelência. Há prática de atos ainda mais incômodos praticados pelo presidente nacional Adilson Barroso: na calada da noite, por ato individual, sem convenção partidária de eleição e substituição de membros, o presidente nacional utilizou-se de sua senha nacional do SGIP/TSE, e substituiu membros eleitos na convenção de 07/11/2018 e com direito a voto na convenção de 31/05/2021.”

Bolsolão abasteceu município de filha do dono do Patriotas, novo partido de Bolsonaro.



Com apenas 27 anos, Fabiana Barroso foi eleita vice-prefeita na chapa de Zé Marcos, do PL. Adilson gastou R$ 1,2 milhão do fundão eleitoral para campanha.

O Antagonista revelou em janeiro que o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) empenhou R$ 15,8 milhões em emendas extras para o município de Barrinha (SP), que tem como vice-prefeita Fabiana Barroso.

Fabiana, de 27 anos, é filha de Adilson Barroso, dono do Patriota, partido que receberá Bolsonaro. Flávio, que fez o anúncio hoje, já se filiou.

O prefeito de Barrinha é Zé Marcos, do PL de Valdemar Costa Neto.

Adilson gastou R$ 1,2 milhão do fundo eleitoral da legenda – que é de R$ 37 milhões – para eleger a filha e mais 5 vereadores (2 do Patriota, 2 do PL e 1 do PTC), quase metade da Câmara Municipal.

Nenhum comentário:

Postar um comentário