segunda-feira, julho 12, 2021

NOTÍCIAS DO MUNDO GAY

 Caso Samuel Luiz: polícia prende quarto suspeito de matar brasileiro na Espanha.



A polícia espanhola prendeu nesta quinta-feira (08/07) um quarto suspeito nas investigações sobre o assassinato do brasileiro Samuel Luiz Muñiz, de 24 anos. O auxiliar de enfermagem foi assassinado no último sábado (03/07) em La Coruña, depois de ser espancado por um grupo de pelo menos sete pessoas ao sair de uma boate local.


Protestos na Espanha

O homem preso tem entre 20 e 25 anos e é amigo dos outros três detidos – dois homens e uma mulher – na segunda-feira. Segundo a polícia, assim como os demais, ele também “não conhecia a vítima“. Por esta circunstância, as autoridades ainda não caracterizam o crime como homofóbico, mantendo “todas as hipóteses” em aberto.

Samuel Luiz foi encontrado inconsciente perto de uma boate, devido aos golpes. Os socorristas tentaram reanimá-lo durante horas, mas ele não resistiu, falecendo na manhã de sábado. A investigação continua e o caso é mantido em sigilo. De acordo com os primeiros elementos da necropsia, ele morreu por um traumatismo cranioencefálico grave causado por um chute na cabeça, informou a imprensa local.

Para Bolsonaro, gays não devem se beijar em público: “A nossa família não quer isso”.



Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a proferir declarações homofóbicas. Nesta quarta-feira (07/07), em entrevista à Rádio Guaíba, do Rio Grande do Sul, Bolsonaro afirmou que homossexuais não devem se beijar em público.

“Tem uma cena com o Haddad, o Lula, a Dilma e o Celso Amorim onde tem dois homens se atracando no beijo e eles rindo, a coisa mais normal do mundo“, disse Bolsonaro, segundo o portal Carta Capital. “Dois homens e duas mulheres querem se atracar? Fiquem à vontade dentro de casa, no motel ou atrás da bananeira. Agora, mostrar publicamente isso e aplaudir? A nossa família não quer isso“, completou.

A cena criticada por Bolsonaro faz parte de apresentação realizada na Casa de Portugal, em São Paulo, em janeiro de 2018, no qual o ex-presidente Lula compareceu. Na ocasião, dois dançarinos se beijaram. A iniciativa foi organizada por intelectuais e artistas em apoio a Lula, então pré-candidato à Presidência da República na época.

Ministério Público do Distrito Federal denuncia falso psicólogo que oferecia “cura gay” por R$ 29 mil.



O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) denunciou à Justiça do DF um rapaz que se passava por psicólogo e oferecia pela internet “garantia vitalícia” para “tratamento do homossexualismo” (sic), mais conhecido como “cura gay“. Gabriel Henrique de Azevêdo Veloso chegava a cobrar R$ 29 mil pelo “tratamento“.

À época, Gabriel Henrique afirmou ao G1 que atuava como psicólogo desde 2007, e negou que oferecesse a “cura gay”. No entanto, ele sequer possuía registro no Conselho Regional de Psicologia. “Foi um mal-entendido. A palavra homossexualismo [sic] tem uma conotação negativa e já foi retirada do site“, disse ao portal. Por conta disso, Gabriel deve responder por charlatanismo, exercício ilegal da profissão e racismo social por orientação sexual.

Na denúncia, além de pedir a condenação na esfera criminal pelos crimes de discriminação e preconceito de raça, os promotores sugerem que o falso psicólogo pague R$ 40 mil reais de reparação pelos danos causados à coletividade. O valor será destinado a um fundo coletivo defensor da pauta LGBTQIA+ a ser indicado pelo órgão técnico o MPDFT.

Policial militar é preso por desobediência após denunciar homofobia na corporação.



Um policial militar foi preso nesta quinta-feira em Campo Grande (MS) após denunciar o superior hierárquico por homofobia. O capitão da Polícia Militar, Felipe dos Santos Joseph, foi preso em flagrante nesta quinta-feira (08/07) em Campo Grande (MS), acusado de insubordinação por seu superior imediato, um tenente-coronel.

Segundo informações do jornal O Globo, Joseph trabalha no Comando-Geral da PM e havia feito uma denúncia contra o Tenente Coronel Antônio José Pereira Neto. De acordo com o advogado Anderson Yamada, que representa o capitão, o problema entre os militares começou após seu superior imediato ter publicado comentários homofóbicos em um grupo de WhatsApp formado por colegas de trabalho. “O capitão fez a denúncia para o MP há alguns dias, com o relato da homofobia do superior hierárquico. Ontem o coronel quis falar com o Felipe, alegou que seria conversa de trabalho e chamou duas pessoas para presenciar. Mas tentou tratar dessa situação da denúncia e o Felipe se negou a falar de qualquer coisa além do trabalho. Então o coronel mandou prender“, disse Yamada a publicação.

Na corregedoria, o capitão lembrou que vem sofrendo perseguição e coação após ter feito denúncia formal por estar sofrendo homofobia dentro da corporação. “A conduta do coronel foi totalmente arbitrária. Entendo que forçar alguém a falar coisas além do trabalho é um abuso de autoridade, principalmente quando vem de alguém superior na hierarquia“, afirmou o advogado. Joseph passou a noite detido, mas teve sua soltura determinada em audiência de custódia na manhã desta sexta-feira (09/07).

No flagrante, consta que a conversa entre o capitão e o coronel Neto foi para “tratar de assuntos de serviço”, o que seria base para a prisão. Depois de ouvir testemunhas, no entanto, a Justiça entendeu que não houve “clara descrição do referido assunto de serviço, não restando materializado o delito”. Em nota, a PM informou que a prisão foi baseada no artigo 163 do Código Penal Militar, que trata da recusa em obedecer a ordem do superior sobre assunto ou matéria de serviço. A corporação acrescentou que as circunstâncias da prisão serão apuradas em um Inquérito Policial Militar.

Homem é preso ao insultar casal gay supermercado de Campo Grande.



O amigo do homofóbico também foi preso após dar "carteirada" na polícia, dizendo que era primo de um coronel da corporação. O caso foi registrado como ameaça, resistência e desacato

Na tarde do último sábado, 10, um homem que se identifica como heterossexual cisgênero, de 41 anos, foi preso após insultar um casal gay, ameaçar funcionários e desacatar a Polícia Militar. O caso aconteceu em uma choperia de hipermercado, na Rua Brilhante, na Vila Bandeirantes, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

O criminoso batia com a mão, chutava a mesa e chamava o casal de “viados”, além de dizer agrediria fisicamente ambos quando saíssem do estabelecimento. As vítimas reclamaram com a gerência do local e foram embora para não sofrerem mais constrangimentos. Um funcionário do estabelecimento foi pedir ao meliante para parar de incomodar os clientes. O agressor também ameaçou o funcionário e, assim, foi acionada a polícia.

À polícia, o agressor disse que poderia até prendê-lo, mas que ele “não gosta de viado’ e não os aceita no mesmo ambiente que ele estiver”. Como o casal já tinha ido embora e o funcionário não queria representar contra o autor, a polícia apenas pediu que ele pagasse a conta e fosse embora do estabelecimento devido a confusão que estava provocando ali, conforme solicitado pelo gerente, segundo reportagem do Campo Grande News.

O autor não tinha dinheiro para quitar a dívida e combinou com a gerência de voltar outro dia para fazer o pagamento. Porém, quando os policiais falaram mais uma vez para ele ir embora, o autor passou a desacatar a polícia, apontando o dedo e dizendo que os PMs eram fracos e iria arrebentá-los na porrada.

Foi então dada voz de prisão ao suspeito, que se exaltou mais ainda e passou a xingar os policiais e chutar as mesas do estabelecimento. Ele foi contido, algemado e na hora de entrar na viatura chutou o sargento alegando que “não era bicho” para ser levado no compartimento de preso da viatura.

O amigo do criminoso, de 31 anos, que o acompanhava e até então estava quieto, também acabou preso porque, ao defender o colega, também passou a desacatar os militares dizendo que era primo de um coronel da corporação. O caso foi registrado na Depac / Cepol como ameaça, resistência e desacato.

Um mês após sofrer ataque transfóbico, cabeleireira trans é assassinada com tiro em Recife.



Uma mulher trans foi assassinada com um tiro, nesta segunda (05/07), na comunidade Beira Rio, na Várzea, Zona Oeste do Recife. Crismilly Pérola, de 37 anos, também conhecida como Bombom ou Piu-piu, estava desaparecida desde domingo após ir até uma festa. A morte da cabeleireira é o terceiro registro de violência contra mulheres trans em menos de um mês na capital pernambucana.

De acordo com o perito criminal Diego Nunes, do Grupo Especializado de Perícias em Homicídios (GEPH), do DHPP, o corpo foi encontrado às margens do Rio Capibaribe, perto do local onde ocorreu a festa, no bairro da Várzea. A Polícia Civil informou que instaurou inquérito policial para apurar a morte de Crismilly e que ainda desconhece a autoria e motivação do crime. A investigação está sob o comando do DHPP (Departamento de Homicídio e de Proteção à Pessoa). “A vítima tinha um disparo provocado por arma de fogo na mão que trasfixou e atingiu o pescoço. Ela estava usando um short jeans e um short, não tinha nenhum sinal de violência sexual”, destacou o perito criminal.

Prima da cabeleireira, Jennnifer Matos, contou que Crismilly tinha sido vítima de transfobia recentemente e chegou a ser hospitalizada porque fraturou um dos braços. A família acredita que a motivação foi a mesma. “Foi há um mês, em uma briga na Várzea também. Atentaram contra a vida dela. E o motivo pelo que a gente sabe foi transfobia. Ela contava a mãe que sempre sofria xingamentos no meio da rua, sempre tinha isso. A gente espera que a polícia investigue e identifique os culpados. Ela era uma pessoa muito querida”, disse ao G1.

Esse é o terceiro caso grave de violência contra mulheres trans, em menos de um mês. Em 18 de junho, o corpo de Kalyndra Selva foi encontrado dentro de casa, no Ipsep, na Zona Sul do Recife. Em 24 do mesmo mês, Roberta da Silva teve 40% dos corpo queimado por um adolescente, no Centro. Por conta da gravidade das queimaduras, Roberta precisou ter os dois braços amputados.

Morre Roberta da Silva, mulher trans que teve 40% do corpo queimado por adolescente no Recife.



Morreu, nesta sexta (09/07), Roberta da Silva, a mulher trans que teve 40% do corpo queimado por um adolescente, no Centro de Recife, em 24 de junho. Segundo a assessoria de comunicação do Hospital da Restauração (HR), o óbito ocorreu às 9h.

De acordo com a unidade de saúde, Roberta teve falência respiratória e renal. O quadro de saúde dela se agravou nas últimas horas. A equipe médica da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) realizou hemodiálise, mas a paciente não reagiu. Inicialmente, a informação era de que ela tinha 33 anos, mas o hospital afirmou que ela tinha 32, segundo documentos. Desde que sofreu o ataque, ela precisou amputar os dois braços. No último dia 26 de junho Roberta amputou o lado esquerdo, na altura do ombro. Já no dia 30, ela precisou amputar o braço direito. De acordo com o HR, o ataque provocou queimaduras de terceiro grau, chegando à musculatura.

Roberta foi atacada por um jovem de 17 anos no centro de Recife, em Pernambuco, na madrugada da última quinta-feira (24/06). Conforme a Polícia Militar, agentes realizavam um patrulhamento quando foram acionados por populares sobre uma tentativa de homicídio e viram a vítima, que morava nas ruas do Centro do Recife, em chamas. O adolescente responsável pelo ataque tentou fugir, mas foi detido e levado para a Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA). 

O prefeito do Recife, João Campos, afirmou que lamenta profundamente a morte de Roberta. “É intolerável qualquer vida perdida para o ódio e para o preconceito. Vamos avançar com novas ações para ampliar o atendimento a esta população, como a Casa de Acolhida LGBTI+, que irá receber o nome de Roberta”, afirmou.

Mais uma vítima: mulher trans é morta a facadas no Agreste de Pernambuco e suspeito é linchado.



A transfobia continua fazendo novas vítimas em Pernambuco! Na madrugada desta quarta-feira (07/07), uma mulher trans, identificada como Fabiana da Silva Lucas, de 30 anos, foi morta com vários golpes de faca às margens da PE-160, em Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste pernambucano.

De acordo com informações da Polícia Civil, a vítima estava em um bar e perguntou onde era o banheiro. Foi quando indicaram um terreno baldio. Ela foi seguida pelo suspeito do crime, de 22 anos, que atacou Fabiana com golpes de faca. O assassino tentou fugir do local, mas foi abordado e agredido por pessoas que estavam no local.

O corpo de Fabiana foi encontrado parcialmente sem roupas, e próximo ao corpo estavam alguns preservativos. Até o momento, a Polícia Civil não confirmou a motivação do crime, mas informou que, ao que tudo indica, Fabiana não fez nada contra o suspeito. Ele foi socorrido em estado grave e levado para o Hospital da Restauração, no Recife, onde está sob custódia. O caso será investigado.

O Brasil teve 80 pessoas transexuais mortas apenas nos seis primeiros meses deste ano, segundo relatório da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). A associação afirma que o relatório é feito a partir de reportagens e relatos de organizações LGBTQIA+. Por não existir dados oficiais, a associação entende que o número de assassinatos entre janeiro e junho deste ano pode ter sido ainda maior.

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