terça-feira, julho 13, 2021

POLÍTICA

 Quem é Rodrigo Pacheco, provável candidato da ‘terceira via’ à Presidência?



Senador em primeiro mandato pode garantir um palanque eleitoral importante e vasto se deixar o DEM e confirmar sua filiação ao PSD. Setores políticos veem nele chance real de emplacar candidato alternativo.

Rodrigo Pacheco (DEM-MG), é um advogado de 44 anos, natural de Porto Velho, capital de Rondônia. Senador de primeira viagem, foi eleito em 2018 com 3.616.864 votos, por Minas Gerais, ficando com a primeira vaga destinada ao estado na câmara alta do Legislativo brasileiro, escolhido por 20,49% do eleitorado.

Antes disso, o atual presidente do Senado Federal cumpriu um mandato como deputado federal (2015-2019). Seus quatro anos na Câmara foram marcados pelo apoio aberto ao processo de impeachment contra e presidenta Dilma Rousseff e por votos favoráveis à PEC do Teto dos Gastos Públicos e à Reforma Trabalhista.
Presidência do Senado e pecha de “bolsonarista”

Sua chegada à presidência do Senado ocorre após uma vitória contra Simone Tebet (MDB-MS), em janeiro de 2021. Para ficar com o cargo, o senador contou votos da oposição e do governo. Ele foi o escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro no duelo e por isso passou a ser visto como um aliado de primeira hora do bolsonarismo.

A relação de Rodrigo Pacheco com o Palácio do Planalto, desde então, tem sido pautada por certa cumplicidade com chefe do Executivo federal, ainda que algumas trombadas e atritos tenham ocorrido ao longo dos últimos meses. Há uma semana, por exemplo, Pacheco fez um duro discurso contra a nota oficial divulgada pelo Ministério da Defesa e pelos comandantes das Forças Armadas em tom golpista, ameaçando o senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI do Genocídio, após uma fala dele contra membros da caserna implicados em escândalos de corrupção.

Nome da ‘terceira via’

Seu nome surge para o cenário eleitoral de 2022 após várias pesquisas de opinião divulgadas nos últimos dias mostrarem o derretimento acentuado de Bolsonaro, que passou a apresentar enorme rejeição entre os brasileiros. Ato contínuo, as mesmas sondagens revelaram uma liderança sólida e por ampla vantagem no atual cenário do ex-presidente Lula (PT). Os números ouriçaram os entusiastas da chamada ‘terceira via’, nome dado à tese política de que um candidato fora da bipolaridade Bolsonaro/Lula teria condições de vencer os dois candidatos, tirando proveito da rejeição de ambos.

Análise da conjuntura

O jornalista Luis Costa Pinto, que já foi repórter, editor e chefe de sucursais de veículos como Veja, Folha de S. Paulo e O Globo e Época, disse nesta segunda-feira (12), em entrevista a Renato Rovai e Dri Delorenzo, no Fórum Onze e Meio, que a candidatura de Pacheco pode ser uma boa decisão para os setores políticos que batalham pela tal ‘terceira via’.

“Esse era o caminho que estava se desenhando para o Pacheco, a meu ver. Ele tem mais quatro anos como senador, não tem quase nada a perder nessa disputa, especialmente sendo um candidato que sai do DEM e vai para o PSD, que é um partido organizado, estruturado, e que sabe fazer uma divisão regional de recurso e de poder. Se ele faz esse gesto aí, não é pra ser candidato a governador de Minas, porque já há o Kalil e o Anastasia lá”, ponderou Costa Pinto.

“Esse cenário (com Rodrigo Pacheco) não aponta para um 2° turno entre Lula e o bolsonarismo, não. O PSL, do Datena, que tem recursos e tempo de TV, aliado ao PSD, pode cumprir um papel importante para a direita que não quer o Bolsonaro. Talvez até não chegue ao 2° turno, mas pode ser fundamental para minar a base do bolsonarimso radical, tirando um naco dele e permitindo a existência de um candidato mais moderado. Mas, acho possível ocorrer uma chegada ao 2° turno, sim, contra o Lula, com a candidatura do Rodrigo Pacheco”, opinou o jornalista.

Por último, Luis Costa Pinto falou do importante e extenso palanque eleitoral que pode se formar a partir da candidatura do atual presidente do Senado ao Palácio do Planalto. “Se for confirmada essa filiação do Rodrigo Pacheco ao PSD, eles teriam o candidato favorito ao governo de Minas, o Alexandre Kalil, tem o candidato que é forte em qualquer condição, que é o Geraldo Alckmin em SP, o Eduardo Paes e o Rodrigo Maia no Rio, com a possibilidade de o Paes largar a Prefeitura para disputar o governo do estado, além de um candidato forte como o Otto Alencar, pré-candidato ao governo na Bahia, que é o quarto maior colégio eleitoral. A lógica é a da composição, para compor esses palanques, e isso é muito importante”, concluiu.

Se o plano de Kassab der certo, Pacheco começará a se soltar aos poucos.



O presidente do PSD não esconde mais o desejo de ver o senador como candidato à Presidência da República no ano que vem pelo seu partido.

Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, acaba de divulgar uma nota para negar que seja pré-candidato ao Palácio do Planalto.

“Não discutirei agora o processo eleitoral de 2022. Meu compromisso é com a estabilidade do país, e isso exige foco nos muitos problemas que ainda temos em 2021”, diz a nota.

Foi exatamente a mesma coisa que o senador, que atualmente preside o DEM em Minas Gerais, disse ao Papo Antagonista na última sexta-feira (9), quando questionado sobre essa possibilidade: assista aqui.

Pacheco negou publicamente a reportagem, mas ele e o presidente do PSD, Gilberto Kassab, idealizador e entusiasta da candidatura do senador, não devem ter achado ruim o UOL ter cravado a eventual candidatura, embora não vão assumir isso em público ainda.

Como temos noticiado, o plano de Kassab é este mesmo: ter Pacheco como candidato da chamada terceira via pelo PSD. Enquanto a turma do “centro” se reúne e fala em candidatura única mais para frente, o presidente do PSD vai tentando, sem muito alarde, montar palanques estaduais (incluindo Geraldo Alckmin em São Paulo), já partindo do princípio de que Pacheco é presidenciável.

Na semana passada, como registramos, algumas senadoras aproveitaram um encontro com Pacheco, na residência oficial do presidente do Senado, para dizer a ele que gostavam da ideia de ele se lançar candidato ao Planalto. Pacheco desconversou, mas não negou a intenção.

Senador de primeiro mandato, o mineiro está sendo estimulado a ir “se soltando aos poucos”. Se for realmente candidato à Presidência e não ganhar, Pacheco poderá voltar ao Senado para mais quatro anos.

O Antagonista apurou que ele tem sido aconselhado a, na medida do possível, sem escancarar que está em campanha, começar a viajar pelo Brasil como presidente do Congresso Nacional, visitando parlamentares e participando de eventos públicos que tenham alguma relação com o cargo que hoje ocupa.

O pronunciamento da última sexta-feira (9), no qual Pacheco disse, do jeito dele, que defensores de ruptura institucional são “inimigos da nação”, foi muito elogiado internamente pelos pares.

Ciro investe em 3ª via e se lança como candidato 'nem Lula, nem Bolsonaro'.



"Porque o mais fácil a gente sabe o que é: nem Lula, nem Bolsonaro", afirma o pré-candidato.

O ex-governador do Ceará e pré-candidato às eleições de 2022 Ciro Gomes (PDT) se lançou como candidato à terceira via. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta segunda-feira (12), Ciro diz que o "mais difícil" é saber "o que devemos fazer" no projeto do País. "Porque o mais fácil a gente sabe o que é: nem Lula, nem Bolsonaro".

De acordo com o pré-candidato, suas críticas contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que vêm se intensificando nos últimos meses, têm em vista o que o ex-presidente "diz que fez e não fez". "É pelo que ele fez de errado e tentou esconder. E, principalmente, pelo que ele fará e não terá condições de fazê-lo", afirmou o pedetista. Na avaliação de Ciro, Lula não tem um projeto claro para comandar o Brasil. "Não tem nova proposta nem energia sincera para fazê-lo".

Já nas críticas contra a reeleição do chefe do Executivo, Jair Bolsonaro (sem partido), Ciro diz que condena tudo o que o presidente representa. "As mentiras e as traições que cometeu e vem cometendo contra o povo brasileiro e maldade e a destruição entranhadas em sua alma", declara. Ciro classifica que Bolsonaro representa "atraso, trevas e tragédia".

"Eu tenho um plano completo para tirar o Brasil desse dilema", garante Ciro.

Ao se lançar como a solução da polarização entre Lula e Bolsonaro, o ex-governador do Ceará aproveita os dados do levantamento Genial/Quaest, divulgado na quarta-feira (7), que mostrou que 31% dos brasileiros dizem que não gostariam que nem Lula da Silva nem Bolsonaro vencessem as eleições. Segundo a pesquisa, 57% dos entrevistados ainda estão indecisos sobre a intenção de voto para o pleito de 2022.

3 comentários:

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  2. Kkkkkk acho engraçado e nojento essa direita brasileira que quer inventar candidatos de 3° via. Até parece que um candidato sem carisma,como o Lula, e sem frases de efeito do povão, como o Bolsonaro, tem chances.

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  3. Me parece "apressado" querer lançá-lo como candidato, chegando agora, praticamente, a Presidência Senado/Congresso! Melhor mostrar "trabalho" nos próximos 4 anos, no Senado. Não fomos felizes com Parlamentares como Presidente: Sarney, Temer, Bolsonaro, por exemplo!Me parece que FHC e Color, tiveram mandatos legislativos antes de serem Presidentes, também!

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