terça-feira, julho 06, 2021

MINHA VIDA GAY

Todo mundo quer ser amado e aceito.



Manas - Chicago + Illinois + New York + New York City + USA

Minha jornada para amar e me aceitar foi longa.

Eu sempre fui diferente. Eu era imigrante, estudante de ESL, pobre, falava diferente, baixinho, redondo, não tinha uma estrutura familiar tradicional e não era completamente o que a sociedade assume como “masculino”. Eu odiei isso. Eu só queria me encaixar.

Visto que meus pais estavam tentando nos dar o sonho americano, eles trabalharam muito e tiveram vários empregos. Como o mais velho de quatro filhos, disseram-me para cuidar dos meus irmãos. Tivemos a ajuda da minha incrível avó e de outros membros da família, mas ainda me sentia responsável e não queria decepcionar meus pais. Olhando para trás, acho que a situação (não meus pais) me forçou a suprimir minhas inseguranças e o quanto eu não gostava de mim mesma.

Assim que o ensino médio começou, minhas inseguranças voltaram à tona. Eles já foram embora? Eles aumentaram? Essa também foi minha primeira lembrança de questionar minha sexualidade (como posso gostar de futebol e Mariah Carey ???). Não fiz nada a respeito. Eu tinha coisas suficientes de que não gostava em mim. Continuei tentando me encaixar como um garoto suburbano “normal”. Eu praticava esportes. Eu namorei garotas. Isso continuou durante toda a faculdade e no início dos meus 20 anos.

Avance rapidamente para a cidade de Nova York, quando as coisas realmente começaram a mudar. Eu me mudei para um emprego. Eu também tinha acabado de sair de um relacionamento sério. Fiquei com o coração partido e sozinho na maior cidade do país. O momento não foi planejado ou ideal, mas foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. Sempre foi um sonho morar em Nova York, então agarrei a oportunidade. Disse a mim mesmo que concentre-se em você e em sua carreira.

Durante uma viagem de negócios a Chicago, decidi passar o fim de semana visitando minha família. Enquanto eu estava lá, estava conversando com meu irmão mais novo. Ele estava passando por um momento difícil e eu me lembro de dizer a ele para se concentrar apenas nele e fazer o que o deixasse feliz. Então me dei conta - eu não estava seguindo meu próprio conselho. Quase no final da conversa, eu disse: “Tenho que contar uma coisa que nunca contei a ninguém. Eu sou gay." Sua resposta foi: "Isso é incrível." Eu chorei.

Naquele fim de semana, contei ao restante dos meus irmãos e recebi mais amor e apoio. Então eu tive que contar aos meus pais. Fiz isso no caminho para o aeroporto quando estávamos nos aproximando do terminal, no final da viagem. Eu estava com tanto medo de decepcioná-los que não queria ficar no carro muito tempo depois. Assim que contei a eles, houve um período de silêncio. Foi longo e estranho. Eu estava assustado. Minha mãe finalmente perguntou: “Você está seguro? Você está feliz?" Ao que eu respondi sim. Meu pai não disse uma palavra. Assim que chegamos ao aeroporto, meu pai desceu para me ajudar com a bagagem. Ele me deu um abraço e disse: “Eu te amo”.

Nos meses seguintes, comecei a contar a amigos, que contaram a outros amigos. Cada resposta foi extremamente positiva e de apoio. A maioria deles já sabia. Eu não estava enganando ninguém, apenas a mim mesmo.

Ao longo desta jornada, tive que chegar a um acordo com meu eu completo. Ser gay é apenas outra camada de complexidade e não define totalmente quem eu sou como pessoa. Foram anos de autodescoberta, experiências, novos desafios e exploração. Como a maioria de nós, ainda tenho algumas inseguranças, mas as aceitei porque são uma parte de mim e o que me torna “diferente”. Eu sou diferente e adoro isso.

Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, revela que é gay.



O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), revelou ser gay durante uma entrevista gravada neste dia 1 de julho ao programa Conversa com Bial, da TV Globo, que será exibida na madrugada desta sexta-feira, dia 2.



“Eu sou gay. E sou um governador gay, e não um gay governador, tanto quanto Obama nos Estados Unidos não foi um negro presidente, foi um presidente negro. E tenho orgulho disso”, disse Leite, acrescentando também que não tem nada a esconder e que se orgulha de sua orientação sexual.

“Agora, como a minha participação nessa política nacional, nesse debate nacional começa a despertar talvez maiores ataques por conta de adversários, alguns vêm com piadas, ilações, como se eu tivesse algo a esconder. Pois bem, que fique claro, não tenho nada a esconder. Tenho orgulho dessa integridade de poder aqui dizer também sobre a minha orientação sexual, quem eu sou, embora devêssemos viver num país em que isso fosse uma não-questão, mas, se é, está aqui claro”, disse.



Eduardo Leite cumpre uma agenda em São Paulo nesta quinta-feira. Ele é um dos pré-candidatos do PSDB à Presidência da República, disputando prévias contra o João Dória, governador de São Paulo, e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto e o senador cearense Tasso Jereirssati.



Leite também contou que está namorando há nove meses um médico do Espírito Santo. Segundo a coluna de Fábia Oliveira, trata-se de Thalis Bolzan (29), que mora em Vitória.



“As inúmeras mensagens de carinho e apoio que estou recebendo me deixam absolutamente seguro: o amor vai vencer o ódio! Muito muito muito obrigado a todos!”, escreveu ele no Twitter, comentando também se sente aliviado.

Internautas tiram governadora Fátima Bezerra do armário após Eduardo Leite se declarar gay.



A governadora do Rio Grande do Norte, mesmo defendendo as pautas LGBTQIA+, nunca se pronunciou oficialmente sobre sua orientação sexual

Bezerra nunca se pronunciou oficialmente sobre sua orientação sexual, ainda que sempre tenha defendindo a pauta LGBTQIA+. Neste dia 2 de julho, por exemplo, a governadora realizou uma visita ao Ambulatório LGBT+ na Faculdade de Enfermagem (FAEN), da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte. O equipamento de saúde é o primeiro a funcionar na linha de ação integral em saúde à população LGBTQIA+ do estado.

Antes de ser governadora, a oposição sempre se referia a ela com insinuações homofóbicas para desmoralizá-la quando tentava a prefeitura de Natal.

Após a repercussão dada a saída do armário de Eduardo Leite (PSDB) no programa Conversa com Bial, muitos questionaram o porquê a imprensa não fez a mesma coisa com a governadora do Rio Grande do Norte Fátima Bezerra (PT). Bezerra nunca se pronunciou oficialmente sobre sua orientação sexual e, após a repercussão desta sexta-feira com seu nome nos Treding Topics do Twitter, se manifestou com uma série de tweets.

“Na minha vida pública ou privada nunca existiram armários”, disse Fátima Bezerra no Twitter. “Sempre demarquei minhas posições através da minha atuação política, sem jamais me omitir na luta contra o machismo, o racismo, a LGBTfobia e qualquer outro tipo de opressão e violência”, continuou.

“O governador Eduardo Leite fez um gesto importante e tem minha solidariedade por ataques que venha a sofrer em razão de sua declaração. Eu sei o que é a dor da discriminação e do preconceito. Os mandatos que recebi do povo, de deputada estadual, deputada federal e, agora, de Governadora do meu Estado, o RN, sempre estiveram à disposição das lutas civilizatórias”, escreveu.

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