sexta-feira, junho 04, 2021

POLÍTICA

 Panelaços bombam enquanto na TV Bolsonaro tenta defender seu governo.



Panelaços bombaram em todo país, na noite desta quarta-feira, 2, enquanto o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fazia um pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão tentando defender seu governo.

Bolsonaro destacou em seu pronunciamento o fato do Brasil ter ultrapassado, nesta quarta-feira, a marca de 100 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 distribuídas pelo Ministério da Saúde, afirmando que o Brasil é um dos cinco países que mais vacina no mundo.

Bolsonaro não mencionou os e-mails para compra de vacinas ignorados, nem a lentidão na vacinação. Pelo contrário, usou o número total de doses aplicadas sem considerar o tamanho de nossa população para o dado se tornar positivo.

Se a comparação considerar apenas o número total de doses que cada país aplicou, o Brasil aparece em quinto lugar no ranking global de dados oficiais compilados pela Universidade de Oxford, no Reino Unido. Mas quando a comparação do total de doses aplicadas leva em conta o tamanho da população de cada país, o Brasil aparece em 78º entre 190 nações e territórios.
O presidente afirmou que o governo federal “não obrigou ninguém a ficar em casa” e que “não tirou o sustento de milhares de trabalhadores informais”, mesmo tendo reduzido o auxílio emergencial e não ter dado a prioridade necessária para a compra de vacinas para que o país possa voltar suas atividades econômicas de forma plena.

Bolsonaro também prestou condolências às famílias das vítimas da covid-19.”Sinto profundamente cada vida perdida em nosso país”, afirmou no início do discurso. Veja a íntegra no final da matéria.

A revolta com a baixa vacinação no país mobilizou brasileiros de diversas cidades a realizarem um grande panelaço enquanto Bolsonaro falava em rede nacional. 

A farsa de Bolsonaro.



O pronunciamento de Bolsonaro em rede de rádio e televisão na noite desta quarta-feira, 2, foi estarrecedor. Uma verdadeira farsa. A começar pelo fato de que não expressou seus reais sentimentos. Esteve claro, desde o primeiro segundo de sua fala, que ele apenas lia no teleprompter algo escrito por assessores. Não foi, nem de longe, o que ele pensa e faz.

Ao começar lamentando as mortes dos milhares de brasileiros mortos pela Covid – em razão, inclusive, de suas omissões e negligências –, o ex-capitão assumiu o propósito de estruturar seu discurso com base no sarcasmo. Ele deveria ter feito esse tipo de manifestação em março do ano passado, quando a pandemia se intensificou e o Brasil atingia 201 mortes, já prenunciando que enfrentaríamos a maior tragédia de nossa história. De lá para cá, chegamos a 470 mil óbitos e, nesse interim, o mandatário apenas tripudiou sobre a doença.

Disse, entre outras insanidades, que nada poderia fazer, que não era “coveiro”, “sou messias, mas não faço milagres”, “vai morrer quem tiver que morrer” e “vou comprar vacina na casa da tua mãe”. A sociedade acompanhou chocada suas reações nefastas. Nada fez para conter o avanço do vírus. Pelo contrário, estimulou sua propagação, apoiou aglomerações, criticou o isolamento e combateu o uso de máscaras, entre outras barbaridades contrárias à ciência.

Em sua fala na TV, aliás, o ex-capitão voltou a condenar governadores e prefeitos que defendem as acertadas medidas restritivas para evitar a expansão do coronavírus. Um equívoco que nos coloca no centro da pandemia mundial. Todos os cientistas e autoridades sanitárias do mundo inteiro já demonstraram que a contaminação só vai ceder se houver medidas de distanciamento social, práticas de higiene severas e vacina.

Deve ser execrado por todas suas teses do atraso, como a imunidade de rebanho ou que tudo não passaria de uma “gripezinha”. Sua postura anticiência precisa ter um fim e esse tipo de pronunciamento serve apenas para ele tentar aliviar sua barra na CPI da Covid. Afinal, certamente ele será responsabilizado no relatório final da comissão de investigação pelo conjunto da sua obra, considerada por todos como genocida. Dificilmente conseguirá reverter essa imagem construída por meses de desatinos.

Mais sarcástico em seu pronunciamento, contudo, foi dizer que agora incentiva a vacinação em massa e que seu governo já disponibilizou 100 milhões de doses de imunizantes. Uma clara distorção da realidade. Desde o início, o que ele recomendou mesmo foi a farta distribuição da cloroquina, em substituição à vacina, o único remédio reconhecido pelos imunologistas como capaz de controlar a pandemia.

Se hoje temos vacinas, devemos ao Butantan, do governo de São Paulo, que persistiu no projeto de produzir aqui a Coronavac e dar início à vacinação ainda em janeiro deste ano. Se Bolsonaro não fosse o negacionista que é, poderíamos ter iniciado a imunização em dezembro, antes do resto do mundo. Graças a ele e seu general da Saúde, demoramos muito e muitas vidas se perderam. Muita gente morreu graças a essa negligência.

Em outubro, quando o Butantan ofereceu a vacina a Pazuello e Bolsonaro mandou rasgar o contrato, tínhamos 120 mil mortes. Em janeiro, quando efetivamente o governador João Doria deu início à vacinação, já havíamos chegado a 400 mil óbitos. Esse é o tamanho da irresponsabilidade apurada pela CPI. Afirmar agora que defende a vacina é de um oportunismo indecente.

Chama a atenção também o fato de ele enaltecer nesse enfadonho pronunciamento que seu governo está resolvendo a crise social, destacando o crescimento do PIB. É verdade que o País pode até crescer 5% este ano, mas vale lembrar que no ano passado levamos um tombo de 4,1%. Assim, estamos apenas nos recuperando da gigantesca queda em 2020.

O que é pernicioso é dizer que o País está alcançando melhorias sociais em razão disso. O presidente se esquece que a alta no PIB não solucionará nossos problemas sócio-econômicos e não amenizará a desigualdade descomunal que atingimos. Afinal, a melhoria no PIB ocorre em cima do melhor desempenho das commodities, como minério de ferro e agricultura, atividades altamente mecanizadas e que não absorvem grandes contingentes de mão de obra.

Por essa razão, em maio, registramos um desemprego recorde de quase 15 milhões de pessoas. É fato que no governo Bolsonaro retornamos ao mapa da fome, com mais de 40 milhões de miseráveis. Precisamos é que a política econômica gere maior distribuição de renda e desenvolvimento para todos, com reformas que nos façam crescer de forma consistente. Foram merecidos, portanto, os panelaços registrados em todo o País durante sua fala na TV. O povo está cansado de inverdades e falsidades.

Ciro Nogueira, aliado de Bolsonaro, oferece apoio do Centrão para Alckmin derrotar Doria em SP.



O ex-governador tucano, que é pré-candidato para a disputa de 2022, já foi cortejado também pelo DEM de ACM Neto e pelo PSD de Gilberto Kassab.

Geraldo Alckmin é pré-candidato ao governo de São Paulo e interlocutores dizem que não há mais chance de ele recuar, porque pesquisas internas estariam indicando boas chances de vitória em 2022.

Nesta semana, noticiamos que a aliança do ainda tucano com Márcio França (PSB) está garantida. Ontem, Alckmin se reuniu com o deputado federal Fausto Pinato (PP), que garantiu igualmente apoio a ele.

O “inimigo comum” é João Doria, atual governador que conseguiu convencer seu vice, Rodrigo Garcia, a trocar o DEM pelo PSDB para ser seu candidato à sucessão no ano que vem.

Alckmin, como já registramos, foi convidado a se filiar ao DEM de ACM Neto — o que seria um troco em Garcia — e ao PSD de Gilberto Kassab.

Agora, O Antagonista apurou que o senador piauiense Ciro Nogueira, presidente do PP e hoje um dos principais aliados do Palácio do Planalto, também ofereceu a legenda ao ex-governador. Ciro, chamado de ‘filho 05’ de Jair Bolsonaro, disse a Alckmin que, se ele topar a filiação, poderia garantir o apoio de todo o Centrão, que ajudaria a fortalecer a narrativa anti-Doria.

Em  2018, o PP apoiou Geraldo Alckmin no primeiro turno da corrida presidencial. O tucano ficou em quarto lugar, com 4,76% dos votos válidos.

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