terça-feira, junho 22, 2021

POLÍTICA

 Oposição discute ampliar atos contra Bolsonaro e impulsionar ‘superpedido’ de impeachment.



Organizadores dos atos contra o governo Bolsonaro esperam definir, até quarta-feira, 23, o modelo e datas de novas manifestações. Com o diagnóstico de que ampliou-se a adesão aos protestos no último sábado, em relação à manifestação de maio, entidades e partidos da oposição discutem agora se devem ou não intensificar a mobilização, inclusive com ações que podem ir além das grandes passeatas.

Três fatores são considerados determinantes nos próximos passos do grupo: o avanço das investigações da CPI da Covid, o recrudescimento da pandemia e a data de entrega de um novo pedido de impeachment – desta vez assinado por diversos partidos e movimentos sociais.

Chamado de “superpedido” de impeachment por alguns signatários, o documento deve reunir as acusações de crime que constam nos mais de cem pedidos já protocolados na Câmara contra Bolsonaro. A Associação Nacional de Juristas pela Democracia (ABJD), que se uniu a advogados de partidos da oposição no plano do impeachment unificado, sinalizou a lideranças que os estudos para o documento estão avançados e que o texto estará em condições de ser apresentado nas próximas semanas. Há cerca de dois meses, uma reunião para discutir o pedido de impeachment unificado contou com a presença tanto de lideranças da esquerda quanto os deputados Joice Hasselmann e Alexandre Frota (PSDB), dois dissidentes do PSL.
Organizadores da campanha nacional contra Bolsonaro devem se reunir nesta segunda-feira, 21, e na terça para discutir a realização de novos atos. No sábado, algumas lideranças políticas defenderam aumentar ainda mais a pressão nas ruas.

“É uma novidade: no calor das manifestações, se apresenta um pedido unificado (de impeachment), é um elemento que podemos discutir”, disse o líder da Central de Movimentos Populares, Raimundo Bonfim. “Talvez o mais recomendado seja colar uma nova manifestação com a possível apresentação desse pedido, mas por enquanto essa é uma leitura pessoal.”

Líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto, Guilherme Boulos (PSOL) está entre aqueles que defendem aumentar a pressão com mais atos de rua. “Eu espero que cresçam cada vez mais as mobilizações”, disse Boulos no sábado, logo após seu discurso na manifestação. “Quando alguém no meio de uma pandemia decide ir para a rua, esse é um gesto extremo e expressa a compreensão de que com esse governo não dá, o Bolsonaro não nos deixou outra alternativa. Espero que a gente consiga viabilizar o impeachment ainda neste ano.”

Parte dos líderes também sugerem ampliar os atos contra Bolsonaro para novos tipos de protesto, como greves e paralisações pontuais em rodovias. Por enquanto, a ideia não tem apoio da maior parte dos organizadores. “A dúvida é saber se, às vezes, na próxima não é o caso de fazer uma paralisação, uma greve, trancamento de rodovia, intercalando para não ser só atos de sábado na Paulista”, diz João Paulo Rodrigues, que integra a coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). “O que estamos avaliando junto às demais organizações é: quais são os tipos de luta que vão ajudar a acumular força?”

Coordenadores da campanha contra Bolsonaro tentam ampliar o espectro político das organizações que participam dos protestos, e rechaçam a interpretação de que as manifestações serviriam para reforçar a campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022. Desde o ato de 29 de maio, as reuniões de organização do grupo passaram a contar com representantes do Movimento Acredito, de renovação política e mais identificação com o centro. Segundo Bonfim, há também o desejo de que PDT e PSB, de centro-esquerda, participem mais ativamente da coordenação. Na manifestação do último sábado, um movimento da juventude do PT empunhava faixas que pediam “Volta Lula”, enquanto as lideranças evitaram mencionar o ex-presidente no carro de som.

“Ficou claro que a presença dos partidos não significou um impedimento para as pessoas virem: eles estavam na primeira (manifestação) e agora vieram mais pessoas do que antes”, opinou o presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Iago Montalvão, que também prega a adesão de mais organizações aos protestos.

Doria afirma que não recuará de sua candidatura à Presidência em 2022.



O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que já se apresenta como pré-candidato à Presidência nas eleições do ano que vem, afirmou que, mesmo que pesquisas não apontem um cenário favorável à sua candidatura, ele não irá recuar do pleito, caso seja o candidato do PSDB. “Eu não recuo, eu avanço. Eu já anunciei que não serei candidato à reeleição aqui no Estado de São Paulo. O candidato aqui chama-se Rodrigo Garcia”, afirmou o tucano.

A candidatura do governador pelo PSDB ainda depende de uma prévia do partido. Segundo o governador, em entrevista à rádio Jovem Pan na manhã desta segunda-feira, 21, em julho devem ser iniciadas suas visitas aos Estados. O governador afirmou ainda que os trabalhos referentes à sua campanha devem ocorrer aos fins de semana, de forma a não atrapalhar seu trabalho à frente do governo paulista.

Sobre a polarização política que em curso entre o atual presidente da República, Jair Bolsonaro, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Doria argumentou que, a um ano e meio da disputa, a “bipolarização” não pode ser definida como o resultado do pleito. “Temos uma longa trajetória ainda pela frente, tempo suficiente para que essa mudança venha a ocorrer”, disse o tucano. “O retrato de hoje não é necessariamente o retrato de amanhã”, completou.

Para Doria, apesar de as medidas restritivas para o combate à pandemia de covid-19 terem desgastado a imagem de diversos dirigentes, o avanço na vacinação deixará para trás “o gosto amargo que tivemos nessa fase mais dura”. O governador também voltou a lamentar os 500 mil mortes em decorrência da doença.

A avacalhação da cloroquina.



Até o presidente Jair Bolsonaro aparecer com suas ideias tresloucadas, a cloroquina era apenas um ótimo remédio com uso consagrado contra a malária e no tratamento de doenças degenerativas como o lúpus e a artrite reumatóide.

Mas, de repente, um medicamento eficaz com conhecida destinação farmacêutica se tornou um engodo, símbolo da mentira e do charlatanismo na medicina. A insistência propagandística do governo, que impôs o produto como uma cura mágica da Covid-19, esvaziou sua importância histórica no desenvolvimento farmacológico e o transformou em algo quase ridículo. Sem contar que diminuiu a oferta nas farmácias para pessoas que realmente precisavam da substância.

A cloroquina, assim como a hidroxicloroquina, é um derivado sintetizado da quina, planta de uso imemorial na Amazônia. Os xamãs indígenas a indicavam para dores e febres, o que logo chamou a atenção dos primeiros colonizadores da América e dos pesquisadores de plantas europeus. Extraída da casca da árvore, a cortiça da quina, matéria-prima da água tônica, funcionava na América pré-colombiana como uma solução para todos os males e sobrevive na medicina tradicional da floresta como um produto capaz de combater dores de estômago, calvície e até lêndea de piolho, além evidentemente de malária. A cloroquina foi sintetizada pela Bayer em 1934 e a hidroxicloroquina, em 1946. Com exceção de Bolsonaro, nenhum curandeiro que se preze indica a casca de quina para combater o coronavírus.

No atual governo, a cloroquina foi reduzida a símbolo máximo da loucura sanitária. É injusto com o produto, que não merecia ter sido desconstruído de maneira leviana, e com a população, que tem sido sistematicamente enganada com falsas promessas de cura. Graças ao atual governo, um medicamento fundamental no desenvolvimento da medicina do século 20 virou uma piada macabra que não faz justiça com um longa história de sucesso. Bolsonaro conseguiu avacalhar a cloroquina.

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